Antigo director do Centro Paroquial de Lagares da Beira começou hoje a ser julgado

O antigo director do Centro Social e Paroquial de Lagares da Beira começou hoje a ser julgado no tribunal de Oliveira do Hospital. Jorge Ramos, que em 2005 integrava o corpo directivo daquela instituição, é acusado de ter desviado cerca de 13 mil euros do Centro Paroquial e de ter falsificado um cheque para o alegado pagamento de apólice de seguro.

Presidida por um colectivo de juízes, a sessão realizada esta manhã ficou marcada pelas declarações do arguido que rejeitou as acusações que lhe são imputadas, alegando que em causa está “um erro contabilístico”.

Referindo ter havido uma mudança do escritório onde guardava a documentação afecta à instituição, o dirigente responsável por efectuar os depósitos bancários do Centro Paroquial garante que o dinheiro em falta “foi usado para efectuar pagamentos de despesas” e que “os comprovativos deviam estar no Centro Paroquial”.

“Havia despesas que tinham que ser pagas em numerário”, adiantou Jorge Ramos, englobando neste ponto o pagamento a prestadores de serviços – “mulheres a dia, trabalhadores das obras e médicos”, frisou – que se recusavam a emitir recibos e por isso “não queriam receber em cheque”.

Pese embora a falta de recibos, o antigo dirigente garante que efectuava o registo da saída do dinheiro na folha de “caixa” e que era assinado um documento comprovativo do pagamento de despesas.

“Eu não entendo porque é que os comprovativos desses documentos não aparecem no Centro Paroquial”, referiu o arguido, sublinhando que nunca mais se aproximou da instituição por indicação da polícia.

Alegou, por isso, que tudo não passa de “um erro contabilístico” e fez questão de sublinhar que, enquanto mediador de seguros daquela instituição, chegou a adiantar dinheiro do seu próprio bolso “para que os seguros não fossem anulados por falta de pagamento”.

Sobre o crime de falsificação agravada de que é acusado, Jorge Ramos garante que o valor que consta do cheque sempre foi o mesmo e que não houve “nenhuma hesitação” na hora da sua emissão. Refira-se que está em causa um cheque de 1975 Euros e que, segundo a acusação – por falta de documentos comprovativos do seu montante total – seria inicialmente de apenas 975 Euros.

TOC confirmou “diferenças na contabilidade”

Responsável pela contabilidade da instituição desde Janeiro de 2005, Carlos Amaral confirmou esta manhã a existência de “diferenças” entre as receitas auferidas e os montantes depositados.

Arrolado testemunha, o Técnico Oficial de Contas (TOC) referiu-se ainda ao espaço temporal existente entre a data das receitas e dos depósitos, sublinhando que por vezes o espaçamento chegava a ser de um ou dois meses. Carlos Amaral atestou ainda da inexistência de alguns talões de depósito.

Sobre o cheque de 1975 Euros, o TOC garantiu que a documentação comprovativa apenas se reporta aos 975 Euros, razão pela qual desconhece, o uso que foi dado aos remanescentes 1000 Euros.

Presidente da direcção da instituição à data a que remontam os factos, o padre Luís Costa confirmou hoje a versão do TOC, tendo por base a documentação interna da funcionária administrativa da instituição.

“Vimos que havia um volume maior do que aquele que estava depositado”, referiu o sacerdote que naquela altura era pároco da freguesia. Luís Costa rejeitou contudo, a versão defendida por Jorge Ramos de que eram feitos pagamentos na instituição a pessoas que não emitiam recibos. O sacerdote garantiu que tal “nunca aconteceu” e que habitualmente os pagamentos “são sempre feitos em cheque”.

“No meu tempo, não tenho conhecimento, nem dei autorização para pagamentos em numerário a pessoas que prestassem serviços à nossa casa”, garantiu. Sobre o cheque alegadamente falsificado, Luís Costa disse que a sua estranheza resultou do facto de na contabilidade não existir justificação do montante total.

Arrolado como testemunha, o antigo presidente da direcção lamentou o “silêncio” a que Jorge Ramos se reservou. “Era um silêncio que nos incomodava, porque estava a pôr em causa muita coisa”, adiantou, verificando que o ex dirigente “nunca” deu uma resposta. “A nossa esperança era que o dinheiro estivesse nalguma conta… mas não foi encontrado e o Centro não foi ressarcido”, lamentou.

Também ouvida esta manhã, Maria do Céu Calado garantiu ter entregue os montantes a Jorge Ramos para depósito, remetendo sempre para os documentos internos que a própria produzia como comprovativo.

“Se ele usava o dinheiro para pagamentos eu não sabia”, afirmou a funcionária administrativa, garantindo que para os pequenos pagamentos – “CTT e artigos de papelaria, entre outros”, referiu – dispunha de um fundo de caixa de 300 Euros mensais para usar, mas “sempre com comprovativos”.

À data vice-presidente da instituição, Orlando Albino Gonçalves partilhou da versão do padre Luís Costa, referindo que os pagamentos efectuados “são sempre” em cheque e com comprovativo.

Com continuação prevista para esta tarde, a primeira sessão do julgamento acabou por ser interrompida. O colectivo de juízes marcou nova sessão para as 10h00 de 19 de Novembro.

No processo em que Jorge Ramos é acusado pelo Ministério Público e o Centro Paroquial é requerente do pedido de indemnização civil, estão arroladas sete testemunhas de acusação, entre as quais o presidente da Junta de Freguesia de Lagares da Beira.

LEIA TAMBÉM

Dominado fogo que hoje se reacendeu em Tábua

O incêndio florestal que deflagrou na terça-feira no concelho de Tábua, que esteve em fase …

Incêndios destruíram mais 500 hectares em Seia

Incêndio de Tábua reacendeu-se e mobiliza centenas de bombeiros

O incêndio que ontem deflagrou em Tábua, está novamente activo. O reacendimento aconteceu ao início da tarde …