Antes de melhorar, vai piorar… Autor: Rui Campos

Quando se faz fotografia, avalia-se o tipo de trabalho que se vai fazer em casa. Avalia-se o tempo e as condições de luz e com isso o equipamento que levamos para o exterior. A luz é o Barro, e depois o fotógrafo, com a sua mente, o seu coração e o equipamento faz com a luz disponível a porcelana.

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Como disse Cartier-Bresson, o fotógrafo está em avaliação constante: das cenas que lhe surgem em frente, dos elementos que as rodeiam e de como estes se podem associar aos elementos principais a fim de criar nelas harmonia e interesse.

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Depois, o fotógrafo toma a decisão acerca da exposição. E com a mesma Luz disponível uma fotografia pode ser feita de muitíssimas formas disponíveis. Variando a velocidade de obturação, variando a abertura, variando o ISO e usando ou não o flash. O fotógrafo precisa de entender as consequências de cada uma destas variações.

Vou dizer isto em termos técnicos, porque cada pessoa que compra uma câmera fotográfica e quer fazer fotografia deve saber isto. É basilar, é o fundamento da fotografia. Uma câmera que faça 4 mil avos de segundo de velocidade máxima, sem contar com terços de stop e com o Bulb faz 18 Stop. Se o conjunto tiver uma objetiva que tenha uma gama de aberturas entre 4 e 32 fará 7 Stop na gama de aberturas. E sem falar também nos terços de Stop possíveis nas aberturas. Também não estou a falar no ISO.

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Agora vejam: Com cada uma das 18 velocidades possíveis podemos usar todas as aberturas disponíveis e cada uma destas escolhas tem consequências na fotografia final. Isto para dizer que uma fotografia pode ser feita de uma infinidade de formas diferentes e, pese embora a quantidade de luz que atinge o sensor seja a mesma, a fotografia final pode ser completamente diferente porque cada uma destas escolhas traz consequências ao nível da física e da ótica.

Depois, vamos a alguns dos elementos da composição: Linhas, Curvas, Contrastes, Altas Luzes, Baixas Luzes, Regra dos Terços, Planos, Ponto de Vista, etc… Todas estas variantes se podem adaptar a uma determinada fotografia. Poderá acontecer que uma cena recorra a um único elemento dos referidos, ou até a todos eles. E o Fotógrafo precisa de saber qual ou quais deles se adaptam a cada situação.

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Depois temos o enquadramento: Simples. Pode ser vertical ou horizontal. E cada um deles pode funcionar bem ou mal, consoante as escolhas do fotógrafo.

Um fotógrafo tem de estar em avaliação constante. Um fotógrafo iniciante tem de interiorizar estes conceitos, estas consequências, e todos estes (e mais alguns) elementos. Só por via da prática o consegue. Deixem-me pôr ênfase neste ponto. Só se consegue com anos de prática constante e dedicada.

É por isso que eu digo sempre aos formandos que se estão a iniciar que não há caminhos fáceis na aprendizagem da fotografia, não há atalhos. Não há milagres. Porque na hora de fazer a fotografia, na hora de tomar todas estas decisões ninguém está lá por nós, e nenhum milagreiro nos vai poder ajudar.

Antes de melhorar, vai piorar. É lógico, é normal, é desejável.

Na próxima semana vamos falar de Cursos e Workshops de fotografia.

Rui CamposAutor: Rui Campos

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  • Guerra Junqueiro

    Parabéns, mais uma pérola.
    Com tanto que se tem que aprender para se ser fotografo, como é que o outro fez inglês técnico ao domingo e por fax?
    Será que em Paris, aprendeu “francês técnico”?

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro