Alvôco de Várzeas não aceita extinção e ameaça “tocar os sinos a rebate”

 

É de firme oposição a postura dos alvocenses relativamente à intenção do governo de extinguir e aglomerar freguesias. Isto mesmo sobressaiu do debate público realizado no passado dia 11 e onde os alvocenses manifestaram a “indignação e repúdio”, perante a possibilidade de a freguesia (302 habitantes) estar destinada ao “sacrifício da extinção”.

“A povoação está contra e não aceitaria de bom grado a extinção”, afirmou o presidente da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas na última reunião da Assembleia Municipal, garantindo ter obtido da população “um voto de força para medidas mais drásticas”, tendo em conta as “consequências gravíssimas e imprevisíveis” – perda de identidade, de soberania política, de administração territorial e patrimonial – que tal medida acarretaria para a localidade.

Em desacordo com a extinção, Agostinho Marques lembra toda a história que está associada à freguesia e que corre o risco de se perder. Contra um documento que “foi feito a régua e esquadro e que apanhou Alvôco de Várzeas”, o autarca sublinha não ser apenas contra a extinção da sua freguesia, mas de todas de um modo geral, bem como da consequente aglomeração.

“Que nome dariam a uma freguesia com várias aglomeradas? Vale de Alvôco?” chegou a questionar o presidente da Junta, confiante de que a população “vai conseguir fazer prevalecer esta vontade”.

Manifestar o descontentamento junto do Município e da Assembleia da República é uma das medidas que a população conta levar por diante caso o governo insista em pôr em prática a “cega reforma da Administração Local”.

Contudo, a indignação do povo poderá ganhar contornos ainda mais expressivos, com recurso ao meio de que o povo de Alvôco se servia, em tempos idos, nas horas de aflição –  tocar os sinos a rebate –  como forma de chamar o povo à rua para protestar contra a extinção da centenária freguesia.

Nesta luta, o povo conta com o total apoio dos presidentes da Junta de Freguesia, Agostinho Marques, e da Assembleia de Freguesia, José Andrade, que em reunião extraordinária viram aprovada por unanimidade uma proposta e moção de repúdio aos métodos de avaliação das freguesias a extinguir ou a aglomerar, “desrespeitando e sacrificando as pessoas, principalmente as mais vulneráveis e de fracos recursos”.

Quem também garante não quebrar no que respeita a esta matéria é o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, na última Assembleia Municipal, disse estar “amarrado a um compromisso de não extinção”.

“Esta extinção não traz valorização ao território de Oliveira do Hospital”, afirmou José Carlos Alexandrino, apelando a todos os presidentes de junta, para que em cada assembleia de freguesia seja tomada uma posição sobre o assunto com o objetivo de formar um dossiê passível de discussão com o secretário de Estado do Poder Local, Paulo Júlio.

Alexandrino disse já ter em sua posse a posição da Assembleia de Freguesia da Bobadela (748 habitantes), com a qual concorda “porque vai buscar a sua história”. “A freguesia perdeu 1,7 por cento da população, mas tem cultura, história e importância estratégica para o concelho de Oliveira do Hospital”, afirmou.

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