António Lopes: “Maldito sejas se acabares o mandato e não fizeres a Escola”

“Esta passagem pela Câmara Municipal não me faz mais feliz do que quando eu era presidente do conselho do executivo ou professor desta escola”, afirmou o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, dia 18, numa cerimónia na Escola Básica Integrada da Cordinha, realizada no âmbito da Expoescolas 2010.

José Carlos Alexandrino observou que “a escola continua a trabalhar bem”, congratulou-se com a homenagem ali prestada a algumas personalidades e instituições ligadas àquele território educativo, e prometeu regressar um dia.

“Sou e serei sempre um homem desta casa e não tenho dúvidas nenhumas que será aqui que darei as minhas aulas e me despedirei dos meus alunos. Nasci para ser professor e já tenho saudades dos meus meninos”, disse o autarca.

Num discurso político, José Carlos Alexandrino referiu ainda que a sua ligação à Cordinha tem sido motivo para algumas insinuações relacionadas com a sua função de presidente da Câmara. “Ainda não fiz nada na Cordinha, mas já me acusam de que é tudo para a Cordinha”.

Salientando que não se deixa “condicionar” e tem “a obrigação de corrigir algumas assimetrias que foram feitas no passado” em termos do território do concelho, o autarca independente do PS garantiu que não discriminará negativamente ninguém, mas também afiançou que estará atento “às freguesias com menor investimento” no passado.

“Houve poder político a tentar assassinar o homem que estava à frente da escola”

Sobre um episódio ocorrido no passado recente da EBI da Cordinha, e à data em que ainda era presidente do conselho executivo, Alexandrino elevou o tom de voz para se insurgir contra aquilo que considerou ter sido “uma perseguição feroz” à sua pessoa. “Houve poder político a tentar assassinar o homem que estava à frente da escola”, referiu o antigo responsável daquele agrupamento de escolas, reportando-se a uma carta anónima que, em 2003, despoletou uma intervenção da Inspecção Geral da Educação.

O caso acabou por ser arquivado, mas Alexandrino, que agradeceu a solidariedade da comunidade educativa naquele processo, voltou a sublinhar que o que esteve em causa foi “uma tentativa de assassinato” perpetrada pelo “poder político”.

Também presente nesta iniciativa, o presidente da Assembleia Municipal (AM) de Oliveira do Hospital elogiou a “coragem” de Alexandrino em se ter comprometido, recentemente, com a construção das instalações da ESTGOH durante o presente mandato. Adaptando um velhinho episódio da História de Portugal ao momento actual, António Lopes – com um discurso irónico –, fez questão de deixar uma espécie de veredicto: “Maldito sejas se acabares o mandato e não fizeres a Escola”, disse.

“Se ele for a voz do dono, às tantas entramos em litígio”

Com alguns elogios ao seu “compagnon-de-route” nas lides autárquicas, Lopes também enalteceu a postura do chefe do executivo pelo facto de há dias ter vindo a público formular algumas críticas ao poder central sobre o dossiê relacionado com a unidade de confecções HBC, e foi algo sarcástico: “Se ele for a voz do dono, às tantas entramos em litígio”, ironizou o presidente da AM.

Fazendo votos para que José Carlos Alexandrino seja o presidente da Câmara “nos próximos 12 anos”, Lopes causou entretanto alguma surpresa na plateia ao fazer uma espécie de pré-anúncio de retirada da cena política local. “Já não vou ser candidato a mais coisa nenhuma. A não ser do lado de lá (Covilhã), referiu, sem deixar de frisar também que se havia já demitido naquele preciso dia do cargo de presidente da assembleia do Sporting Clube da Covilhã.

Diminuição do número de alunos preocupa presidente do Agrupamento de Escolas da Cordinha

Na qualidade de anfitrião, o presidente do Agrupamento de Escolas da Cordinha centrou o seu discurso na redução progressiva do número de alunos naquele território educativo – “se fecham as escolas, as nossas aldeias ficam sem vida”, sublinhou – , e deixou uma advertência ao presidente da Câmara. “Temos que dar uma prioridade absoluta a estas situações, porque a escola enriquece e dinamiza toda esta região”, disse Carlos Carvalheira, sem deixar de se manifestar preocupado com a falta de “perspectivas para que os jovens se possam fixar”.

Neste ano, os homenageados pela EBI da Cordinha foram Luísa Ramos, os ex-presidentes das juntas de freguesia de Seixo da Beira e Ervedal da Beira – Inácio Campos e António Jorge, respectivamente –, e duas instituições: o Projecto AGIR e a Filarmónica Ervedalense.

“É importante que as escolas se saibam relacionar com todos os parceiros que estão envolvidos neste território educativo, independentemente das cores políticas”, referiu o responsável daquele agrupamento a propósito das figuras e instituições agraciadas.

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