Associativismo: Associação Cultural e Desportiva de Lourosa

Se for de visita à sede da freguesia, deve procurar a “guardiã do Templo” – a tia China – que, se não estiver por perto, há-de aparecer logo que faça soar duas vezes o sino da campanário. Mais adiante, à saída da aldeia, na estrada que junta os concelhos de Oliveira do Hospital e Arganil, na direcção do Barril de Alva, do lado esquerdo, vai encontrar um complexo desportivo e lazer, inaugurado em Julho de 2007,onde pode praticar futebol de onze ou futsal, e usufruir do parque de merendas a seu contento. O complexo desportivo pertence à Junta de Freguesia que, segundo o presidente Américo Figueiredo, se prepara para dotar o recinto com algumas benfeitorias indispensáveis: cozinha, bar e casas de banho.

O campo de futebol, com excelentes condições para a prática da modalidade, é a “casa” da Associação Cultural e Desportiva de Lourosa, que acaba de terminar o campeonato do Inatel em quarto lugar. As reuniões da direcção do clube realizam-se num dos balneários, e as taças, ganhas com talento e muito suor, estão à guarda da viúva do fundador do clube.

O empenho bairrista do falecido António Luís Quaresma fez com que o clube “abrisse” as portas em 1976, segundo uns, no ano seguinte opinam outros. Importa o que a história regista, pela vontade de António Quaresma (e de outros conterrâneos) que não se limitou a implementar o desporto: deve-se ainda ao seu espírito dinâmico a fundação do rancho “As Camponesas de Lourosa”, actualmente desactivado.

A Associação Cultural e Desportiva de Lourosa (A.C.D.L) vive da dedicação de alguns amigos, com Nuno Sousa na presidência da direcção, coadjuvado pelo Vítor Marques (tesoureiro), José Carlos Godinho (secretário), António José Lopes, João Pinto e José Luís Morgado (vogais); o treinador da equipa é outro filho da terra: José Carlos Quaresma.

Findo o mandato, haverá eleições por estes dias, mas a vontade da maioria dos dirigentes não garante a continuidade ao trabalho que têm vindo a desenvolver com algum destaque. O presidente é o porta-voz do grupo:

– “O nosso mandato terminou em Dezembro, mas não se apresentou nenhuma lista, e nós achámos por bem continuar até esta altura porque estávamos empenhados no campeonato e não queríamos deixar as coisas a meio. Agora que o campeonato acabou, temos de escolher outras pessoas, eu vou sair, haverá mais alguns que também não podem dar o seu contributo, mas havemos de encontrar uma solução na próxima assembleia-geral. O que importa é que o grupo se mantenha coeso, jogadores e treinador, e isso, à partida, está garantido”.

O comércio não apoia porque… não existe 

Sem sede própria, as reuniões da direcção realizam-se num dos balneários e a próxima assembleia, diz o presidente, “… deve ser na sede da Junta, se o presidente não se importar…”.

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital subsidia a equipa com dois mil euros, o bar sempre ajuda com alguma receita, patrocínios, só na época anterior, a Junta de Freguesia empresta a carrinha quando a equipa joga no campo do adversário, e “…é só”!

O comércio não colabora porque… não existe! O último café, perto da Igreja, encerrou recentemente. E a feira periódica, que era por tradição das mais importantes da região, também pertence ao passado…

Naturalmente, aqui fala mais alto o amor ao clube e ao desporto, não há dinheiro para distribuir por quem quer que seja….

O parque, com o valor das obras a rondar os oitenta mil euros, suportadas pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, depois dos pequenos melhoramentos, ficará com excelentes condições para outro tipo de actividades lúdicas.O lado profano da festa do Corpo de Deus deixou a sombra do velho carvalho e mudou-se para o novo local, o “Dia da Criança” mereceu atenções e cuidados no parque – importa, no futuro, que o povo continue a tirar partido das infra-estruturas que a Junta tem à sua disposição.

O futsal, certamente fará parte do plano de actividades da nova direcção da A.C.D.L.

O presidente Nuno Sousa acredita no próximo futuro:

– “Ainda não organizámos nenhum campeonato, mas já apoiámos financeiramente a equipa do clube em dois torneios, um de futsal e outro futebol de sete. Logo que as obras fiquem prontas (bar, cozinha e casas de banho públicas), acredito que sim, havemos de ter o nosso torneio”.

Enquanto a equipa de futebol se mantiver nos campeonatos do Inatel, diz o Nuno Sousa, “…conseguimos manter o equilibro financeiro do clube, mas sonhar em subir e competir nos distritais… é impensável”!

Sem sede própria, onde guarda o clube os troféus que enriquecem o património do clube e avivam memórias? – “Os nossos troféus, na maioria, estão na casa da viúva do nosso fundador. Mas já tivemos a sede numa loja há muitos anos, por baixo da casa da dona Albertina”.

Carlos Alberto

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