Assembleia Municipal não concorda com suspensão dos IC e aprova moção de reivindicação

 

Os partidos políticos com representação na Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital foram unânimes em considerar “justa” a luta desencadeada pelo presidente José Carlos Alexandrino e não hesitaram em aprovar a moção de reivindicação apresentada pelo autarca, no sentido de “rapidamente ser levantada a suspensão aplicada ao desenvolvimento dos investimentos relacionados com a construção dos Itinerários Complementares (IC) números 6, 7 e 37.

Referindo-se à decisão do Governo como a “mais grave dos últimos anos para o concelho de Oliveira do Hospital e, em geral, para os municípios de toda a região interior centro, a quem a concessão rodoviária interessa”, José Carlos Alexandrino elencou o conjunto de prejuízos que a mesma representa e destacou o facto de os presidentes de Câmara dos distritos de Coimbra, Viseu, Guarda e Castelo Branco já se terem manifestado “a uma só voz nesta questão”.

Aos deputados, o autarca deu conta da diligência de 28 autarcas da região que já fizeram sentir ao ministro das Obras Públicas, Transportes e Comunicações o seu “descontentamento e repúdio pela suspensão dos projectos rodoviários previstos para a região”, ao mesmo tempo que reivindicaram uma audiência “para breve” e que já foi marcada para o dia 8 de Março. Naquela reunião, os 28 autarcas serão representados por uma comissão composta pelos presidentes de Câmara de Oliveira do Hospital, Seia, Viseu e Covilhã.

“Assistimos à falta de solidariedade de todos os políticos e a uma nítida falta de solidariedade entre o litoral e o interior”

Visivelmente contra a decisão do governo, o deputado socialista Carlos Artur Maia manifestou o seu “voto incondicional de apoio” à moção apresentada. “Todos estes IC são expectativas de há muitos anos”, verificou o deputado municipal, sublinhando que “as populações estão defraudadas”, porque pensavam que aqueles itinerários “iriam ser uma realidade este ano”.

Sem deixar de sublinhar o “empenho” do secretário de Estado adjunto das Obras Públicas, Transportes e Comunicações, Paulo Campos – “foi inexcedível na sua vontade”, frisou – para que os IC fossem uma realidade, Maia não hesitou em considerar que a decisão do governo fica marcada pela “hipocrisia política”.

“Assistimos à falta de solidariedade de todos os políticos e a uma nítida falta de solidariedade entre o litoral e o interior”, considerou o socialista que se recusa a acreditar que “os investimentos nos IC seriam tão dispendiosos que pesassem tanto no Orçamento Geral do Estado (OGE)”.

Ainda do lado dos socialistas, Rodrigues Gonçalves apoiou a luta dos autarcas da região, sem no entanto deixar de responsabilizar a “direita” pela decisão do governo.

A interpretação é que não foi bem vista pelo deputado social-democrata José Madeira Dias que, em nome do grupo parlamentar do PSD considerou que “mais do que picardias político-partidárias, este é o momento de união em termos desta questão”.

“Considero os IC fundamentais para esta região e devemo-nos unir”, observou, referindo que “talvez o TGV não seja assim tão importante como alguns troços dos IC”. Madeira Dias expressou o “apoio incondicional do grupo parlamentar do PSD” relativamente à moção avançada por Alexandrino.

Ainda que tenha considerado tratar-se de “uma questão recorrente”, o eleito da CDU, João Dinis verificou que “o essencial é, de facto a defesa desta pretensão”. Lembrando que o OGE “ainda não está aprovado e há possibilidade de haver interferências a nível da Assembleia da República”, Dinis enfatizou o movimento liderado pelo presidente da Câmara de Oliveira do Hospital, que surge neste processo “quase como um pivô”. “Parece-me um movimento significativo e de peso”, sublinhou.

O trabalho que tem vindo a ser desenvolvido por Alexandrino foi ainda reconhecido pelo movimento independente Oliveira do Hospital Sempre. “O presidente da Câmara tem tido uma postura muito vincada”, afirmou José Vasco Campos, dando como certo o apoio “dos independentes” à moção apresentada.

O deputado aproveitou, contudo, para alertar Alexandrino que o “desenvolvimento não é só estradas”, pelo que “é necessária a existência de uma Zona Industrial a funcionar como deve ser”. Indignado com os sucessivos cortes de energia eléctrica verificados na última semana, José Vasco Campos destacou também a importância de “a EDP funcionar bem por aqui”.

Aprovada por unanimidade, a moção vai ser enviada ao primeiro-ministro, presidente da República e a cada um dos grupos parlamentares da Assembleia da República.

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