Alvôco queixa-se da falta de sinal TDT e Câmara acusa PT de “deixar o interior de parte”

O executivo municipal de Oliveira do Hospital revelou-se  solidário com o presidente da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas que foi à reunião pública daquele órgão autárquico partilhar as preocupações que afligem os alvocenses e ao mesmo tempo pedir auxílio numa batalha com a PT, que parece não ter solução à vista.

Em causa está a inexistência de sinal de Televisão Digital Terrestre (TDT) naquela freguesia do Vale do Alva que, até ao momento, tem tido o serviço de televisão assegurado com o retransmissor localizado na freguesia e cujos custos também foram suportados pela autarquia local.

Um serviço que a partir de 2012, vai ser desligado por via da entrada em vigor da TDT e que no caso da população de Alvôco de Várzeas tem um custo associado que é, em muito, superior ao que terá que ser suportado pelas populações residentes em zonas onde o sinal é excelente.

É que, segundo contou o presidente da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas, aos alvocenses não basta a aquisição do descodificador.

Por se tratar de uma zona sombra – onde não há receção de sinal – a população vê-se obrigada a adquirir o designado kit TDT que é composto por um satélite (antena parabólica) e descodificador que para uma única televisão ultrapassa os 100 Euros, encarecendo para mais de 200 Euros se na habitação houver duas televisões.

Uma situação que está a gerar descontentamento entre a população e que tem no presidente da junta de freguesia um dos principais opositores. É que, de acordo com Agostinho Marques, o problema poderia ser resolvido pela PT, caso a empresa de telecomunicações estivesse disposta a substituir os aparelhos do retransmissor, situado na freguesia, por um novo equipamento emissor de sinal de TDT. Desta forma – explicou – aos alvocenses também só seria necessário adquirir o descodificador.

Contudo, o que para o autarca parece ser uma solução simples, não colheu ainda aval junto da PT. Em correspondência trocada com a provedoria do cliente da PT, foi dada a resposta de que “não está prevista a instalação de novos emissores”.

“O serviço deve ser assegurado pela solução TDT e complementado por via satélite”, adianta a provedoria do cliente, dando como certa uma comparticipação às pessoas que procedam à aquisição do KIT, desde que apresentem um conjunto de documentos que faça prova, entre outros aspetos, do respetivo local de residência.

“As pessoas que residam em Alvôco, mas que tenham outra casa em Lisboa ou Oliveira do Hospital não têm direito a pedir comparticipação”, observou Agostinho Marques, notando que as pessoas só vão ter noção da gravidade da situação quando o retransmissor for desligado.

Na hora de pedir auxílio à Câmara Municipal, Agostinho Marques não descartou também a possibilidade de a junta avançar com uma providência cautelar.

“A Câmara não pode compactuar com uma situação que discrimina os oliveirenses”

Posicionando-se de imediato do lado dos alvocenses, o presidente da Câmara Municipal disse ter conhecimento de que se trata de um “problema transversal em algumas partes do país”, pelo que acredita que “vai ser encontrada uma solução porque é uma injustiça”.

José Carlos Alexandrino, que criticou a existência de “empresas paralelas a vender o mesmo produto”, tranquilizou ainda Agostinho Marques assegurando que o município “não pode compactuar com uma situação que discrimina os oliveirenses”.

O autarca acredita que no próprio concelho existam outras freguesias sem cobertura TDT, pelo que sugeriu que seja solicitada à PT uma listagem sobre a cobertura TDT em todo o concelho. José Carlos Alexandrino não aceita que uns tenham que pagar mais do que outros e, encara a postura da PT como uma forma de “deixar o interior de parte”. “O que podemos fazer é alertar os políticos do governo”, frisou.

Perante um caso que obriga a que sejam feitas todas as diligências possíveis, o vereador do PSD referiu que a Câmara deve estar solidária com a população. E, em caso de falta de resolução do problema por parte da empresa de telecomunicações, Mário Alves sugeriu à Câmara a realização de um estudo com o objetivo de a própria autarquia adquirir e instalar uma única antena que venha a servir toda a freguesia. “Era uma forma de eliminar todas aquelas antenas”, observou o antigo presidente da autarquia, defendendo porém que antes disso, também os deputados na Assembleia da República eleitos pelo círculo de eleitoral levem o caso àquele órgão para “forçar o governo a rever esta situação”.

Para o independente Paulo Rocha o que se está a verificar em Alvôco de Várzeas é “uma injustiça”. “Estamos a falar do acesso a quatro canais de sinal aberto, sendo que dois são públicos e a população vai ter que pagar”, referiu.

Concordando com a proposta de Alves (compra de uma antena), ainda que só aplicável em último recurso, o eleito pelo movimento “Oliveira do Hospital Sempre”, José Carlos Mendes, defendeu antes que sejam esgotados todos os esforços junto da PT para que resolva a situação. Uma posição partilhada pela colega Telma Martinho que também comungou da apreciação feita pelo independente Paulo Rocha.

“A PT tem que ser obrigada a ter responsabilidade social”, referiu por sua vez o vice-presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo que criticou a política seguida pela PT ao transformar um serviço público em “negócio”.

Na mesma linha de pensamento, a vereadora Graça Silva disse estar em face de uma “injustiça social”, pelo que apelou à mobilização de todas as freguesias em torno desta questão.

A certeza dada pelo presidente da Câmara é de que o executivo está acompanhar o processo. “Vamos ver quanto custam os aparelhos para não deixarmos as populações desamparadas”, afirmou, verificando que há ainda outros mecanismos que não foram ativados, como é o caso dos deputados por Coimbra, tal como sugeriu Mário Alves.

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