Andorinha perde parque naturista até ao final do ano

Sem capacidade económica para fazer face às exigências burocráticas impostas por uma lei que considera “desajustada”, o holandês Siets Bijker não vê outra solução para o parque naturista que mantém aberto há já sete anos, que não seja o de fechar as portas.

Os sucessivos entraves em matéria de licenciamento do espaço, com cerca de 3,5 hectares, localizado na localidade de Andorinha, na freguesia de Travanca de Lagos estavam a conduzir o casal proprietário da Quinta das Oliveiras para um investimento que parecia nunca mais ter fim.

“A solução mais barata é fechar”, contou Siets Bijker ao correiodabeiraserra.com, confidenciando que o parque naturista está a atravessar um “mau momento”, já que este ano “as despesas foram muito superiores às receitas”.

Completamente desligado da Holanda – “vendi tudo o que tinha lá para pôr este projecto em marcha”, confidenciou a este diário digital – o naturista pretende continuar a habitar o espaço pelo qual se apaixonou há cerca de oito anos atrás. Cai, no entanto, por terra o negócio que explorava no período de Verão, maioritariamente à conta dos turistas belgas e holandeses que procuravam a Quinta das Oliveiras.

Embora consciente da sua incapacidade para cumprir as exigências legais, Siets Bijker não deixa de se revelar crítico em relação ao facto de ao parque naturista serem exigidos balneários para cada um dos sexos, quando na realidade os turistas andam todos sem roupa no interior da quinta. A obrigatoriedade de cumprir com tantos outros requisitos legais começava a conduzir o casal para um investimento que não sabe avaliar e do qual acredita nunca viria a obter retorno.

Com a certeza de encerramento bem presente, Siets Bijker entende que nada, nem ninguém poderá inverter o negro cenário que assombra a Quinta das Oliveiras, porque a única solução é cumprir a lei. A falta de dinheiro, muito agravada pela quebra de turistas que têm acorrido ao parque – “este ano tivemos uma quebra de 50 por cento em relação ao ano passado”, contou ao correiodabeiraserra.com – também pesou na decisão do casal holandês que, até agora, ainda não obteve qualquer sinal de ajuda.

A este diário digital Siets Bijker confessou nunca ter tentado qualquer contacto directo com os responsáveis pela Câmara Municipal, por entender que não é o presidente que o vai ajudar a cumprir a lei. “Acho que não é essa a solução”, disse.

Entretanto, contactada por este diário, a vereadora do Turismo da autarquia oliveirense, Elsa Correia, não se mostrou disponível para falar sobre este assunto, revelando apenas que está em causa um “problema de licenciamento”.

Contudo, em declarações prestadas anteriormente à Agência Lusa, o presidente da Câmara Municipal referiu que o executivo que lidera “sempre apoiou e ajudou os proprietários a resolver os problemas de licenciamento”, mas, adiantou que “não é possível atropelar a legislação existente”.

Em Andorinha, o anúncio do encerramento do parque naturista – ontem o espaço contava com apenas oito turistas – é tema de conversa entre os populares que lamentam a situação.

Maria Helena Inácio, proprietário do café Santa Marinha chega até a temer o pior para o negócio que abriu há quatro anos, motivada pelo número de turistas que o parque naturista atraía à localidade. “Se calhar é ele a fechar e eu também”, considerou.

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