António Lopes

António Lopes vai apresentar moção de censura contra executivo de José Carlos Alexandrino na próxima AM

O eleito à Assembleia Municipal (AM) de Oliveira de Hospital António Lopes já enviou um pedido para que seja agendada a discussão de uma moção de censura ao executivo liderado por José Carlos Alexandrino na próxima reunião daquele órgão. António Lopes justifica esta tomada de posição por entender que a presente linha política seguida pela actual liderança da autarquia está a desvirtuar o compromisso eleitoral assumido com os oliveirenses que resultou, em 2013, numa vitória por maioria absoluta do Partido Socialista. No documento enviado a Rodrigues Gonçalves, actual presidente da AM em exercício, Lopes explica que existe por parte deste executivo um “sentimento de ajuste de contas social e político” e que o lema “tudo pelas pessoas”, que foi o pilar basilar desta candidatura, passou ao “tudo pelas nossas pessoas”. O autor da moção considera que ao longo do actual mandato a gestão municipal deixou de ter um exercício “democraticamente aceitável” e está a prejudicar o concelho e os munícipes.

“A moção de censura tem que ser apresentada essencialmente para marcar uma posição de repudio pelos ataques à democracia que se vêm fazendo especialmente desde o dia 26 de Abril de 2014, cujo expoente máximo são o desrespeito pelos pareceres da CADA e a recusa de entrega da documentação que me permita exercer cabalmente a minha actividade de acompanhamento e fiscalização”, justificou ao CBS António Lopes, adiantando que as recentes recusas de visita e de entrega de documentos relativos à BLC3 constituem o “expoente máximo da actual falta de transparência” na gestão autárquica. “Depois é uma censura a toda a gestão que cada dia mais prima pelo eleitoralismo mais básico e tosco. É uma censura ao primado das festas em prejuízo do social e do desenvolvimento, como se explana na moção”, frisa o homem que foi eleito para liderar a Assembleia Municipal, mas que acabou por ser afastado do cargo pouco depois.

Apesar de reconhecer que o mais provável é que seja o único a votar favoravelmente esta moção e, como tal, oferecer uma vitória política ao actual executivo, António Lopes sublinha que o mais importante é ficar bem com a sua consciência. Diz pretender com esta atitude clarificar igualmente a posição dos restantes eleitos. “Também aí pretendemos confrontar a restante Assembleia com a sua posição de fundo e saber-se, se está a fim de cumprir as funções para que foi eleita ou, se como tem sido, funciona apenas como uma caixa-de-ressonância da vereação. Aproximam-se as eleições, os Oliveirenses precisam saber quem é quem, e quem defende o quê”, explica este eleito para quem a política deste executivo levou a uma “regressão na saúde com a supressão de postos médicos e pontos de assistência, assim como na Justiça com a limitação do tribunal e aumentou o desemprego e a emigração”.

.Na fundamentação da moção de censura, António Lopes cita, entre outros aspectos, o alegado reduzido apoio do município às famílias com menos recursos, a transformação do abastecimento de água, tratamento de esgotos e resíduos sólidos numa fonte de rendimentos e do esquecimento a que tem sido votado o incentivo ao ensino superior. Critica igualmente aquilo que classifica como um aumento do investimento “nas festas e eventos que, essencialmente, promovem a imagem pessoal do presidente da Câmara”. António Lopes mostra-se igualmente preocupado com o facto das taxas municipais se encontrarem em níveis demasiado elevados.

“Com efeito, contrariando a prática generaliza dos Municípios envolventes, pese a boa situação financeira herdada, genericamente melhor que a dos citados concelhos, Oliveira do Hospital manteve e mantém, a taxa de IRS nos cinco por cento. Oliveira do Hospital foi dos Municípios que menos reduziu o IMI a famílias numerosas. Com esta política acentua-se, gradualmente, o envelhecimento da população e diminuem todos os indicadores de fixação de pessoas”, escreve no documento que pretende levar a discussão. “O apoio às famílias de menores recursos mantém-se a níveis abaixo do normal e do necessário, tendo em conta as dificuldades que hoje se vivem… No estímulo ao ensino superior foi aprovado o valor de cinquenta mil euros para o conjunto do incentivo aos estudantes de famílias carenciadas, verba manifestamente insuficiente e castradora das possibilidades de estudo a muitos jovens, cujas limitações familiares e a falta de apoio financeiro, os levam ao abandono escolar”, nota, salientando que os quarenta mil euros destinados a promover a natalidade, em conjunto com as restantes políticas, “só podem acelerar o envelhecimento da população e o decréscimo populacional”.

Na cultura, entende António Lopes, a autarquia descurou as Fundações e Museus “votando ao abandono valiosíssimos patrimónios”. “Veja-se o vergonhoso escândalo da Fundação Cabral Metello, repare-se no reduzido apoio ao Museu da Bobadela, sem esquecer o Lar Sarah Beirão, em Travanca. Predomina a política de subsídios, com critérios pouco compreensíveis e de justiça criticável, sendo pública e notória a descriminação de alguns grupos culturais”, salienta, lembrando noutro ponto que a BLC3, Plataforma de Desenvolvimento da Região Interior Centro, também pode não estar a desempenhar as funções para as quais foi criada. “Concebida e projectada como alavanca essencial do desenvolvimento do estudo e conhecimento e um apoio essencial ao empreendedorismo e lançamento das indústrias de desenvolvimento do potencial endógeno, a avaliar-se pelo que se vai sabendo, tem vindo a ‘encubar’ muita coisa mas, também o favorecimento político, a falta de transparência e um conjunto de actividades mais dúbias que claras, criando um clima de suspeição nada favorável aos princípios anunciados”, argumenta.

António Lopes acredita que a maioria absoluta conseguida em 2013 conduziu a este estado de coisas, depois de um primeiro mandato em que houve um funcionamento “aceitável” das instituições. “Com efeito, o surgimento de uma maioria absoluta despoletou um sentimento de ajuste de contas social e político, onde um conjunto de ambições, contidas e recalcadas por as sucessivas derrotas no passado, explodiu e agudizou a sociedade oliveirense. Dizia-se na altura: agora é a vez dos nossos. E foi, e é. Contra tudo e contra todos os que se têm oposto a esta política e a este modo de estar e de governar, a maioria responde com retaliações que as ferramentas governativas põem ao seu dispor”, escreve no documento em que explica as razões que o levam a apresentar a moção de censura. “Do ‘TUDO PELAS PESSOAS’, no pressuposto do ‘todo Concelhio’, passou-se ao ‘tudo pelas nossas pessoas’. Numa lógica de resolução prioritária, dos problemas pessoais dos mais directos dirigentes e apoiantes do partido maioritário”, sustenta no documento que enviou a Rodrigues Gonçalves e no qual solicita que a moção seja agendada para a próxima sessão da Assembleia Municipal.

Texto da Moção de Censura na integra

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  • Vermelhão

    Decisão inteligente. Agora vamos ver quem é quem. Se estão no cargo para servir, ou para se servirem.

    • João Albuquerque

      Perfeitamente da acordo, vamos ver quem está com o povo ou quem está com os que roubam o povo.

      João Albuquerque

      • António Marques

        Só tem direito de falar no povo Oliveirense quem fez alguma coisa mesmo que seja bem ou mal empregue, mas fez alguma coisa por ele , que eu me lembre, não tenho qualquer conhecimento que Vª Exªa tenha feito seja o que for por ele, nem pela boca do povo da sua freguesia tenho ouvido alguma coisa acerca das sua façanhas pela Cordinha .

        Eu apenas vejo vª Exª a concordar com as atitudes do Senhor António Lopes com razão o sem ela o Senhor António Lopes tem dinheiro e disponibilidade para andar nestas telenovelas mesmo que não seja apenas para dar vida a um jornal local que não tem qualquer credibilidade, mas ainda sou capaz de admito que este senhor que até já vez alguma coisa pelos Bombeiros do conselho e como deputado eleito de uma Assembleia Municipal, posso por algumas Aspas na legitimidade para fazer o que faz mesmo que eu não concorde. Agora o Senhor João Albuquerque não tem qualquer legitimidade para andar aqui neste blog a escrever seja o que for…

        O senhor é daquele tipo de pessoas que anda a tentar arranjar através da politica um degrau para se estabilizar na vida e no meu ver não é isso que o vai valorizar perante o POVO que tanto defende.

        Aposto até que se o Prof. Alexandrino o convida-se neste momento para um cargo politico fosse ele qual for que nunca mais o víamos aqui a escrever e concordar com o Sr. António Lopes.

        Acham mesmo que o povo acredite nestas novelas, antigamente o Povo até poderia acredita não havia bases de conhecimentos, hoje em dia o povo sabe bem o propósito destas novelas , não é para os defender, ele (POVO) sabe bem que é apenas uma questão de poder politico. mas para isso em vez de andarem aqui com estas tretas diariamente que até cansam ,basta arranjarem uma lista em 2017 e andarem na rua a defenderem o vosso programa nada mais simples do que isso, ai é que se pode ver se V.as Ex.as têm ou não credibilidade perante o POVO que tanto vocês defendem.

        Deixem-se de Novelas e de insinuações ainda não vi nenhuma das vossas acusações fundamentadas com especulações a ser aprovada pelas entidades competentes.

        Se querem o povo do vosso lado apresentem soluções num programa e discutam-no e valorizem-no no momento certo (eleições 2017), assim são dignos do poder politico que tanto querem.

        • Vermelhão

          Olha outro. Ainda há pouco um membro do Governo foi de vela porque falou de mais. Mas V.Exa. (por assim dizer) não sabe que, todas as pessoas que detenham cargos públicos, estão sujeitas ao escrutínio público? Já está a arranjar pseudo-razões para cumprir a disciplina de voto? Está com medo de deixar de ser alguém importante na aldeia? Mas deixe lá. Vou dar a minha contribuição ao povo Oliveirense: quando no 2º parágrafo escreveu “Bombeiros do conselho”, devia ter escrito “Bombeiros do concelho”. Devem ser as Novas Oportunidades.

        • João Albuquerque

          Caro António Marques, quem quer que seja o personagem;

          A democracia assenta na liberdade de expressarmos as nossas ideias, noto que não tem acompanhado e não deve fazer parte dos vários milhares de leitores diários, pois se fizesse, para além de comentar com vários nomes, comentava com lealdade e veracidade.
          Fiz o que fiz, faço o que faço e farei o que farei pela minha comunidade independentemente do que você se lembre, do que você se esqueça, do que se venha a lembrar ou do que se venha a esquecer
          Fico satisfeito que me veja concordar com as atitudes do Sr Lopes, enquanto o Marques discorda sem justificar. Vá-se lá saber porquê?
          Quanto a ter legitimidade ou não para andar aqui a escrever neste “blog”, não é a sua opinião que me interessa, mas sim o numero de pessoas que lê o que escrevo, e essas já há muito ultrapassaram as 6 mil por artigo. Enquanto assim continuar, a legitimidade só aumenta. Posso é informa-lo que brevemente aqui deixarei algumas novidades para que possa negar se conseguir justificar.
          Quanto à aposta que referencia (é convidasse e não convida-se, assim como é concelho e não conselho), logicamente a perdia, basta para tal perguntar ao Sr Presidente.
          Sabe, nunca ganhei um cêntimo do Estado, como tal estou à vontade em todo o lado em qualquer altura com qualquer companhia, não devo nada a ninguém.
          Quanto ao Sr Lopes, também estou à vontade, pois nunca me apoiei nele, sou mais de dar apoio.
          Acha então que se fazia esta Moção, que mostrará quem está com a verdade, com a legalidade e com o povo, e quem realmente não está, sem que houvesse coragem de dar solução à desgraça em que o concelho se encontra? Claro que mostraremos como se faz, e com quem se faz.
          Quanto às novelas, só acabam quando deixarem de ser palhaços e começarem a dar contas dos dinheiros, dos negócios, dos empregos e de todas as decisões que tomam a coberto do povo.

          João Albuquerque

        • Vermelhão

          E, lendo melhor a sua escrita, diria que é no mínimo hipócrita vir fazer comentários num jornal que, segundo o escritor é de alguém (que mal conheço), mas que não merece qualquer credibilidade. Permita-me que lhe pergunte que, parecendo (e é só parecença) uma pessoa muito importante, o que o leva a ler este jornal? E até comentar? Não lhe parece que, alguém que lê e comenta num jornal sem credibilidade, no mínimo tão pouco tem alguma?

          • António Lopes

            Boa.. nem eu que sou o “dono” tinha pensado nisso.E se eles soubesse que sem credibilidade são poucas as notícias que têm menos de cinco mil leitores? Perguntem às empresas que controlam os Shares…

        • António Lopes

          Tem toda a razão..! E quem foi que lhe disse que não apresentam? Não vê propostas? Leia lá bem a moção de censura que tem propostas, tem críticas, tem comparações com o que se faz aqui à volta.E critica o desrespeito pelas leis a que todos estamos obrigados.Quanto ao que cada um faz pelo concelho, não me fica bem dizê-lo mas, é público, com gosto colaborei com mais de um milhão de euros num Concelho que me diz tudo…E já perguntei a quem me mandou mudar de Concelho, como se eu cá residisse, o que é que todos os PSs que lá estão, neste capítulo, já fizeram.Os três que me atacaram na última AM, um encaixou a companheira, ninguém sabe muito bem como. Os outros dois, os filhos.Por mim só um deles,O Daniel Diniz passava no crivo.Mas tinha que ser “peneirado”.Directo não entrava.Os outros, esquece…Comigo não há papas na língua.Já me ofereci para debates públicos para discutir estes assuntos.Quando quiserem, por mim, ontem.E mais uma coisita. Quem não é capaz de assinar o nome, não deve criticar,nomeando as pessoas.É que, assim, é difícil as pessoas poderem defender-se.Mas tudo bem.Também não escrevi para si, ou especialmente para si.E não foram só os Bombeiros.Uma boa parte ninguém sabe nem vai saber ,nem tem que saber.”Quem para dar precisa que lhe peçam é melhor que não dê”.Divulgar, é muito feio.Tanta foi a generosidade que estou “falido”.Foi o que me ensinaram, lá no meu partido, e o Padre Filipe no Ervedal.”Despojar-me dos bens materiais”…Olhe o Salazar ganhava com maiorias absolutas e o regime, só caiu pelas armas…Não me admira nada que o Alexandrino e o PS ganhem…A pergunta que deixo é se, isso, é bom para o Concelho…