“Asfixia económica” da ADI voltou a agitar as águas na reunião pública do executivo oliveirense

A discussão em torno do passivo da Agência de Desenvolvimento Integrado (ADI) de Tábua e Oliveira do Hospital foi o assunto que dominou a primeira reunião de 2010 da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

Apesar de a matéria já ter estado em cima da mesa na primeira reunião de Dezembro, as dificuldades financeiras da ADI voltaram ontem ao seio do executivo, onde chegou a ser aprovada a transferência de 17 mil Euros para aquela estrutura, como forma de resolver alguns problemas de tesouraria.

“A ADI enfrenta salários em atraso e despesas que se devem há muito tempo a fornecedores”, afirmou o presidente da direcção da Agência, José Francisco Rolo, que se vê impossibilitado de efectuar o pedido final de compensações financeiras de projectos aprovados.

O próprio presidente da Câmara Municipal revelou-se preocupado com a situação da ADI, chegando a considerar que “se fosse uma empresa, a ADI seria uma empresa insolvente”.

Sem nunca colocar em causa a missão da agência no domínio do apoio ao comércio local e tradicional, José Carlos Alexandrino alertou para o facto de a ADI estar relacionada com os municípios de Oliveira do Hospital e Tábua e, de haver muitas empresas que necessitam do dinheiro que a agência lhes deve para sobreviver.

“A ADI está com uma asfixia económica”, verificou o presidente, contando que “uma empresa de Tábua já fez uma penhora à agência por uma dívida antiga”.

Rocha aponta o dedo aos cortes de financiamento

A discussão em torno da situação económica da ADI voltou a não agradar ao ex-presidente da direcção da estrutura, que se manifestou contra a forma como o seu sucessor abordou o assunto.

“Gosto pouco que as coisas não sejam claras”, afirmou Paulo Rocha, que justificou a falta de liquidez da Agência com os cortes de financiamento do IAPMEI e com o facto de a ADI não gerar receitas.

Aproveitando para esclarecer que a ADI não deve salários, mas sim o pagamento de recibos verdes, o vereador do PSD lembrou que no ano passado foram realizados dois projectos de 200 mil euros, sem que a agência tivesse recebido um único cêntimo.

Fez ainda questão de frisar que chegou a dar o seu aval pessoal na contracção de empréstimos bancários para a ADI.

Rocha lembrou ainda a Rolo que tem pela frente a execução de um projecto de 500 mil Euros no âmbito do MERCA, destinado a promover a inovação em PME dos sectores do comércio, serviços e restauração.

O novo presidente da estrutura não tardou em esclarecer o vereador que os cortes de financiamento se devem à existência de “despesas não elegíveis”.

Mário Alves responsabiliza “organismo do Estado”

Ainda do lado do PSD, Mário Alves usou da palavra para responsabilizar “um organismo do estado” pela situação estado em que se encontra a ADI.

“Está há mais de um ano sem transferir um único cêntimo para os projectos que estiveram em desenvolvimento”, sustentou Mário Alves, verificando que “se o organismo do Estado funcionasse a ADI não estava com este problema”.

Realçando o papel desempenhado pela ADI no apoio ao comércio tradicional, o ex-presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital chegou a aconselhar o seu sucessor a propor a transferência de uma verba de 30 mil Euros, ou até de “efectuar uma antecipação das quotas”.

Sem nunca revelar o valor do passivo da ADI, José Francisco Rolo referiu que também a Câmara Municipal de Tábua vai efectuar uma transferência, ainda que faseada, de 17 mil euros.

De acordo com o novo presidente da ADI, o objectivo é que a “agência continue empreendedora e com projectos no terreno”.

 “Para isso temos que pôr tudo a zero”, alertou Rolo, verificando que “quando se chega ao fundo do poço, o primeiro passo é deixar de cavar”.

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