Arganil: Câmara vai contrair empréstimo de 4,1 milhões de Euros

A Câmara Municipal de Arganil não consegue fazer face a uma situação de “desequilíbrio financeiro conjuntural” e aprovou, em reunião do executivo de 17 de Fevereiro, a contracção de um empréstimo bancário de 4,1 milhões de Euros.

Aprovada com os votos favoráveis do executivo social-democrata, o voto contra do vereador independente Rui Silva e com a abstenção do socialista Miguel Ventura, a proposta apresentada pelo presidente Ricardo Alves, foi justificada ao executivo com os atrasos nas comparticipações do governo, no que respeita às obras de beneficiação realizadas na aldeia histórica do Piódão, bem como com o investimento feito no alargamento da Zona Industrial da Relvinha.

 “O resultado do investimento global realizado no Piódão é de 2,3 milhões de Euros, sendo que até esta data, o município recebeu apenas 110 mil euros de comparticipação”, explicou o edil arganilense, informando que o alargamento da Zona Industrial da Relvinha se traduziu num investimento de 779. 172,38 Euros.

Para Ricardo Alves, a contracção do empréstimo “é a única alternativa viável e possível”. Ao executivo assegurou que a solução em cima da mesa não aumenta o endividamento líquido do município, porque está em causa uma conversão da dívida de curto prazo, em dívida de médio e longo prazo.

No seu blogue, Miguel Ventura justifica o voto pela abstenção com o argumento de que para além dos investimentos efectuados no Piódão e no alargamento do pólo industrial da Relvinha, há também a registar “outras intervenções realizadas durante o ano 2009, em período pré-eleitoral” e que “contribuíram significativamente para esta realidade.

O socialista lembra que, “este facto é reconhecido pelo próprio executivo, ao referir que foram assumidas responsabilidades desproporcionadas face à capacidade financeira do Município, no que se traduziu na redução da capacidade do Município em honrar com os pagamentos, nos prazos contratualizados com os fornecedores”.

Miguel Ventura adverte ainda que o empréstimo “é tido como um compromisso com as gerações futuras, que sem o seu aval terão de abdicar de parte dos seus recursos para pagar as responsabilidades assumidas por outros”.

Por outro lado, questiona como é que o executivo vai conseguir executar as grandes intervenções que estão previstas nas Grandes Opções do Plano para 2010.

O independente Rui Silva não hesita em considerar, de acordo com informação veiculada pelo Jornal de Arganil, que a proposta de Ricardo Alves é “um embuste político/financeiro, sustentado em considerações e parâmetros que escamoteiam a verdade e reflectem uma farsa”.

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