As três BLC3 e os esclarecimentos que nos são devidos. Autor: João Dinis, Jano

Um dia – e já lá vão uns anitos – tivemos oportunidade (e visão) para classificar, antecipadamente, como “elefante branco” o projecto da ACIBEIRA –  projecto que apareceu para ser consumado em Lagares da Beira – com a designação tão pomposa quanto enganadora de “Centro de Negócios da Beira Serra”.  Pouco mais tarde o projecto foi levado à falência ainda antes de concluído mas já tinham sido desbaratados nele umas largas dezenas de milhar de contos públicos da época – do nosso dinheirinho – e, ao que julgamos saber, sem que os seus executores e “usufrutuários” (…) tivessem sido efectivamente presos…

Ultimamente, uns poucos “iluminados” voltaram à megalomania dos projectos “modernaços” mas afinal tão cheios de nada que parecem engravidados por uma espécie de vácuo em termos de (boas) consequências significativas – que é que se conhece em concreto? – para o Concelho e Região.

Falamos agora das já três BLC3… Sim, são três (pelo menos…) as BLC3. Se calhar para condizer com o algarismo… Falamos da BLC3 – Plataforma para o Desenvolvimento da Região Interior Centro – da BLC3 – Evolution, Unipessoal, Lda – da BLC3 – Incubadora Unipessoal, Lda. São pois três irmãs siamesas (giram todas à volta dos mesmos indivíduos) que não justificam o esfoço público nelas investido – nomeadamente os avultados dinheiros públicos de proveniências várias – Câmara Municipal incluída.

Enfim, à “coisa” em geral chamam-lhe BLC3 – Plataforma de Desenvolvimento Integrado da Região Interior Centro. Está composta pelo Centro Tecnológico – pelo Centro de Incubação de ideias e empresas – Pelo Centro de Apoios a Projectos e Ideias Inovadores.

A ideia – apesar de tecnocrática – a teoria que lhes está subjacente, “come-se”. Ou seja, dir-se-á que a “ideia não é má” mas o problema é a forma como a prática não corresponde à teoria. E de tal forma assim é que arrisco afirmar que vários dos intervenientes directos, mesmo a nível superior de decisão, simplesmente já não acreditam no(s) projecto(s). Mas empurram com a barriga e deixam rolar…o desperdício! Outros tiram dele proveito pessoal.

Uma vez, há três ou quatro anos, quando a tecno-burocracia dominante propagandeava a “incubadora de empresas”, nós afirmámos, na Assembleia Municipal, que mais do que incubadora disto ou daquilo, a BLC3 respectiva era, de facto, uma “chocadeira de nados-mortos”. Ou seja, dado o clima tóxico geral lançado pela política dos sucessivos governos sobre as pequenas e médias empresas, a probabilidade das “incubadas” sobreviverem era – e continua a ser – mais do que diminuta. Aliás, convinha que alguém divulgasse, com seriedade, quantas foram as empresas lá “incubadas” e que lhes aconteceu entretanto. Bem, ficámos a saber, recentemente, que estava lá “incubada” uma tal “Formalize, Lda” empresa envolvida nos escândalos – nas vigarices – dos Vistos Gold…

Hoje avançam novas obras com edifícios e infraestruturas nos terrenos da velha ACIBEIRA, em Lagares da Beira. O velho “elefante branco” está a fazer um filhote…pelo menos em termos daquilo que a BLC3 diz projectar para lá.

Vejamos:

— O Campus Tecnologia e Inovação da Região Interior Centro;

— A Infraestrutura Tecnológica / Centro Bio / (Bioindústria – Biorefinarias – Bioprodutos)

— A Incubadora de Ideias e Empresas / Bioeconomia.

Portanto, tudo designações “modernaças” como agora aconselha a “caça” aos subsídios públicos…

E assim é de facto. Nas indicações oficiais que constam mesmo à entrada da velha ACIBEIRA – agora a travestir-se de BLC3 – o projecto, aprovado no âmbito do QREN – no “Mais Centro. Programa Regional do Centro Operacional”, prevê, à partida, um investimento total de mais de três milhões de euros, dos quais mais de 2, 5 milhões são de co-financiamento europeu. Portanto, há pouco mais de 450 mil euros para financiamento nacional, provavelmente do Orçamento de Estado. Desconhecemos se há, ou não, algum autofinanciamento dos titulares do projecto (a BLC3). Se não estamos em erro, o custo total deste projecto é idêntico ao que custaria a velha ACIBEIRA no seu tempo. Como é hábito, nestas coisas de projectos mirabolantes, eles dão dinheiro a quem os projecta, a quem faz as obras, a quem os equipa e a quem lá “funciona” depois…enquanto duram.

Um “Elefante Branco “ gigantesco

E o mais mirabolante de todos os projectos futuros – projecto ao que se sabe já aprovado internamente e à espera de decisão europeia – é o da criação de um Centro Bio: Bioindústrias, Biorrefinarias e Bioprodutos”. Fala-se em mais de 100 milhões de euros de investimento para “inibir”, à partida, quem queira “pôr os pontos nos i´s”. Dizem os “cérebros” ao serviço da BLC3 que este projecto vai utilizar como matéria-prima para transformar em biocombustível, os matos e as giestas que abundam de facto pela nossa Região!

Mas o problema é que uma “fábrica” dessas, com a dimensão que lhe é já atribuída, precisará de “queimar” matos e giestas em quantidades astronómicas. Ou seja, precisará de começar a queimar matos e giestas em Portugal…e continuar, a seguir, pela Espanha e França adentro… E são grandes os custos com a recolha e transporte dessa matéria-prima. Não compensa ir buscar matos e giestas a mais de 50 Km de distância da fábrica. E a erosão/desertificação provocadas pela desmatação? Do ponto de vista meramente económico, uma “coisa” destas também só poderá funcionar se o Estado e a União Europeia subsidiarem – grandemente – a sua actividade futura, como, por exemplo, acontece com essa outra “mania” astronómica das eólicas.

Ou seja, anda em tentativas de geminação um “elefante branco” de dimensões gigantescas! E mais um para ser pago pelo nosso dinheirinho público…

E, agora, voltem a chamar-me de “Velho do Restelo “ – de “profeta da desgraça” – (como me chamaram aquando da velha ACIBEIRA). Podem chamar-me tudo isso. Mas de parvo e desinformado é que não… Nem sequer de bruxo ou adivinho porque isto é claro como a água e só não enxerga mais à frente quem não quiser…

Bom, e para já, que nos informem acerca das “incubadas”, da respectiva “taxa de mortalidade”; de quanto custam, por mês e por ano, as BLC3 existentes. E quem decide, e como, o recrutamento dos seus “trabalhadores”?

janoentrev2Autor: João Dinis, Jano

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  • João Paulo Albuquerque

    Prof. João Dinis;

    Não há quem tire uma informação lá de dentro.
    É verdade, não lhes serviu de exemplo a nefasta criação do elefante da ACIBEIRA, para agora irem já a correr arranjar outro paquiderme com as BLC3’s, só que este vai tornar-se num mastodonte.
    Enfim, alguém vai meter largos milhares ao bolso. Cá estaremos para ver.

    JPA

    • Politicalex

      João Dinis:Ainda tem mais uma associação.Chama-se Ceres.E foi feita com quem oficialmente já não existe…

      • Será

        CERESá possivel?

  • JPCRUZ

    mais um vez vez meu caro amigo está aqui a verdade dos maus gastos dos dinheiros públicos.
    cumprimentos