António Lopes justifica ausência com “erro político grave do PS”

A retirada de “40 por cento” dos poderes da Assembleia do regimento, aprovado em fevereiro, motivou a ausência de António Lopes da comemoração dos 40 anos do 25 de abril. Para o presidente da Assembleia está em causa um “erro político grave do PS”.

Motivo de grande polémica, a provação do novo regimento da Assembleia Municipal foi a “gota” que fez transbordar o copo do mal estar político que vinha sendo evidente entre o presidente da Assembleia Municipal e a força partidária por que foi eleito, o PS. Prova disso foi a ausência inesperada, ou não, de António Lopes na sessão comemorativa dos 40 anos do 25 de abril que teve lugar no Salão Nobre da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital e que, desde 2010, vinha sendo dirigida por si.

“Recuso-me a estar em manifestação evocativa da liberdade quando, há menos de dois meses, foram retirados 40 por cento dos poderes da Assembleia Municipal”, afirmou há instantes ao correiodabeiraserra.com o presidente reeleito em setembro passado, com maioria absoluta, daquele órgão autárquico, que se recusa a aceitar o regimento tal como foi aprovado em fevereiro. Razão pela qual, faz constar versão renovada na ordem de trabalhos da reunião da Assembleia que se realiza amanhã, sem garantia porém de que o partido com maior representação naquele órgão, o PS, o vote favoravelmente.

Recorde-se que, logo após a aprovação do regimento, António Lopes tornou pública a sua intenção de o alterar e de repor competências da Assembleia, como sendo o direito de votar moções de censura à Câmara Municipal, elaborar e votar o Plano Municipal de Segurança e o relatório do Estatuto da Oposição. “Houve uma reunião, onde tentei que houvesse um compromisso para alteração do regimento que, tal como está, é a negação dos valores de abril. Não tendo tido resposta em tempo útil, recusei-me a fazer a comemoração do 25 de abril”, contou o presidente da Assembleia a este diário digital, assegurando ter informado o vice-presidente da Câmara Municipal, José Francisco Rolo, dessa decisão e ter tentado contactar o presidente da Câmara que, na ocasião não atendeu a chamada, nem a devolveu mais tarde.

“Tirando a política pepsodent, pouca coisa mudou em termos de afirmação da democracia em Oliveira do Hospital”

António Lopes disse não se ter precipitado na decisão de não comparecer nas comemorações, tendo aguardado até ao decorrer desta semana por uma resposta do partido socialista, que não veio a acontecer. “Tinha esperança de que o partido aproveitasse para corrigir o erro político grave”, confidenciou a este diário digital o presidente da Assembleia Municipal, que assegura até ter preparado o discurso que iria proferir nas cerimónias e que, entre outras matérias, apontava a sua preocupação para as “limitações” impostas às autarquias, sobretudo por via da lei dos compromissos. “No meu discurso também alertava para o facto de não devermos ser nós a tomar atitudes como esta do regimento e abrir precedentes que se virariam contra nós próprios. Bem bastam as tentativas do poder central”, acrescentou António Lopes que, num olhar pelo estado do concelho entende que “não se perspetiva nada de positivo em termos de democracia”. Inclusive, António Lopes identifica “tiques autoritários” e chega à conclusão que, “tirando a política pepsodent, pouca coisa mudou em termos de afirmação da democracia em Oliveira do Hospital”.

Pese embora a ausência desta manhã nas comemorações do 25 de abril, António Lopes garante presidir à Assembleia Municipal agendada para as 09h00 de amanhã e que espera que vai decorrer “normalmente”. “Vou defender os valores que entendo que devo defender, dirigindo os trabalhos da mesma forma”.

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