As maiorias

A entrada num novo ano costuma ser acompanhada pela formulação de desejos. Aquilo que gostaríamos que sucedesse no ano que se inicia.

 

Também sou dos que cumpre a tradição e faz os seus pedidos de ano novo. Este ano, que é ano eleitoral, formulei o meu desejo político para o país e para o concelho e quando dei conta o pedido era o mesmo: que o país e o concelho não se entregassem, novamente, a maiorias absolutas de uma única força política.

Sou dos que defende a estabilidade política como pilar primeiro de uma boa governação. Digo mesmo que em tempo de crise é imperativo que se governe em maioria. Mas entendo que é nefasto e nocivo que essas maiorias sejam de um só partido, de uma só força política. É importante dizer sim às maiorias, pela necessidade de estabilidade politica, mas igualmente importante dizer não a que sejam de uma só força política, porque é aí que nasce a intolerância, a arrogância e o erro político.

Como exemplos basta atentar na maioria do Partido Socialista que tem obrigado o país a persistir e insistir em tantos erros, e na maioria do PSD Oliveirense que “vendida” ao voto comete erros e abdica de ter a ambição e o projecto reformador para o concelho.

Para atestar a verdade e lógica do meu desejo basta que coloquemos um conjunto de questões. Será que se o Eng. Sócrates não tivesse maioria absoluta teria persistido durante tanto e tanto tempo, com inegáveis prejuízos para o país, no erro da OTA? Será que continuaria a persistir, com arrogância, na necessidade de investimento público megalómano que vai penhorar o rendimento das gerações futuras e impedir uma diminuição da carga de impostos que tanto pesa às famílias e empresas portuguesas?

Será que o actual Primeiro-ministro colocaria, igualmente, toda a sua arrogância e autoritarismo no cego enceramento de Centros de Saúde e no estúpido sistema de avaliação dos professores?

Será que se o Prof. Mário Alves não tivesse tido maioria absoluta teria investido o dinheiro público em silos, rotundas e relvados sintéticos? Será que sem maioria o Presidente da Câmara teria abdicado da integração do concelho na Região de Turismo da Serra da Estrela, em troca daquilo que nos pareceu ser um objectivo puramente partidário?

Será que sem a sobranceria de uma maioria o Presidente do executivo continuaria a ignorar o mal-estar social que começa a grassar no concelho, bem como o definhar do tecido empresarial, até hoje, a grande força concelhia? Será que sem maioria a atitude do executivo não seria muito mais cooperante com a sociedade civil e muito mais atenta aos anseios e objectivos das novas gerações de oliveirenses que se vêem obrigados a partir por falta de oportunidades?

Fica aqui o meu desejo para 2009, que o país e o concelho não se entreguem nas mãos de uma única força política. Que exijam aos partidos políticos discussão, entendimentos e cedências. Só assim evitaremos muitos dos erros que, actualmente, minam o futuro do país e do concelho. Os erros que nascem da arrogância, da prepotência e da surdez e cegueira de quem governa sozinho e em maioria.

*Jurista

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