Na reorganização das Regiões de Turismo agora efectuada pelo Governo, verificamos que, mais uma vez, Oliveira do Hospital é penalizada pelo poder político, pela sua não inclusão no Pólo de Desenvolvimento Turístico da Serra da Estrela.

As encruzilhadas do turismo em Oliveira do Hospital

Anteriormente, por direito próprio, estávamos inseridos na Região de Turismo da Serra da Estrela, mas sabe-se lá porquê, os iluminados do poder, sem ouvirem os principais interessados, acharam que Oliveira do Hospital não era uma mais valia para este Pólo agora criado e, por isso, devíamos integrar a Região de Turismo do Centro.

Será que esta exclusão não teve outras motivações para além dos anunciados limites das NUT III? Não poderíamos, a exemplo do que acontece noutros Pólos, ser um município envolvente?

Estamos cientes que, se durante os últimos dez anos, a autarquia tivesse definido um verdadeiro projecto de desenvolvimento turístico e o tivesse implementado, envolvendo para isso todas as forças vivas locais, nomeadamente os empresários ligados ao sector, tivesse aproveitado os fundos comunitários disponíveis para o efeito, e, se o Sr. Presidente da Câmara tivesse tido uma postura mais colaborante, mais interventiva e procurasse consensos na defesa das políticas de turismo da agora extinta Região com certeza que continuaríamos a fazer parte do Pólo agora criado.

Não temos dúvidas que, para o desenvolvimento turístico deste concelho, esta saída é penalizadora, pois consideramos que uma das suas principais mais valias turísticas é a Serra da Estrela.

De acordo com o conhecimento que temos relativamente às verbas do QREN para o apoio ao desenvolvimento turístico, também iremos ser penalizados. Os fundos disponibilizados para os Pólos são significativos tendo em conta o número de municípios envolvidos; os projectos a realizar nos Pólos de Desenvolvimento Turístico serão financiados em 75% até ao limite de oito milhões de euros enquanto que, nas Regiões de Turismo, serão financiados na mesma percentagem mas só até seis milhões de euros.

Contudo, os prejuízos que podem advir da nossa inserção na Região de Turismo do Centro podem ser minimizados caso o poder autárquico saiba impor a mais valia que representa a sua entrada na região. Para tal, o trabalho de casa terá de ser muito bem realizado pelo Sr. Presidente da Câmara e por quem o rodeia. A exclusão do Pólo não pode nem deve permitir a perda da componente “Serra da Estrela” no turismo Oliveirense.

Independentemente da manutenção ou mudança de Oliveira do Hospital no Pólo da Serra da Estrela, a verdade é que o turismo no concelho não terá a projecção esperada e imprescindível se, de uma vez por todas, o executivo camarário, como é da sua competência, não se assumir como o seu motor de desenvolvimento.

Por isso, para que o turismo no nosso concelho tenha a expressão que todos ansiamos, por forma a permitir a criação de maior riqueza e contribuir para a fixação dos nossos jovens, há que elaborar um projecto de desenvolvimento turístico, não deixando de ter em conta a diversidade de oferta que podemos disponibilizar aos turistas que nos venham a visitar.

A interligação das três zonas do concelho (Sul, Central e Norte) e a Serra da Estrela, com ofertas turísticas diversificadas, terá de ser muito bem trabalhada no referido projecto.

Não quero, no entanto, deixar de apresentar mais uma vez, de uma forma construtiva, algumas ideias que poderão contribuir para que Oliveira do Hospital seja uma das referências no turismo da Serra da Estrela.

Assim, será fundamental definir; o tipo de produtos estratégicos a oferecer aos turistas; a localização/criação de investimentos âncora públicos/privados nas diversas zonas do concelho que, por si só, permitam a captação de determinado tipo de turista; a requalificação a realizar nos centros antigos e históricos das aldeias; a requalificação de determinados espaços inseridos na paisagem; a criação de novas unidades turísticas; a valorização dos produtos endógenos existentes no concelho; a criação de rotas turísticas; a criação de cursos de formação profissional nas nossas escolas que forneçam mão – de -obra qualificada ao sector…

Para que o turismo atinja a dimensão que todos nós desejamos, contribua para o enriquecimento de todo o concelho, permita a criação de muitos postos de trabalho e orgulhe todos os Oliveirenses, basta sonhar (sim, porque quem não sonha, dificilmente consegue deixar obra de jeito), colocar no papel e executar definindo prioridades.

No entanto, tenho muitas dúvidas que o actual executivo autárquico consiga atingir este desiderato, já que, na minha opinião, a concretização destes objectivos não será possível tendo na génese alguém que julga que só ele sabe, só ele pode, só ele quer e só ele manda. Pelo contrário, um projecto desta envergadura concretiza-se mobilizando os promotores turísticos, a população, os organismos regionais e centrais e os técnicos adequados que, de uma forma dinâmica, com uma liderança forte, crie consensos para a sua realização.

José Carlos Mendes

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