O presidente da câmara de Oliveira do Hospital foi alvo de várias críticas na última assembleia municipal do ano, mas nem por uma só vez deu a mão à palmatória.

Assim é difícil

Não era obrigatório que o fizesse, mas sabemos que isso não faz parte do seu estilo, porque das duas uma: ou faz dos outros parvos ou, então, a culpa é de todos menos sua.

Criticaram-no pelo facto de uma autarquia permitir que certas obras públicas decorram de forma quase anárquica – nomeadamente as estradas entre Oliveira do Hospital e Felgueira Velha e Lagares da Beira e Meruge – e sob a total passividade do município.

É certo que todas as obras causam transtornos, mas qualquer cidadão com “dois olhos na testa” vê que aquelas empreitadas não só põem em risco a segurança dos cidadãos como são um verdadeiro atentado à segurança rodoviária. Por uma questão de economia de espaço, não vou entrar em detalhes. Os leitores – sobretudo os utentes daquela via – sabem que a as críticas são justas.

O problema é que Mário Américo Franco Alves não gosta que o seu trabalho autárquico seja escrutinado por quem quer que seja. Tem sempre uma defesa e a culpa ou é dos outros ou morre solteira. Ou são os técnicos, ou é o caderno de encargos da obra, onde nem sequer ficou prevista a pintura de uma traço de segurança… ou é o que lhe vier à cabeça no momento!

O senhor presidente da câmara é capaz de vir para a comunicação social afirmar – como ainda recentemente o fez – que quer fazer de Oliveira do Hospital um centro comercial a céu aberto, defendendo que para isso os comerciantes também têm que ser mais agressivos e adoptar uma nova postura. Pois bem, concordo plenamente! Mas chegou o Natal e o tão exigente autarca presenteou-nos com uma das iluminações mais pindéricas que já vi em toda a minha vida.

Pedem ao senhor presidente que coloque um “pouco” de alcatrão no estacionamento em terra batida em frente à Escola Básica Integrada da Cordinha. A reivindicação é justa e não há nada mais fácil: alcatrão até é com ele e, ainda por cima, as máquinas andam por ali perto. Mas o que é que o senhor Alves faz? Faz uma “birra”, como lhe disse este sábado na Assembleia Municipal um deputado da oposição. No entanto, se um dos seus presidentes de junta ou um qualquer cacique lhe soprar ao ouvido – ao balcão do café – que é preciso alcatroar o caminho para a propriedade do senhor fulano de tal, o mesmo senhor Alves é rápido e expedito. Sobre isso, não tenho a mínima dúvida!

Não sei qual é o currículo do presidente que governa a câmara de Oliveira do Hospital. Nunca tive acesso ao seu certificado de habilitações e também não é isso que mais me preocupa, porque não tenho emprego para lhe oferecer. Agora, tenho quase a certeza que uma empresa de capitais exclusivamente privados dificilmente aturaria este modo de estar do autarca de Oliveira do Hospital, porque o senhor Alves em vez de aprender com os erros, insiste em repeti-los.

Se Sigmund Freud fosse vivo – e embora a tarefa fosse difícil –, tenho a sensação que não resistiria a tentar compreendê-lo no seu célebre divã. Já no caso de Sócrates, o tal da célebre e inteligente frase “só sei que nada sei”, duvido que lhe desse um minuto de atenção.

Como só somos felizes quando contribuímos para a felicidade dos outros, aqui fica nesta crónica a contribuição do Correio da Beira Serra, que pretende sempre contribuir para uma vida melhor neste recanto do planeta. O “nosso Pai Natal” diz na capa desta edição: “a vida está difícil”. Mas, valha-nos a esperança de dias melhores. Tenham um Natal Feliz e um bom ano de 2009.

Henrique Barreto

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