Associação salva escola de referência no ensino de música em Oliveira do Hospital e promete dar alento ao panorama cultural concelhio

Surgiu em “apontamentos num guardanapo” pelo génio de Rui Marques, corria o ano de 2009. Superando muitas dificuldades, daqueles apontamentos nasceu a Academia de Música OHphicina das Artes, uma escola que ao longo dos anos adquiriu um prestígio ímpar no ensino da música. Cresceu rapidamente. A chegada da “Troika”, porém, retirou-lhe a capacidade de subsistência. O empenho de Rui Marques deixou de ser suficiente para suportar todos os encargos. Pairou no ar a possibilidade de encerramento. Mas, muitos oliveirenses, consideraram que aquela instituição era demasiado valiosa para se perder. Como solução nasceu a Associação Cultural de Oliveira do Hospital, cujos objectivos e corpos sociais foram apresentados este sábado num repleto auditório da Caixa de Crédito Agrícola. Sem merecer, porém, atenção por parte do executivo da autarquia oliveirense que primou pela ausência. A própria vereadora da cultura, Graça Silva, convidada para a cerimónia e para participar no debate subordinado ao tema “Cultura em Diálogo”, optou por não comparecer, responder ou enviar alguém em representação do município.

_DCS0012 (Small) “A OHphicina das Artes a única coisa que partilha com o município é o cavalo que se encontra no símbolo de ambas as entidades”, começou por referir Rui Marques, lembrando que este sempre foi um projecto independente. “Nunca nos foi dado um cêntimo de subsídio. Mas também foi ponto de honra nesta casa tratar a música de uma forma séria e não ser subsídio dependente”, sublinhou, acrescentando que a escola oferece certificações internacionais através das prestigiadas instituições ABRSM e Rockschool, que trazem alunos de outras instituições de outras localidades a Oliveira do Hospital para prestar os necessários exames. “Conseguimos os nossos objectivos e é com prazer que vemos os nossos alunos hoje seguirem para diversas bandas, cursos profissionais ou mesmo superiores ligados à música”, contou ainda Rui Marques que está a ultimar a sua tese de doutoramento e doou todo no material de que era proprietário na OHphicina das Artes à nova associação._DCS0013 (Small)

Foi a melhor solução que encontrou para amortecer os danos causados pela crise que deixou apenas três soluções para a escola. A primeira seria pura e simplesmente encerrar. A segunda aumentar os preços para níveis de outras escolas do género, algo que Rui Marques considerou inaceitável porque iria transformar o ensino demasiado elitista. A terceira: criar esta associação. “Com esta opção existem várias vantagens, desde logo em termos fiscais, uma vez que já não obriga a reflectir determinados impostos, como o IVA, nas mensalidades dos alunos. Depois ganha em termos de relação com a autarquia, por exemplo, no acesso a espaços públicos”, explicou o fundador da OHphicina das Artes, garantindo que a nova orgânica mantém os professores e o pessoal administrativo que já colaboravam com a OHphicina.

A recém-constituída direcção da nova associação, que está na fase de angariação de sócios, sendo que a anuidade será de 12 euros, não esconde que um dos pilares fundamentais passa por preservar a competência de ensino musical que aquela escola oferece aos seus alunos, uma qualidade que ficou demonstrada com a interpretação de pequenos momentos musicais por parte dos seus alunos. Momentos que não deixaram ninguém indiferente. Mas a nova entidade porém quer ir mais longe. Tem nos seus objectivos alargar o âmbito promoção sociocultural no concelho, ampliando a colaboração com outras instituições.

_DCS0015 (Small)“Não temos dúvidas que há espaço para mais esta associação que vai ter várias actividades como a formação em diversas áreas da cultura, abrangendo a música, o teatro, a dança, a etnografia, as artes plásticas, o cinema, a fotografia, o design, o vídeo e a literatura, bem como outras formas de comunicação e expressão. Estou certa que terá um futuro brilhante”, disse Maria José Freixinho que faz parte dos novos corpos sociais, defendendo um intercâmbio com as restantes instituições do concelho. Já o presidente da nova Associação Cultural de Oliveira do Hospital, Ricardo Marques, sublinha que a associação vai aumentar a oferta cultural na cidade. O elemento da JS e eleito municipal, André Pereira, também levantou a sua voz da plateia para reconhecer que a nova instituição não só tem espaço para existir, como é um elemento fundamental para a cultura no concelho.

A recém-criada Associação Cultural de Oliveira do Hospital conta já com um vasto programa em várias _DCS0009 (Small)áreas culturais e espera a contribuição de todos. “O principal objectivo é contribuir para a discussão da realidade cultural concelhia, tomando como ponto de partida os contributos de autarcas, dirigentes associativos e profissionais de áreas da cultura como o ensino artístico, a história, o turismo e a etnografia”, explica a direcção da nova associação criada em Setembro do ano passado e que se diz independente do Estado, dos órgãos autárquicos, dos partidos políticos, das organizações religiosas ou de quaisquer outras organizações. “Tem como objecto a promoção sociocultural, através do fomento da prática artística e pedagógica e do desenvolvimento das novas tecnologias da comunicação e da informação”, notam ainda.

_DCS0011 (Small)A formação em diversas áreas da cultura, abrangendo a música, o teatro, a dança, a etnografia, as artes plásticas, o cinema, a fotografia, o design, o vídeo e a literatura, bem como outras formas de comunicação e expressão são temas a que a Associação Cultural de Oliveira do Hospital pretende estar atenta, bem como à investigação, produção e edição de trabalhos, naquelas áreas, com recurso às novas tecnologias e em suporte escrito, fonográfico, videográfico e on-line. Merecem também destaque a promoção de projectos de cariz sociocultural para a infância, juventude, adultos e terceira idade, sensibilizando a comunidade para a cultura, cidadania e estilos de vida saudáveis e intervindo na defesa e divulgação do património cultural e natural da Região Centro do País.

LEIA TAMBÉM

IP reforça meios de prevenção e limpeza de gelo e neve nas estradas da Serra da Estrela com novo Silo de Sal-gema na Guarda

A Infra-estruturas de Portugal (IP) instalou na Guarda, um novo silo de sal-gema com capacidade …

Incêndios causaram mais de 10 milhões de euros de prejuízos em Seia

Os prejuízos financeiros causados pelos incêndios dos dias 15, 16 e 17 de Outubro no …

  • Oliveirense

    É bom que existam associações culturais. É bom que se desenvolva a cultura e as artes. Mas seria melhor que deixassem de existir os compadrios. Seria bom que as pessoas ao crescerem não esquecessem as origens, os apoios… Talvez não seja apenas o cavalo que a escola partilha com o município. Talvez partilhem umas centenas ou milhares de euros que foram investidos pela câmara para a apoiar o projeto Ohphicina das artes. Certo que ganhou. Mereceu o premio. Errado dizer que não dependeu de subsídios. E até de apoios de uma ou duas empresas do concelho. Nunca se deve negar o que nos dão, sobretudo o que foi dado à frente do povo. A humildade é o caminho da vitória. Nunca devemos esquecer de onde viemos e quem nos ajudou para saber para onde vamos. À asscoiação, votos de bom trabalho e muito sucesso.

  • António Lopes

    Nem comento…Oliveirense: Tenho o maestro Rui Marques por pessoa idónea.Tenho muita dificuldade em entender a ausência do executivo Municipal.E como não gosto de desmentir ninguém e o comentário está demasiadamente bem escrito, para ser inocente, e escrito por inocente, lamento muito o habitual anonimato.Assim, é difícil.Os anónimos têm sempre razão pois são anónimos. Perante isto, repito, tenho o maestro Rui Marques por pessoa idónea..! E se ele disse que é só o Cavalo..??? O senhor diz que são umas “centenas de milhar”…Olhe que para “caga milhões” já há..! Esclareça lá isso e assuma-se
    Entretanto parabéns pela iniciativa,pela escola e pela nova Associação. Agradecer o convite a que não correspondi, por estar no Estrangeiro.Naturalmente mais um sócio.

  • Oliveirense

    Sr. António Lopes, convido-o a rever a origem da ohphicina das artes. O Sr. Rui Marques, como pessoa idónea, não se irá opor a relembrá-lo do prémio ganho. Quanto ao meu anonimato, apenas o faço por uma questão de privacidade. Não tenho por objetivo estragar o negócio de ninguém. Inocente não sou. Mas gosto que as coisas sejam esclarecidas. Afinal, o que não falta por ai é quem nos deite areia para os olhos.Uma pequena correção. não falei em centenas de milhares, mas sim, centenas ou… volto a frisar, “OU” milhares de euros. É tudo uma questão de consultar o valor do premio por ele recebido. A escola nasceu de um projeto que a CM tinha para criação de novas empresas se está recordado. E recebeu um premio. A que teve direito. Não contesto. Apenas seria correto por parte do Sr. Rui Marques assumi-lo, em vez de dizer que não teve apoios. A falta de humildade e o excesso de arrogância não são de bom tom, nesta circunstância e, do meu ponto de vista em circunstância alguma. E mais uma vez faço votos para que a associação tenha um futuro risonho e que promova de forma digna a cultura oliveirense.

    • Antero Silva

      O senhor Rui Marques fez questão de referir, logo no início da sua intervenção, esse prémio conquistado no derradeiro ano do mandato de Mário Alves, e que permitiu dar os primeiros passos na formação da escola. Oliveirense, para sua informação, esse valor foi de 10 mil euros. Quanto vale hoje a a OHphicina das Artes e o material que Rui Marques vai doar ou doou à Associação? Melhor seria que falasse do dinheiro que tem sido desperdiçado nestes mandatos de Alexandrino em projectos que só se sabem que existem para recolher fundos? De resto, é uma vergonha a Câmara não se ter feito representar na cerimónia. Como é uma vergonha a sua atitude de se manter anónimo. Não é por privacidade. É por cobardia. Opções.

      • Oliveirense

        Sr. Antero, sei muito bem qual foi o valor. Única e simplesmente não tenho que o referir. Não me compete a mim fazê-lo. Ainda bem que acha que é uma vergonha o anonimato. Mas o que digo aqui, já o disse inúmeras vezes em público. Ao contrário de algumas pessoas, o que digo aqui, digo-o na frente. Não dou “palmadinhas nas costas” pela frente e não vou criticar a seguir por trás! Como é hábito da maioria. E isso sim, é cobardia!!! Tenho dito. e não teço mais comentários, independentemente das provocações que façam. Altruísmo e veracidade. É o que falta! Egocentrismo e “fanfarronismo” (como diz o povo), há de sobra! Cada um com a sua opinião.

    • António Lopes

      “Oliveirense”: Registo o esclarecimento.Como há, ou havia, 20 853 Oliveirenses registados no censos, pensei ser mais um “Oliveirense”.Algo me disse no escrito que não era um Oliveirense qualquer.Suspeitei até, ser o Oliveirense que eu conheço, como tal… Daí a insistência e a provocação.Perante a senha e a contra senha,manda a prudência que me esclareça.E sabe que prezo o esclarecimento, completo e profundo. Parece haver duas verdades para o mesmo facto.Coo sabe, a verdade é subjectiva.Vou ver se formo a minha, no assunto. Com isto não retiro nada do que disse quanto ao maestro Rui Marques nem há obra que tem realizado.Como continuo a lamentar a ausência do executivo.

  • Luís Silva

    Rui Marques, 11 de junho de 2010 ao Correio da Beira Serra:

    “É urgente fazer uma planificação cultural no concelho, porque continua a
    não existir”, sublinhou Rui Marques, entendendo que é importante
    começar a atrair as camadas mais jovens da população. Paralelamente, o
    responsável pela Ophicina das Artes detecta também “ a falta de
    iniciativas privadas”. “A generalidade das pessoas acha que devem ser as
    autarquias a fazer. Quando não se faz nada, criticam e, quando se faz
    alguma coisa, não vão ver”, lamentou o especialista em música, que
    espera envolver a Ophicina em vários eventos culturais.

  • João Albuquerque

    Quanto foi o valor que esta e a anterior vereação fizeram chegar à OHphicina das Artes?
    Quanto já deu Rui Marques a Oliveira do Hospital através da OHphicina das Artes?
    Um Maestro dando um ensaio por semana a uma banda leva no mínimo 200€ por mês, ora só nas legislaturas de José Carlos Alexandrino são mais de 72 meses, o que equivale 14.400€. Mas Rui Marques deu muito mais, fez músicos, promoveu a cultura concelhia.
    Quando temos uma vereação pouco culta ou mesmo ignorante, é isto que acontece, têm que ser os interessados pela cultura concelhia a agarrar e a resolver os problemas.
    Entretanto vamos vendo o “Gordo” Fernando Mendes na promoção cá do burgo.
    “Tá fixe”, isso é que interessa.

    João Albuquerque