Assembleia Geral reprovou moção de censura à gestão da administração provisória da CCAM

Em nome do “resultado negativo antes de impostos de 974 929 Euros” e de “vários indicadores que apontam precariedade na situação financeira da instituição”, a Assembleia Geral da Caixa de Crédito Agrícola Mútuo (CCAM) de Oliveira do Hospital que, anteontem, aprovou o relatório de contas de 2010, foi confrontada com uma moção de desagrado e censura à gestão dos administradores provisórios Armando Lopes e Jorge Machado.

Subscrito, entre outros, por António Lopes, Carlos Oliveira, Sebastião Antunes, Pedro Oliveira e Maria José Falcão de Brito, o documento que também manifestava a apreensão dos subscritores pelo “futuro imediato” da instituição de crédito, e a que este diário digital teve acesso, acabou por não recolher o apoio da Assembleia Geral, chumbando-o por maioria.

Participada por 85 sócios e sem a presença de jornalistas – foram impedidos de acompanhar os trabalhos por não serem sócios da instituição bancária – a Assembleia Geral da CCAM ficou ainda marcada pela intervenção do empresário António Lopes que – de acordo com o que o correiodabeiraserra.com apurou – à semelhança do que já tinha feito anteriormente, se posicionou contra a intervenção que está a decorrer na CCAM desde há um ano.

Sem explicações que convençam o empresário para a necessidade da presença de dois administradores provisórios a tomar conta dos destinos da CCAM, António Lopes denunciou o tratamento desigual que, no seu entender, está a ser perpetrado pelos administradores que “tratam clientes e associados a olho e por medida”. Para além de apontar o dedo à existência de “taxas e garantias para todos os gostos”, António Lopes chegou ainda a denunciar o caso de um cliente a quem a Caixa aplica uma “taxa zero”.

Responsabilizando esta política bancária pela intenção de saída de 41 sócios e redução de capital de seis, António Lopes chegou a verificar que, com base na análise aos resultados, “os rácios são bastante melhores”. “Eles querem que sejam maus, para se justificarem uns e outros e, para terem argumento para os fins que pretendem atingir”, argumentou António Lopes, sem no entanto deixar criticar as taxas de crédito cobradas pela instituição.

Pegando no seu caso em particular, o empresário informou a Assembleia Geral que paga na CCAM mais do dobro da taxa que paga na Caixa Agrícola do Fundão e “muito mais” do que paga na Caixa Central. “A taxa mais alta que tenho no Fundão é de 2,76 por cento, aqui pago 6,20 por cento”, denunciou o empresário.

António Lopes quer expulsão dos dois sócios que pediram a intervenção

Pese embora o descontentamento de António Lopes em todo o processo, o correiodabeiraserra.com sabe que o empresário não coloca em causa as contas apresentadas pela instituição, mas antes “os critérios da nova gestão”.

Não encontrando um argumento válido que justifique a intervenção, o empresário chegou, anteontem, a sugerir ao presidente da Assembleia Geral – os trabalhos foram conduzidos por Rui Monteiro por motivo de doença de António Vaz Pato – para que alerte a Caixa Central e o Banco de Portugal para a “gestão gravosa”, com o objetivo de cessar a “desastrosa e encomendada intervenção”.

Na opinião de Lopes, a Caixa deve ser devolvida aos sócios, porque em caso contrário, assegura não ver qualquer utilidade na continuidade da cooperativa. “Para comprar dinheiro mais caro, ceder garantias absurdas, passar por discriminações e dualidade de critérios, pactuar com compadrio, não precisamos da Caixa para nada, nem de empatar capital”, referiu, manifestando ainda o seu desconforto pela presença de Armando Lopes.

Este diário digital sabe que, da parte do empresário ficou ainda a promessa de recolha de assinaturas necessárias para convocar nova Assembleia Geral, com o objetivo de expulsar os sócios que “nas costas dos associados e sem qualquer justificação plausível decidiram a intervenção numa atitude de pura traição aos interesses e princípios do crédito agrícola”.

Políticas contabilísticas justificam aumento do crédito vencido

Numa Assembleia Geral onde – conforme apurou o correiodabeiraserra.com – José Carlos Alexandrino, presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital apelou ao bom senso de todas as partes, os administradores provisórios da CCAM justificaram os números constantes do relatório com a alteração das políticas contabilísticas. Este diário digital sabe que Armando Lopes chegou até a referir que um empréstimo onde exista um euro em atraso vai entrar em crédito vencido. O administrador justificou ainda a aplicação de taxa zero a um cliente com a “política social” que é seguida pela CCAM.

Quanto à aplicação de taxas, Jorge Machado avisou que “infelizmente” quem vai ter que suportar a melhoria da situação da CCAM vão ser os clientes, com taxas de depósito mais baixas e de crédito mais elevadas. Sem deixarem de reagir à notícia anteriormente veiculada por este diário digital, os administradores provisórios da CCAM desferiram na direção dos sócios Carlos Oliveira e Sebastião Antunes por denegrirem a Caixa de Crédito na praça pública.

Em reação, os associados fizerem constar aquela declaração proferida por Jorge Machado em ata, tendo em vista a apresentação de uma queixa-crime contra os seus autores. Ainda em resposta à intervenção de António Lopes, o correiodabeiraserra.com sabe que Armando Lopes efetuou uma apreciação negativa relativamente aos resultados das empresas que o mesmo representa.

A atitude do administrador levou a que, durante a manhã de ontem, António Lopes se dirigisse à CCAM para apresentar documentos que atestam a obtenção de um lucro próximo dos nove milhões de Euros, obtido pelo Grupo que representa no ano de 2009.

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