Associativismo: Coral de Sant’ Ana

e recriar temas populares do concelho e região. Trinta anos volvidos, continua a cumprir-se o espírito da letra, acrescido de um pormenor, não menos importante: divulgar o concelho de Oliveira do Hospital fora de portas, além fronteiras, como aconteceu, por exemplo, em Macau, Itália., Espanha, França e Áustria.

Em Dezembro do ano passado, o Coral de Sant’Ana recebeu “em sua casa”o Corale Polifónica Marcellinense, de Marcellina – Roma, além do Grupo Coral de Mira. Há momentos inolvidáveis – este foi um deles!

O grupo italiano veio retribuir a visita da embaixada oliveirense a Itália. O sucesso alcançado durante a “tournée” continua vivo na memória de todos os coralistas. Manuel Fidalgo, actual presidente, recorda:

– “Todas as idas ao estrangeiro são momentos marcantes na vida do nosso Coral, mas o ano em que fomos a Itália, onde estivemos uma semana, e depois a Macau, em 1998, talvez tenham sido dos mais importantes. Não se pode dizer que o nosso grupo seja muito viajado, mesmo assim já actuámos em Espanha, por diversas vezes, França, Áustria, e, como disse, Macau e Itália, aqui por duas vezes, o que me parece ser significativo”.

O maestro, Carlos Lopes, dirige o Coral há mais de vinte anos. A ele se deve a harmonia musical e a escolha do reportório, onde estão incluídos alguns temas da região:

A arte do canto

– “O doutor Carlos Lopes recolhe os temas e faz os arranjos da maioria das peças que cantamos. O reportório é bastante diversificado, inclui música sacra, de diversas origens, e profana. Participamos com frequência em missas e festas religiosas, mas como actuamos em festivais e concertos, cantamos outras peças, alguns clássicos estrangeiros e outros nacionais, onde, por exemplo, surgem dois temas do Zeca Afonso…”.

Longe vai o tempo em que o Coral não tinha local próprio para residir; a partir da altura em que se transferiu de “armas e bagagens” para o primeiro andar do edifico da Segurança Social, ex – Casa do Povo, melhoraram as condições de trabalho; às sextas-feiras, como escreveu Liliana Lopes nas páginas do Correio da Beira Serra “… a lição está estudada, as regras definidas e a disciplina impera entre os coralistas que trocam os olhos entre a pauta de música e a figura do regente. Não há margem para dúvidas, o sistema é o mesmo desde há 25 anos…”.

Cerca de cinquenta coralistas cumprem o ritual de sempre: afinam os tons das vozes de modo a que tudo esteja muito perto da perfeição. Não importa o local onde vão actuar nem a ocasião, o empenho do grupo é sempre o mesmo. Sendo um grupo amador, o prestígio é fruto do trabalho do colectivo, onde se fomenta a amizade e se pugna pela diferença, qualitativamente superior aos demais.

Sem verbas próprias, explica o presidente, o Coral de Sant’Ana conta com o auxílio da Câmara Municipal para fazer face aos gastos:

-“Para além da ajuda que a Câmara nos concede, não temos outras receitas. Os sócios são os próprios coralistas; às vezes, numa ou noutra actuação específica presenteiam-nos com algum dinheiro, mas não temos nenhum “cachet” estipulado. Nas viagens ao estrangeiro, é ainda a Câmara Municipal que nos subsidia as viagens e o resto é por conta de quem nos convida. O Coral suporta outro tipo de despesas, os trajos, por exemplo”.

A anterior presidente da direcção, Ana Maria Silva, já tenha deixado o alerta: o Coral precisa de gente nova!

Agora, Manuel Fidalgo referencia a questão como prioritária:

-“O Coral está bem, mas precisa de ser renovado com a entrada de novos elementos, de modo a que os mais velhos na instituição possam pensar na “reforma”, com a certeza de que os seus lugares serão preenchidos.

“Pertencer a um grupo tão específico como o nosso requer alguns atributos técnicos, que passam pela qualidade e segurança vocal. Por vezes, aparecem interessados, mas, com muita pena nossa e do maestro, apesar da sua vontade, não reúnem o mínimo de condições exigidas. Por outro lado, os muito jovens ainda não têm a voz na sua plenitude, portanto não é fácil encontrar pessoas para os diversos naipes de vozes. Como presidente da direcção e coralista, confesso que isso me preocupa, não pelo receio de o grupo ficar sem elementos, porque quem está continua a desempenhar o seu papel com vontade e o rigor da qualidade, mas em relação ao futuro, a médio prazo, que pode levar alguns coralistas a um enorme sacrifício”.

O Coral de Sant’Ana reúne, na verdade, um grupo de pessoas amantes da arte do canto, alguns vêm dos primeiros tempos, quando ”… ainda eram poucos “, e só o gosto pela música faz com que se mantenham fieis à causa, além do convívio, pormenor (importante!) que continua a fazer jus aos estatutos.

– “O grupo honra o concelho em qualquer parte; atrevo-me a dizer – acrescenta Manuel Fidalgo – que é um digno embaixador de Oliveira do Hospital”.

Agora que está reformado, o presidente vive intensamente o seu concelho, a ponto de se “desdobrar” em várias actividades.

Além de deputado à Assembleia Municipal e presidente do Coral, é director da Tuna Penalvense. Nas horas vagas, ainda consegue tempo para cuidar do seu quintal.

-“ Tenho tempo para tudo, e como não gosto de estar parado, enquanto puder, vou continuando neste ritmo…”.

Carlos Alberto

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