Assis: “É um modelo de partido que não é o meu, não me reconheço”

Francisco Assis explica, em entrevista ao DN de hoje, o que o levou a abandonar, sem aviso prévio, abandonou o XX Congresso e prescindiu de qualquer lugar nos órgãos nacionais do partido. Não apreciou o discurso de Ferro Rodrigues, classificando-o de “absolutamente lamentável”, nem a prestação de Carlos César. Assis explica ainda na entrevista que, no seu entender, é “um absurdo” alimentar a esperança de alianças do PS com o PCP ou o BE.

“É claramente um partido com uma linha de orientação mais à esquerda do que aquele que eu preconizaria. Não seria da minha parte um acto de seriedade estar a participar numa lista conjunta aos órgãos nacionais, quando tenho as maiores reservas sobre esta linha de orientação política e estratégica”, afirma o ex-líder parlamentar do PS e actual eurodeputado. “É um modelo de partido que não é o meu, não me reconheço”, sublinha para ter abandonado os trabalhos logo no sábado. Mas considera que o seu afastamento é “com toda a lealdade”.

No encerramento do XX Congresso, o líder do PS, António Costa, recorde-se, fez um discurso em que recusou o bloco central, que classificou como “empastelamento”. o novo secretário-geral reiterou o objectivo de ter uma maioria absoluta e sublinhou que “não é possível ser alternativa às actuais políticas com quem quer prosseguir as actuais políticas”, sublinhando que “não é um problema de nomes” dos protagonistas mas “um problema de políticas”.  E alertou o PCP e BE que não contem com os socialistas para se manterem numa posição de protesto se não resolverem trabalhar “também trabalhar para a solução”.

Antes, já algumas figuras tinham desvalorizado a atitude de Assis. Mário Soares, à chegada à Feira Internacional de Lisboa, hoje de manhã, onde foi recebido com muitos aplausos, foi claro: “Não há divisões nenhumas”, declarou, sublinhando mesmo que  este foi um Congresso que deixou o partido “fortíssimo”. O presidente do PS, Carlos César, também procurou minimizar a saída de Assis e considerou natural algumas divergências de “um camarada, dois, três”, quando foi questionado dobre a atitude de Assis. Carlos César preferiu destacar a renovação directiva e unanimidade da moção de António Costa. “Francisco Assis é um dos mais notáveis e importantes militantes do partido. Tem dado a sua contribuição, nem sempre de forma contínua, mas continuará a dá-la, tanto mais que tem a responsabilidade de representar o PS e os eleitores portugueses no Parlamento Europeu”, explicou Carlos César, hoje, à entrada para o regresso aos trabalhos, na Feira Internacional de Lisboa (FIL).

Foto:coimbra-franciscoassis.blogspot.com

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  • Combate
  • Guerra Junqueiro

    Costa não tomou partido pela ala socratista; ele é o subchefe ou, melhor dizendo, o chefe interino do socratismo. Ao impedir que os seguristas entrassem no secretariado e ao humilhar Assis, impedindo-o de discursar, António Costa mostra, mais uma vez, que é uma personagem maquiavélica, também ela a roçar a sociopatia, que vive politicamente do eterno estado de graça que os jornalistas e comentadeiros de esquerda – isto é, quase todos os que pontificam e peroram nas televisões – lhe garantem. Quem conhece Costa de perto, sabe que ele é uma persona que mistura a sociopatia do chefe da seita com a sociopatia do fundador da mesma. Como governante, é um desleixado, sempre atrasado, carregado de promessas que nunca cumpre, fora da realidade, enredado na realidade paralela que ele e o seu séquito constroem para manter a turba de esquerda, isto é, os portugueses que vivem do orçamento do estado e que que se alimentam do erário público e à custa dos contribuintes líquidos.
    António Costa fez o que se esperava que o número dois do socratismo fizesse. Ele é a persona que, dentro do partido socrático, mais garantias dá de ganhar as eleições, graças ao apoio entusiástico da matilha que controla os media. Para um partido que se habituou a ser “dono disto tudo” e que partilha a ética de que os padrões e normas de comportamento que se aplicam aos portugueses vulgares não se pode aplicar aos donos do regime, porque estes, pela sua missão e origens, estão acima da lei, António Costa (O Caneco) garante três coisas essenciais ao bando que controla o Partido Socratista: a libertação do verdadeiro chefe, retoma do controlo do topo das magistraturas e licença para continuar a roubar os portugueses e o país.
    O congresso do PS reafirmou o carácter criminoso da quadrilha que controla o Partido Socratista e essa reafirmação uniu quer os fundadores do clã – os soaristas -, quer os actuais mandantes. A única forma de derrotar estes quadrilheiros que querem continuar a afundar Portugal é mantê-los longe do Governo.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

    • Politicalex

      E, como sui dizer-se: ” As putas ao poder que, os filhos já lá estão”..! Este Costa, no limíte, só pode envergonhar as putas, que, se alguém prejudicam , só se for a elas próprias..! Este Costa, quer prejudicar-nos a todos..! Começou logo por pedir para se encobrirem os ladrões, para ver se ninguém lhe diz que é um deles..! Vais ter um futuro lindo… vais…

  • Guerra Junqueiro

    E agora PS?

    Já não há paciência para o uso e abuso de certos chavões na política portuguesa. Um deles – que escuto desde miúdo, há 40 anos – é a necessidade de “virar o PS à esquerda”.

    Isto encerra dois equívocos.
    Primeiro: desautoriza a identidade dos socialistas como força política de esquerda, por sinal aquela que é desde sempre a mais votada neste segmento.
    Segundo: pretende arrastar o PS para fora do eixo governativo, tornando-o um partido inútil.
    A verdade é que, em quatro décadas de democracia, os socialistas sempre governaram ao centro – ou não governaram de todo. Todas as cisões “pela esquerda” ocorridas no partido – desde a primeira, com Manuel Serra, logo após o congresso inaugural, em 1974 – não conduziram a lugar algum.
    Mário Soares sabia disto como ninguém: nas duas ocasiões em que chefiou o Governo, nas décadas de 70 e 80, concretizou este objectivo aliando-se à direita – primeiro com o CDS, depois com o PSD.
    António Guterres, que nunca obteve maioria no Parlamento, viu os seus orçamentos viabilizados não pela esquerda mas pelo centro-direita, alternadamente, com Manuel Monteiro ou Marcelo Rebelo de Sousa.
    E José Sócrates, fiel à letra e ao espírito do Tratado Orçamental, nunca deixou de ser um dos políticos predilectos de Angela Merkel – facto que alguns dos seus mais fiéis discípulos tentam fazer esquecer por estes dias. De resto, na segunda legislatura sob o seu comando, o ex-primeiro-ministro socialista só conseguiu governar porque o PSD, com Manuela Ferreira Leite e Pedro Passos Coelho, viabilizou dois orçamentos do Estado.
    A auto-intitulada “verdadeira esquerda” fechou-lhe a porta com o estribilho de sempre: o PS “pratica políticas de direita”.
    Esquecer tudo isto é ignorar deliberadamente a contínua obstrução que as forças colocadas à esquerda dos socialistas sempre fizeram à acção governativa do PS, erigido em permanente adversário principal. Não deixa de ser irónico, portanto, que Francisco Assis seja agora o maior alvo das críticas internas no partido que acaba de sufragar a orientação política de António Costa por um voto quase unânime.

    Qual é o seu delito de opinião?
    Defender, como prioridade para o PS, aquilo que Soares sempre praticou: o bloco central revisitado. Algo que alguns actuais expoentes da “ala esquerda” do PS, como Ferro Rodrigues – e outros, como Vera Jardim, Vítor Ramalho ou o ex-presidente Jorge Sampaio -, defenderam no passado.
    Assis – dotado de visão estratégica – revelou para já o mérito de ter sido o único socialista de primeiro plano a anunciar que o rei vai nu. Por outras palavras, a dizer algo óbvio mas que agora quase todos recusam reconhecer: que a “viragem à esquerda” levará o PS a esbarrar contra a parede.

    Cumprimentos
    Guerra Junqueiro

  • Privilégio

    A girl do PCP que se reforma aos 47 anos.

    Lusa: PCP demarca-se do pedido de reforma da autarca de Palmela e diz que não concorda com a lei.
    “O gabinete de imprensa do PCP diz tratar-se de “uma decisão pessoal, com as responsabilidades individuais daí decorrentes quanto ao seu esclarecimento, independentemente das prerrogativas que resultem da aplicação de critérios legais em vigor”.

    O deputado e presidente da distrital do PSD de Setúbal, Pedro do Ó, não põe em causa a legitimidade da reforma de Ana Teresa Vicente, mas salienta o facto de se tratar de uma autarca do PCP, partido que muito tem protestado contra os privilégios da classe política.

    “A única coisa que posso dizer é que a senhora presidente de Palmela tem sido eleita pelas listas da CDU, um partido que tem falado sempre muito contra as regalias e privilégios dos políticos. São dois pesos e duas medidas”, disse.

    Ler mais: http://expresso.sapo.pt/a-igir