Antiga IRAL entrou em processo de insolvência

Reduzida a duas dezenas de trabalhadores, a empresa de metalomecânica Imporfabril, antiga IRAL, corre sérios riscos de encerrar. A unidade industrial localizada junto à rotunda Armindo Lousada, em Oliveira do Hospital, não tem conseguido fazer face à crise e consequente redução das encomendas, tendo por isso nos últimos meses acumulado salários em atraso junto dos funcionários.

Uma situação que, no final do último verão, motivou a rescisão do contrato por parte de 19 trabalhadores, que naquela data somavam quatro salários em atraso e o subsídio de férias.

Uma realidade que se tem revelado ainda mais dura para os 20 trabalhadores que se mantêm nos postos de trabalho e aos quais a administração já deve perto de sete salários e subsídios de férias e natal.

Foi, porém, o grupo de 19 trabalhadores que em setembro deixou a empresa que avançou com o pedido de insolvência da Imporfabril. Isto mesmo foi confirmado há momentos pelo gestor da unidade industrial, Alcides Madeira, que se escusou porém a avançar com mais informações sobre o processo, por o mesmo estar a ser conduzido pela administradora de insolvência.

No entanto, de acordo com o que o correiodabeiraserra.com apurou, tudo aponta para que a empresa encerre a laboração no final do ano, uma vez que os trabalhadores já terão manifestado a sua intenção de não retomar o trabalho em 2012, por motivos da entrada em vigor da nova legislação laboral.

A situação de salários em atraso na Imporfabril não é recente e já se arrasta há mais de um ano. Contudo, a situação agudizou-se nos últimos meses com a administração a não conseguir a amortizar a dívida junto dos funcionários.

O caso chegou, no último sábado, a fazer eco na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital, com o presidente da Junta de Freguesia de Vila Franca da Beira a dar conta da sua solidariedade para com os trabalhadores, que “são os últimos culpados e nunca desistiram de trabalhar”. “Isto acaba muito mal e as pessoas é que pagam”, referiu João Dinis ao mesmo tempo que lamentou o encerramento de uma empresa “emblemática no concelho”.

“Custa-me particularmente”, referiu também o presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira que, durante anos foi funcionário daquela unidade industrial. Raúl Costa alertou, porém, para o facto de existirem outras empresas a atravessar um momento semelhante. “Como esta há muitas”, observou.

O presidente da Câmara Municipal garantiu estar a par do caso da IRAL. “Tive reuniões, mas acho que o empresário gostava dos trabalhadores e não tinha de coragem de falar com alguns deles para sair”, contou José Carlos Alexandrino, percebendo, contudo, que os problemas da empresa, que “já teve mais de 100 funcionários”, “vêm de trás”.

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