“As empresas não são instituições de caridade”, considerou Belmiro de Azevedo

Numa palestra realizada esta tarde na Casa da Cultura César Oliveira sob o mote “Nov´olhar… a empresa e a formação profissional” organizada pela Eptoliva, o patrão da Sonae referiu que “as empresas não são instituições de caridade” e que a base para converter a tendência de declínio assenta mobilidade dos seus trabalhadores e na inovação, porque “de um momento para o outro, o produto anterior fica obsoleto”. “As empresas têm que adivinhar aquilo que o cliente vai querer”, defendeu.

Concordou que o desemprego é o pior que pode acontecer a uma pessoa porque “entra em crise psicológica”, mas também se referiu aos subsídios existentes como “bombeiros, apaga fogos”.

“Não se resolvendo o problema de fundo, não há solução”, defendeu, considerando que o Governo e a Assembleia da República têm “uma função fundamental e a obrigação de fazer boas leis e bons regulamentos”. Neste domínio, chegou até a considerar que “Angola pode resolver o problema de muitas pessoas”, até porque “a mobilidade geográfica vai estar aí rapidamente”. Não hesitou em dar o exemplo concreto dos cerca de dois mil desempregados da Qimonda que não conseguirão encontrar novos postos de trabalho em Vila do Conde e que terão que descobrir na mobilidade uma resposta para os seus problemas.

Perante uma plateia preenchida por alunos, empresários, docentes, autarcas e outras figuras com responsabilidades locais e regionais, Belmiro de Azevedo deitou por terra alguns tabus ao falar da capacidade que todos têm para serem líderes.

“Vamos acabar com a ideia de que os chefes é que sabem tudo e que os outros não sabem nada”, sublinhou o empresário nacional que, conhecido a nível internacional, encontra nas ferramentas vocação, educação e formação a base do sucesso dos grandes líderes e chefes.

Opinião diferente tem relativamente “à amizade e à cunha”, por as considerar ferramentas negativas. Ao contrário, teceu rasgados elogios à capacidade de as pessoas se mostrarem disponíveis para enfrentar situações de mudança.

No domínio do conhecimento, Azevedo destacou a educação básica, o ensino vocacional, mas também a experiência fundamentada em acções repetitivas. “Com experiência, há melhorias expressivas no processo de decisão”, considerou o patrão da Sonae, desafiando as pessoas a “ousar”.

César Oliveira recordado como “principal pai” da Eptoliva

Quando estava em análise a importância do ensino profissional e da formação, o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital destacou a importância de factores como a disciplina, organização e capacidade de disponibilidade. “A melhor imagem que podemos dar de nós, é a da excelência e da capacidade para reagir”, sublinhou Mário Alves referindo-se em concreto às gentes de Oliveira do Hospital que, Belmiro de Azevedo fez questão de elogiar durante um programa de televisão.

O autarca oliveirense não deixou também no esquecimento o “principal pai” do ensino profissional: César Oliveira. “Não ficaria bem se aqui não relembrasse a sua memória”, frisou.

A importância do ensino profissional foi igualmente destacada pelos autarcas de Tábua e Arganil, com o primeiro a recordar aquele que foi o primeiro encontro, há, 30 anos, com o patrão da Sonae. Sobre a Eptoliva, Ivo Portela referiu que “é importante uma boa profissionalização, porque isto hoje não vai lá com títulos, vai lá é com preparação”.

O autarca de Arganil, Ricardo Alves, frisou a importância da inter-municipalidade que caracteriza o projecto Eptoliva, ao mesmo tempo que destacou a necessidade de, cada vez mais, o ensino ter em conta aquilo que são as necessidades do tecido empresarial.

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