Neste recanto do “Portugal Profundo” o jornalismo é um pouco como a agricultura: é uma maneira de empobrecer alegremente.

Assim é difícil!

Numa altura em que tanto se fala em liberdade de imprensa, o que temos hoje na faixa interior do país – e salvo muito poucas honrosas excepções – é uma imprensa regional verdadeiramente asfixiada por um garrote financeiro que o Estado Português aperta cada vez mais.

Já uma vez aqui o escrevi, e volto a sublinhá-lo. Hoje, na actual conjuntura, é quase humanamente impossível que um jornal de cariz local ou regional consiga subsistir, em regiões economicamente deprimidas, sem a intervenção do Estado.

E o que é isso da intervenção do Estado, num sector de actividade tão fundamental ao desenvolvimento do país?

É muito simples: ou o Governo põe ordem na casa, e começa a distribuir – com critérios e de forma equitativa – parte do seu bolo publicitário pelos jornais do interior do país, ou então a imprensa regional continuará sempre servil a muitos dos caciques que se instalaram nas autarquias do país e que não sabem distinguir o trigo do joio.

O que também é preciso dizer é que o Estado é o maior cliente publicitário dos jornais, mas o problema é que – tal como as estradas –, as fatias do bolo são quase que exclusivamente distribuídas pela de Lisboa e Porto.

Nos últimos anos, os jornais regionais foram perdendo um conjunto de fontes de receita, pelos simples facto de que a publicação de muitos dos anúncios – relacionados com sociedades comerciais, sobretudo – deixaram de ser obrigatórios. A seguir veio o porte-pago, que qualquer dia quase será extinto.

Ora, num país com os índices de leitura que se conhecem, como é que a imprensa regional vai conseguir subsistir? É difícil!

E agora, a pergunta que no nosso caso concreto, mais nos interessa: como é que o Correio da Beira Serra pode – nestas circunstâncias – encarar o futuro? Eu, pessoalmente, não tenho nenhuma solução, e também confesso que não é legítimo que os oliveirenses queiram ter uma espécie de serviço público pago por um mecenas que já investiu muito dinheiro neste projecto.

É por esta e por outras razões que, hoje, e em face do que aqui ficou escrito, não me resta outra alternativa: vou manter-me em funções no Correio da Beira Serra apenas pelo tempo suficiente para poder assegurar o período de transição do projecto.

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