Alves juntou “1600” e não poupou críticas ao “secretário de estado da propaganda” e aos “profetas que gravitam o território”

Numa acção em que legislativas e autárquicas estiveram de braço dado, os sociais-democratas viram superada a prova de força em matéria de mobilização, ao juntarem – segundo a organização – 1600 apoiantes no pavilhão Serafim Marques em São Paio de Gramaços.

Efusivamente aplaudido pela “moldura humana” que encheu o olho aos candidatos, Mário Alves teve o seu ponto alto, no momento que destacou a obra feita em matéria de rede viária – “onde é que há estradas melhores do que as que nós temos no concelho de Oliveira do Hospital?”, questionou – e verificou a ausência de IC6 em terras concelhias.

“Continuam a faltar os tão anunciados e famigerados IC que deram origem ao melhor festival de folclore da região feito pelos membros no governo, sempre a circularem o concelho de Oliveira do Hospital”, denunciou Mário Alves, defendendo que “chega de secretários de Estado de propaganda, ainda por cima do nosso concelho”.

Com um discurso dividido entre autárquicas e legislativas, o candidato e actual presidente da Câmara apelou ao voto, dia 27 de Setembro, no PSD, porque “é preciso dizer não a gente que é capaz de enganar aqueles que residem no nosso concelho”.

Foi também no domínio empresarial que, Mário Alves endureceu o discurso, não se escusando a arremessar críticas aos que “andam por aí a fomentar emprego”. “Não se deixem iludir por profetas que gravitam no nosso território”, avisou o candidato social-democrata, sublinhando que a Câmara “não cria empresários”, por que isso depende “de uma vontade intrínseca do cidadão” para correr “o risco”.

“Não temos uma máquina de fazer robots a dizer criem empresas e trabalhem”, insistiu Mário Alves, referindo que, no domínio empresarial, a Câmara criou um concurso municipal de ideias de negócio, apostou no Oliveira Finicia e tem em marcha a incubadora de empresas.

Foi ainda no rescaldo da matéria empresarial que, Mário Alves aproveitou para referir que “se alguém tem problemas pessoais para resolver, que procure outro palco, que não o de andar a iludir e a enganar os oliveirenses”. “Acham que eu tenho cara para enganar algum de vocês?”, questionou, ao mesmo tempo, que esclareceu que “não é candidato contra ninguém”, mas sim “por melhores condições de vida para os oliveirenses”.

Foi neste domínio que Alves se posicionou em defesa da “política de verdade”, que deve ser feita “com esta frontalidade e lealdade”. “Não posso dizer que arranjo emprego ou casa às pessoas, se não posso arranjar”, frisou, verificando a importância do “cumprimento da lei”. “Por isso é que não vêem determinadas pessoas atrás da nossa candidatura”, insistiu o cabeça de lista à Câmara Municipal.

“Manter o que temos e, melhorar o que temos de menos bom”

 Pegou em áreas como a educação e o apoio às associações para enumerar o que foi feito de bom pela autarquia – transportes grátis, apostas nas novas tecnologias, prémios de mérito escolar – mas rapidamente chegou à Saúde e à Justiça para criticar as políticas postas em prática pelo governo PS.

“Estes senhores não sabem o que andam a fazer e não têm em conta as nossas necessidades”, frisou Mário Alves, referindo em concreto a ameaça de encerramento do SAP entre a meia noite e as oito da manhã, bem como a deslocalização de algumas valências do tribunal de Oliveira do Hospital para a Lousã. Na opinião de Mário Alves o que mais importa “é manter o que temos e, melhorar o que temos de menos bom”.

Ainda na saúde o candidato criticou a indisponibilidade do governo em alargar os acordos com a Fundação Aurélio Amaro Diniz no domínio dos exames complementares de diagnóstico.

O candidato não deixou de destacar o trabalho feito em matéria de recuperação dos monumentos romanos e megalíticos e fez uso do centro de Interpretação das Ruínas romanas da Bobadela, que tarda em abrir, para insistir na crítica ao governo.

Ao cabeça de lista à Assembleia Municipal coube valorizar a “riqueza cultural e humana” do concelho e destacar o trabalho feito pelo executivo em exercício no domínio do apoio social, educação e aposta cultural.

Quanto ao que continua a faltar em terras concelhias, José António Madeira Dias frisou que “a reclamação não passa apenas pela manifestação, mas sim pela apresentação de propostas, discussão e luta em sede própria”.

“Ninguém pense que é por estarmos aqui que as eleições estão ganhas”

Pese embora os constantes aplausos da multidão, Mário Alves fez uso da modéstia, para lembrar que pela frente há ainda muito trabalho para fazer. “Ninguém pense que é por estarmos aqui que as eleições estão ganhas”, considerou Mário Alves, apelando ao empenho de todos junto dos menos informados, quer em matéria de legislativas, quer de autárquicas.

“É preciso informar os menos informados de que este governo não serve”, referiu, acrescentando que “também devem dizer que a Câmara tem gente de bem, honesta e disponível”. “Estamos bem e devemos manter esta gente a trabalhar”, referiu Mário Alves, identificando-se como “um homem sério, de trabalho, honesto e ao serviço de todos os oliveirenses”.

Consciente de que alguns gostariam que o presidente fosse “mais simpático”, Mário Alves defendeu que “mais vale ouvir uma verdade uma vez, do que uma mentira 100 vezes”. “Vocês sabem que quando o Mário Alves diz sim, diz sim. Não precisa de assinaturas”, rematou.

Machado e Mota Pinto prestaram apoio

Participada por todos os que integram o projecto “Mais! Pelo Concelho”, a iniciativa de pré-campanha do PSD contou ainda com a presença do presidente da Comissão Política Distrital, Pedro Machado, e o cabeça de lista do PSD pelo círculo eleitoral de Coimbra, Paulo Mota Pinto.

Em defesa da “política da verdade” defendida por Manuel Ferreira Leite, Pedro Machado criticou o ataque político feito pelo governo PS ao distrito de Coimbra e, rejeitou o arremesso de que o programa do PSD não inclui o Serviço Nacional de Saúde.

 Também insatisfeito com o que foi feito pelo governo em matéria de acessos no interior, Machado não se poupou a enumerar as qualidades de Mário Alves. “Meu caro, temos uma confiança, esperança e convicção enorme de que não só vai revalidar a sua tarefa, mas de que juntou a si as melhores equipas”.

Para além de também enumerar críticas ao governo – “o PS é o responsável pelo desânimo colectivo que se apoderou de Portugal”, referiu – Paulo Mota Pinto destacou a “honestidade, o empenho e a obra feita de Mário Alves”. Perante a moldura humana que tinha à sua frente o cabeça de lista por Coimbra às eleições legislativas disse “que nada pode abalar a confiança na vitória”.

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