Apoios prometidos tardam em chegar ao Futebol Clube de Oliveira do Hospital

 

… por pessoas que se disponibilizaram para ajudar o clube. O presidente Paulo Figueira, em entrevista ao correiodabeiraserra.com, diz estar em face de pessoas “sem palavra” e até já se confessa “arrependido” por ter assumido o comando do projeto desportivo.

Correio da Beira Serra – Depois de um período de crise diretiva, o seu nome surgiu como uma espécie de tábua de salvação para o FCOH que corria o risco de perder a sua equipa sénior de futebol, num período em que o clube regressava à 3ª divisão nacional. O que é que o levou a abraçar este projeto desportivo?
Paulo Figueira
– Em primeiro lugar foi por não haver pessoas disponíveis para abraçar o projeto do FCOH. Estou há 12 anos no clube e sempre estive ligado ao futebol. Deixar cair o FCOH com a história que tem, acho que era mau de mais para ser verdade.

Como se fizeram tantas reuniões e assembleias e nunca apareceu ninguém para dar a cara pelo clube, entendi que não podemos deixar cair as coisas no abandono de um momento para o outro. Temos cerca de 200 crianças a praticar desporto em Oliveira do Hospital, cerca de 100 no futebol, mais de 90 no Hóquei em Patins.

No início, decidi abraçar o projeto mesmo sem futebol sénior e só fiz uma equipa sénior, porque houve um conjunto de pessoas que, num jantar realizado no Hotel São Paulo, prometeu de livre vontade apoiar a direção do FCOH que por mim viria a ser liderada.

CBS – Pessoas que fazem parte da sua equipa diretiva?
PF –
Nem  todas. Os Irmãos Gonçalves fazem parte da minha lista e estão-me a apoiar e são os maiores patrocinadores do clube. Houve outras pessoas que não estão na direção, como antigos presidentes e diretores do clube, empresários e até o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, que se comprometeu a fazer o que já estava estipulado e avançar com o sintético que era uma das coisas que eu mais queria, tal como a sede.

Só depois desses apoios prometidos é que fizemos o futebol sénior, porque no início não era para se fazer. Hoje, se calhar, estou arrependido e digo isto com toda a honestidade. Porque nesse jantar houve pessoas que prometeram dar um valor ao FCOH e parece que agora se estão a esquecer. Ainda é uma verba significativa para o orçamento estipulado, porque teve por base esses valores.

CBS – Quanto é que isso significa em termos de orçamento?
PF –
Para cima de 10 mil euros. Para a realidade do clube, trata-se de muito dinheiro.

“Não se pode acusar o FCOH de não ter atitude, garra ou vontade”

CBS – Desde que foi eleito presidente assumiu a “manutenção” como um dos objetivos a atingir. Contudo, ao fim de sete jogos, o FCOH está na cauda da classificação… continua a acreditar nesse desígnio?
PF –
A manutenção é o nosso objetivo, porque o FCOH não tem hipótese de andar na 2ª divisão B. Acredito na equipa e na equipa técnica apesar das dificuldades inerentes ao plantel. Cerca de 60 por cento dos jogadores foram formados em Oliveira do Hospital e isso, numa terceira divisão tem o seu peso, porque temos muita juventude e isso leva-nos a estar na situação em que estamos. Das derrotas que tivemos não foi por jogarmos pior que as outras equipas. Nós ombreamos com todas as equipas com que jogámos até agora. Tivemos azar nuns jogos e neste último jogo tivemos uma equipa de arbitragem que foi por demais vergonhosa. Foi uma arbitragem do pior que já vi este ano. Não quero com isto desculpar a equipa e dizer que em todos os jogos perdemos por causa do árbitro. Mas neste aconteceu e, às vezes, os árbitros empurram-nos um bocadinho lá para trás. Nós, nas derrotas que tivemos, só com o Alba e o Sanjoanense é que não fizemos golos, nos restantes jogos estivemos sempre a ganhar. Algumas arbitragens habilidosas obrigam-nos a recuar. Estamos a cinco pontos da linha de água. Se nós fizermos os nove pontos, nós conseguimos subir.

CBS – Perspetiva fazer algumas alterações?
PF –
Isso está fora de questão. Acredito que as pessoas que estão a fazer um bom trabalho. Os jogadores estão a desempenhar, dentro das suas possibilidades, um bom papel. Não se pode acusar o FCOH de não ter atitude, garra ou vontade. Isso não está a acontecer.

CBS- O que é que acha que está a falhar?
PF
– Falta-nos uma pontinha de sorte. Acredito que somos nós que temos que fazer a sorte, mas se calhar falta-nos um bocadinho de maturidade. É este o nosso plantel. Nós queríamos ter mais jogadores e mais reforços, mas não temos dinheiro.

CBS – Qual é o orçamento com que conta o FCOH?
PF –
Delineámos um orçamento de 100 mil Euros. Outras equipas têm o dobro do orçamento. Há equipas na 3ª divisão que pagam ordenados de 1000, 800, 700 Euros… nós não pagamos isso, nem pouco mais ou menos. Há jogadores em Oliveira do Hospital a ganhar 100 e 150 Euros e são titulares. Estamos muito limitados em termos de orçamento e agora a situação está muito pior, porque as pessoas deixaram de ter palavra.

CBS – Houve mesmo um virar de costas para com o FCOH?
PF –
Eu penso que sim. Mas esta direção nada fez para que isso viesse a acontecer. No meu entender, esta direção até tem feito um trabalho excelente, porque se comprometeu a fazer tudo o que pretendia. A única coisa que falta é o relvado sintético porque não depende de nós. Está a haver uma falta de palavra das pessoas e isso choca-me e revolta-me. A seu tempo, se as pessoas não revirem bem aquilo que disseram, eu vou transmitir os nomes para a opinião pública.

“Iniciámos um projeto com mais condições para sócios, simpatizantes e atletas e a adesão é zero”

CBS – Uma marca que deixa no clube é a criação de uma sede destinada a acolher a família do FCOH…
PF
– Sim. Mas não basta termos a sede, porque ela só tem razão de existir se tivermos pessoas. Nós temos custos com a sede, porque não é nossa e temos custos com um funcionário. Precisamos de pessoas para irem à sede. Precisamos do apoio dos sócios, simpatizantes e dos oliveirenses. Não tem havido adesão. A sede está aberta todos os dias, com exceção da 2ª feira, entre as 15h00 e as 02h00. As condições estão criadas, cabe agora às pessoas criar o hábito de irem à sede do FCOH. Todas as sextas feiras fazemos um jantar para sócios, amigos e simpatizantes, têm ido cerca de 30 pessoas e isso é muito bom porque dá para pagarmos a renda. Durante a semana vai pouca gente. Apelo para que os oliveirenses nos apoiem, porque nós temos feito de tudo para melhorar as condições do clube.

CBS – Os oliveirenses deixaram de se identificar com o clube?
PF
– É possível. Houve um afastamento muito grande das pessoas. Quanto mais alto andar o clube mais as pessoas se interessam. As pessoas não iam ver os jogos da distrital, mas a verdade é que agora também não vão ver os jogos do nacional. No último jogo realizado aqui, vi muita gente de Oliveira, o que me deu uma satisfação muito grande. Eu gostava que o estádio estivesse todos os domingos como esteve neste último, porque nós temos 700 euros de despesa por cada jogo em casa. É muito dinheiro. O bilhete de sócio custa 2, 50. Os restantes variam entre 6,50 e 8,50 Euros.

CBS – Como é que espera chamar mais pessoas ao Estádio?
PF
– Nós já fizemos o bilhete de época por 30 euros e não existiu qualquer adesão. Estamos a renovar o cartão de sócio tipo multibanco e até, em parceria com as “Decisões e Soluções” temos um cartão de crédito sem custos para os sócios e que reverte em 30 Euros para o FCOH.

CBS – Sente que de alguma forma está a remar contra a maré?
PF –
Completamente. A falta de interesse por parte dos oliveirenses só nos ajuda a cansar. Não nos dá ânimo. Se tivéssemos os sócios do nosso lado seria diferente. Vamos fazer um torneio de sueca e de snooker, mas depois não há adesão, não há pessoas. Isso choca-me. Quando se fala em acabar o futebol toda a gente critica, mas nós iniciámos um projeto com mais condições para sócios, simpatizantes e atletas e a adesão é zero. Isso preocupa-me. Eu lembro-me de ver o estádio completamente cheio. Mas mudaram-se os hábitos e os centros comerciais também não ajudam. Diz-se que uma equipa com jogadores da terra conquista maior número de adeptos, mas em Oliveira do Hospital isso não acontece.

CBS – Com quantos sócios conta o clube?
PF –
Não tem havido aumento. Eu percebo que as dificuldades são grandes e que a conjuntura atual não é a mesma de há 10 anos. Mas também não são 30 euros anuais, nem chega a três Euros mensais, que vai mexer tanto com a vida das pessoas. Perdeu-se o hábito, mas se não houver sócios e apoiantes se calhar não vale a pena haver futebol. Neste momento, temos cerca de 300 sócios pagantes, mas estamos a fazer um levantamento dessa realidade, porque temos vindo a perder de ano para ano. Estamos a fazer um cartão sócio mais moderno e personalizado e, nessa altura, já saberemos o número exato de sócios.

CBS – A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital (CMOH) já anunciou a construção do relvado sintético no campo de treinos de Lagos da Beira. Acredita que este projeto ainda venha a ser concretizado durante o seu mandato?
PF –
Acredito na palavra do presidente da CMOH, que é uma pessoa que tem mantido diálogo connosco. Jamais esperaria outra coisa que não fosse fazer o sintético. Ele já levou o assunto a reunião de CMOH e já foi aprovado. Já andam no terreno a cortar os eucaliptos para a folhagem não passar para o sintético. Tudo leva a crer que, na próxima época, o sintético já esteja a trabalhar. É uma mais valia e acho que atrairá cada vez mais jovens. Não gosto de menosprezar os outros clubes, mas há clubes aqui há voltas que têm camadas jovens porque o FCOH não tem sintético.

CBS – O Tourizense, por exemplo…
PF
– O Tourizense tem jovens nos nacionais que foram de Oliveira do Hospital para Touriz treinar, porque nós não temos condições para treinos. Treinar num pelado significa chegar todos os dias arranhado a casa e os pais não permitem isso. No verão há muito pó e no inverno há muitas poças de água.

CBS – E no que respeita às condições dos balneários do campo de Lagos?
PF –
Estão muito bem apetrechados. E muito honestamente, aquilo que o Oliveira do Hospital já gastou naqueles balneários faz com que, neste momento, estejam melhores do que os do Estádio Municipal. Nós gastámos já cerca de 15 mil Euros em balneários e a arranjar o campo de Lagos de Beira. Agora o relvado sintético só peca por tardio e já deveria ter sido feito pelo anterior executivo.

“Aquilo que eu gostava era que o Nogueirense subisse e o FCOH se mantivesse”

CBS– Como avalia o facto de o FCOH disputar o campeonato nacional da 3ª divisão, série C, com outra equipa concelhia, a Associação Desportiva Nogueirense (ADN)?
PF –
Acho que é muito bom e saudável. Os dois clubes já deram provas daquilo que são e a sua história fala por eles. Aquilo que eu gostava era que o Nogueirense, porque tem toda a legitimidade para isso, subisse de divisão e que o FCOH se mantivesse.

CBS – Não estaremos em face de uma dupla competição: o campeonato da 3ª divisão e o campeonato entre as duas equipas do concelho?
PF –
Não vejo isso, porque encaro o desporto como ele é e não como a guerra que há entre as pessoas. Neste momento, eu e a direção a que presido estamos de relações fantásticas com a ADN.

CBS – Mas não foi sempre assim…
PF –
Houve uma altura em que não foi. Mas não comigo como presidente. Hoje temos relações excelentes com Nogueira do Cravo e queremos mantê-las, desde as camadas juniores aos seniores. Acho que somos bons vizinhos e quanto mais mal queremos fazer um ao outro, mais nos prejudicamos.

CBS – O FCOH chegou a usar o sintético do Estádio de Santo António?
PF –
Os nossos infantis vão lá jogar.

CBS – Continua a achar que a ADN tem condições para vencer o campeonato e subir à 2ª divisão nacional?
PF –
Sim. Para mim, a equipa candidata ao título é a ADN. Está em 1º lugar e penso que se vai manter distante das restantes equipas. Tem um excelente plantel, uma excelente equipa técnica e tem pessoas na direção muito capazes de continuar a desenvolver o papel que vinha a ser desenvolvido, e muito bem, por Pedro Marques.

CBS – Acha que com a perda de Pedro Marques a ADN está motivada?
PF –
Sem dúvida. Sei o que aqueles jogadores sentem por não terem aqueles dois homens . Pedro Marques e o treinador adjunto Luís Simões – no balneário e acredito que, todos os domingos antes de entrarem no campo, se lembram dos dois. Isso dá-lhes uma força e espero que pensem nisso antes de entrar no jogo e que tenham consciência que há alguém, lá em cima, a olhar para aquilo que eles estão a fazer.

CBS – Na 10ª jornada o FCOH encontra-se com a ADN no Estádio de Santo António. Como perspetiva esse jogo?
PF –
Eu espero que seja uma festa do futebol. Muito honestamente acho que o campo vai estar cheio e desejo que isso aconteça, tal como espero que encham o municipal na segunda volta. Isso é saudável e é uma receita extra. Estas rivalidades, isto é como um Benfica-Sporting, têm que levar pessoas ao Estádio. Este não é o jogo mais importante em termos de futebol, mas é o mais importante em termos de concelho. Estou convencido de que vêm pessoas de Tábua e Arganil para ver este jogo que é um dérbi.

CBS – Qual acha que vai ser o resultado?
PF –
Acredito que o FCOH vai ganhar. Se eu não acreditar na minha equipa, quem é que vai acreditar. Sei que vamos ter muitas dificuldades, mas estou confiante. Neste tipo de jogos nós nem precisamos de motivar ninguém. Os jogadores auto motivam-se

CBS – O FCOH não se esgota no futebol. O Hóquei em Patins (HP) também tem levado longe o nome do clube e do concelho. Como avalia o atual momento da modalidade e as infra-estruturas de que dispõe?
PF
– O Hóquei Patins, tal como o futebol, precisava de umas infra-estruturas novas. Precisava de um pavilhão, porque há miúdos com 10, 11 anos a treinarem às 22h30. Eu não acho isso bom, porque a minha filha tem 12 anos e ela às 22h00 tem que estar na cama, porque ao outro dia tem aulas. Acontece exatamente a mesma coisa com as outras crianças. O horário que o pavilhão tem para o Hóquei Patins é muito pouco. Ninguém é remunerado no HP e os treinos só se realizam ao final do dia de trabalho. Os treinos são todos muito tarde. A equipa sénior de HP começa a treinar às 22h00 e são miúdos que vêm de Coimbra, tal como o treinador que é um ex atleta do clube e está a fazer um excelente trabalho. Eles treinam três vezes por semana e saem daqui às 23h30 e ainda têm que ir para Coimbra e ao outro dia têm aulas. Para a quantidade de jovens a praticar a modalidade era necessário um pavilhão com mais horas vagas para o Hóquei. Há várias instituições que usam o pavilhão.

CBS – O pavilhão municipal tem boas condições?
PF
– Tem condições e foi melhorado com a substituição da cobertura porque antes, no inverno, era um gelo. Hoje tem outras condições em todos os aspetos. O desejável era que tivéssemos um pavilhão multiusos, onde pudéssemos praticar desporto e até, eventualmente, ter lá outro tipo de espetáculos. Percebo que isto não está fácil, mas espero que possa ser uma realidade num futuro próximo. Compreendo que hoje há outras prioridades e nós também temos condições. Trabalha-se muito bem.

CBS – Quatro formados no HP de Oliveira do Hospital integram a equipa do SL Benfica. Como é que olha para este facto?
PF –
Com muita alegria. Eu vejo o HP da mesma forma como vejo o futebol. Não faço diferenciações. Eu fico tão feliz de ver aqueles meninos, o José Pedro Barreto, o Tiago Jorge e o João Pedro Pais e o Alexandre Marques, a jogar no Benfica, como fico feliz de ver o Flávio a jogar na Académica, o Carlos Martins a jogar em Espanha, o André Fontes no Feirense, o Nuno santos que passou pelo FCOH e está no Paços de Ferreira. Apesar de o HP ser autónomo, faz parte do FCOH. No dia 8 de dezembro, vamos fazer, pela primeira vez, o jantar de Natal, onde vamos ter todos os atletas reunidos. Esperamos ter 500 pessoas no pavilhão. Quanto mais nós estivermos próximos dos pais e amigos dos atletas, mais eles vêm ao nosso encontro. Foi este espírito que me trouxe para o clube.

CBS – Como encara a política desportiva posta em prática pelo executivo camarário?
PF –
A Câmara Municipal tem sido o braço direito para cada associação. Houve cortes, mas tinham que acontecer. Nós já fizemos a aquisição de duas carrinhas porque não tínhamos transporte para os seniores. Nas camadas jovens mantém-se tudo igual, menos nos jogos realizados no concelho e zonas limítrofes. O presidente da Câmara é um homem do desporto, mas também há coisas que prometeu e ainda não fez, nomeadamente pequenas obras no Municipal, como a colocação de uma rede para evitar a perda de bolas. Percebo que não é por maldade, mas porque há muitas outras coisas para fazer. A vereadora do desporto também nos tem recebido sempre. Não nos podemos queixar da Câmara Municipal, porque temos tido o apoio necessário quando as coisas estão menos bem.

CBS– Como perspetiva os próximos anos do FCOH?
PF
– Como muita dificuldade. Não sabemos se para o ano a Câmara nos vai dar o apoio de 70 mil euros. Se cortarem, nós não podemos continuar na 3ª divisão, porque não temos como formar uma equipa competitiva. Este ano temos uma equipa com muitas dificuldades.

CBS – Tenciona continuar ligado ao clube nos próximos anos?
PF –
Tenho mais um ano de mandato. Gostava de continuar ligado ao clube se os sócios me derem ajuda. Eu gosto muito do FCOH. O clube é a minha segunda família e não o represento por vaidade ou protagonismo, é por gostar muito do FCOH.

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