…o seguro morreu de velho

Os pais sustentam que as condições de “higiene, salubridade e segurança” não estão “repostas” e acusam a câmara municipal de ter feito “uma obra de fachada”.

De capacetes enfiados na cabeça, como forma de protesto, os 35 alunos da EB1 de Galizes regressaram segunda-feira à escola, onde na noite de 16 de Abril ruiu o tecto de uma das salas de aula.

Sem que tenha sido feita a tão desejada intervenção de fundo na EB1 de Galizes, os pais dos 35 alunos que frequentam aquele estabelecimento de ensino afecto ao Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas decidiram recorrer a capacetes para garantirem a protecção dos seus filhos. Os pais estão indignados com o facto de os seus filhos terem sido obrigados a voltar ao estabelecimento de ensino onde ruiu parte do tecto de uma das duas salas e de o problema ter sido resolvido com a colocação de tectos falsos em ambos os espaços.

Os encarregados de educação pediam uma intervenção de fundo na EB1 onde também se verificam outros problemas, nomeadamente infiltrações na zona do telheiro e das casas-de-banho. Para além disso, aquela escola também não dispõe de refeitório e obriga os alunos a deslocarem-se, faça chuva ou sol, para a sede da Sociedade de Recreio e Cultura dos Povos de Galizes e Vendas de Galizes (SRCPGVG) para poderem almoçar.

Desde o episódio ocorrido na noite de 16 de Abril, que os ânimos andam exacerbados entre a comunidade educativa de Galizes, sendo que o clímax da situação aconteceu na reunião realizada dia 5 de Maio, e em que a vereadora da Educação da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, Fátima Antunes, optou por se ausentar, ainda antes do início dos trabalhos, devido à presença de dois jornalistas do Correio da Beira Serra.

Segundo este quinzenário apurou, na reunião em que os jornalistas foram convidados a sair, os pais deixaram bem clara a intenção de não permitirem que os seus filhos continuem naquela escola sem que seja feita uma intervenção de fundo no edifício.

Mas, pese embora a posição assumida pelos pais, a verdade é que, na segunda-feira, as aulas, que nas últimas semanas decorreram na SRCPGVG, voltaram a ser dadas na EB1 da localidade. Descontentes com a situação, os encarregados de educação já emitiram um comunicado dirigido ao presidente do Agrupamento Brás Garcia de Mascarenhas, Luís Ângelo, e com conhecimento a várias entidades e aos órgãos de comunicação social.

Problemas arrastam-se há vários anos

Advertindo que “ao longo de vários anos, os pais e professores foram alertando os responsáveis para as condições precárias da escola e para a necessidade de uma intervenção adequada”, os autores do comunicado alegam que “quem tinha conhecimento dessas situações, nada fez para as melhorar, tê-las-á até menosprezado”.

O “copo” acabaria entretanto por transbordar, após o desabamento de parte de um tecto da sala de aulas. Foi por isso – sustentam os encarregados de educação subscritores do documento –, que “os pais não podiam deixar passar este acidente sem avivar a memória de todos os que têm responsabilidades de cuidar dos equipamentos escolares e dos que tutelam pedagogicamente esses espaços, para as más condições de segurança, higiene e salubridade” da EB 1 de Galizes.

Pais acusam Agrupamento de ter mudado de opinião “repentinamente”

Reportando-se à polémica reunião que a vereadora da Educação, Fátima Antunes, abandonou, invocando a presença de jornalistas do Correio da Beira Serra, o comunicado enviado à redacção deste quinzenário, salienta também que, após a saída do CBS das instalações da SRCPGVG, “as representantes do Agrupamento, segundo afirmaram”, também terão entendido que “o melhor para os alunos era permanecerem nas instalações da SRCPGVG, visto que este espaço reunia melhores condições do que a escola” e, assim, a câmara municipal teria tempo necessário para “colmatar as deficiências” naquele equipamento escolar, construído no tempo do Estado Novo.

“O que levou os responsáveis a mudar de opinião num tão curto espaço de tempo? Que outros valores se elevaram? É um mistério para nós”, sublinha aquele comunicado, sem deixar também de frisar que este regresso à escola “é tão mais inexplicável, porquanto falta apenas um mês e uma semana para terminarem as aulas”.

Classificando a decisão como um “acto unilateral, tomado à nossa revelia e de insensibilidade inqualificável”, os pais dos alunos da EB 1 de Galizes dizem também não partilhar da “opinião que as condições de higiene, de salubridade e acima de tudo de segurança estejam repostas”.

Vão ainda mais longe, nas suas críticas: “o regresso dos alunos à escola é uma imposição. O ónus moral e jurídico de um eventual acidente recai sobre quem tomou esta decisão e por quem a apoiou”.

Perante estes factos, os signatários do comunicado não hesitam em criticar o Agrupamento de Escolas Brás Garcia Mascarenhas por ter tomado uma atitude que não “salvaguarda o interesse dos alunos, quer em matéria de segurança, quer em obter a garantia por parte da câmara municipal da realização urgente de uma intervenção de fundo (e não de fachada) na escola de Galizes”.

Pais dos alunos garantem estar apenas a zelar pelos interesses e direitos dos filhos

Fazendo questão de advertir que se estão a limitar a “zelar pelos interesses e direitos que assistem aos filhos – terem uma escola com condições dignas”, os subscritores daquele comunicado também dizem ser “alheios a eventuais combates e aproveitamentos político-partidários que uma situação desta magnitude possa suscitar, e lembram que “zelar pelos direitos” dos seus filhos não é nenhum “manifesto político ou um ataque pessoal a ninguém”. “Quem não o entender desta forma, parece não ter consciência do seu papel de pai”, sublinham.

Quem também não é poupada neste comunicado, é a vereadora da CMOH, que se recusou a participar numa reunião por causa da presença de jornalistas. “A reunião de 5 de Maio era do conhecimento público. Os responsáveis escusaram-se a tratar o assunto devido á presença de jornalistas (que não foram convidados), dando mais importância a esse facto do que a tratar do assunto que ali nos reunia”, frisam.

Presidente do Agrupamento recusa-se a comentar a situação

Contactado por este jornal, o presidente do Conselho Executivo do Agrupamento de Escolas Brás Garcia de Mascarenhas, Luís Ângelo, recusou-se a falar com o Correio da Beira Serra sobre o assunto da EB1 de Galizes.

Num e-mail enviado na semana passada ao CBS, aquele dirigente escolar, invocando o direito de imagem, mostrou-se desagradado com um vídeo editado na edição online do CBS, na sequência da polémica reunião em Galizes. Luís Ângelo solicitou mesmo a remoção “de imediato” do vídeo, alegando que – caso isso não acontecesse – agiria em “conformidade”.

Sublinhando que os jornalistas não devem ceder a pressões exteriores que tentem limitar o exercício da sua actividade, o Correio da Beira Serra alegou que a colocação do vídeo em causa insere-se no cumprimento do exercício da liberdade de imprensa e está relacionada com a “gestão de assuntos públicos”, que a todos diz respeito.

Entretanto, Luís Ângelo, respondeu à solicitação jornalística da Rádio Renascença da seguinte forma: “Já me desloquei ao local, já verifiquei que estão reunidas todas as condições de segurança e higiene necessárias e as salas de aula, neste momento, reúnem todas as condições”, disse.

Henrique Barreto/ Liliana Lopes

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