Associativismo: Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense

A outra, identifica a instituição e mostra o ano em que foi fundada: 1866, pela persistência do obreiro Bernardo da Costa Godinho Sampaio e Melo.

Vasco de Campos deu corpo ao hino: “…O nosso amor pela arte / um sonho lindo encerra / levantar por toda a parte / a fama da nossa terra…”. Avô é muito mais do que a airosa praia fluvial; terra do poeta / guerreiro Brás Garcia de Mascarenhas (1596/1656), o seu solar quinhentista, em fase de reconstrução, recorda-o; sobe-se ao castelo e deixa-se a imaginação à solta, que pode recuar à ocupação romana, avançar ao tempo de D. Afonso Henriques… um nunca mais acabar de História viva!

O pelourinho, século XIV, a Ermida de S. Miguel, século XVI, são dois dos monumentos que Vasco de Campos certamente “associou” à “… fama da nossa terra”.

Em Agosto próximo, a Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense completa 143 anos de actividade ininterrupta. Na opinião do”mestre” Mário Luís da Costa, os melhores tempos da Filarmónica aconteceram durante as ”Europeades” (encontros culturais) que tiveram lugar em Espanha, Dinamarca, Bélgica e França, em 1986 e 1987.

Como acontece um pouco com todas as congéneres da região, o maior problema da “Banda” é a falta de executantes nas fileiras; a “escola de música” conta apenas com quatro jovens aprendizes, “…o verão e o rio afastam os adolescentes deste tipo de actividades…” – opina o maestro, com a concordância do vice-presidente da direcção, Armando Carvalho; os incentivos são poucos, e dos pais nem sempre vem um pequeno “empurrão”, que leve os mais pequenos a continuarem a tradição. Mais do que um lamento, é a constatação de uma realidade.

Mário Costa questiona o futuro e deixa um apelo:

– “Incentivem os filhos para que participem na vida desta centenária instituição. O futuro da Filarmónica está na juventude; se assim não for, vejo tudo muito tremido. Estou aqui há vinte e três anos, já formei mais de trinta elementos, e desses só uma meia dúzia está connosco”.

“Um ideal de beleza”

São vinte e oito os filarmónicos que honram as cores da “Banda”. Em tempo de crise e com poucas “festas” contratadas neste período, por norma de maior actividade artística, mesmo assim, não passa pela ideia de quem quer que seja que a Filarmónica passe por dificuldades que ponham em causa a sua sobrevivência.

Se para Mário Costa dá que pensar a falta de executantes, Armando Carvalho acentua a questão financeira:

– “Com mais ou menos dificuldades, vamos conseguindo resolver alguns dos habituais problemas; o mais grave é a falta de dinheiro para fazer face às necessidades maiores, como a aquisição de novo fardamento, por exemplo, e se não tivermos ajudas, tal não é possível; esperamos que a Câmara Municipal (de Oliveira do Hospital) colabore, como já o fez no restauro da nossa sede, bem como a Junta de Freguesia, Sociedade de Defesa e Propaganda de Avô e o povo em geral”.

Espaçosa e funcional, a sede da Filarmónica é, sem dúvida, um belo edifício, implantado no “coração” da vila. Uma parte do primeiro andar está reservada ao museu da instituição.

Na opinião do vice-presidente, o instrumental em uso não precisa, no momento, de grandes cuidados…

O mandato dos actuais corpos sociais termina no final deste ano, é possível que surjam mudanças no elenco; nada ainda foi discutido,”… mas é bom que haja renovação” – diz Armando Carvalho.

Há o reconhecimento do dever cumprido nos aspectos essenciais, onde se realça, uma vez mais, as obras de vulto nos antigos paços do concelho, inauguradas em 2005.

Depois dos necessários acertos, a instituição contabilizou cerca de setecentos sócios activos, número que se mantém estacionário.

Por mais de uma vez foi referido o nome do presidente da Câmara, Mário Alves, como pessoa sempre disponível para colaborar com a Filarmónica. Espera-se que responda positivamente ao apelo da direcção: a “Banda” de Avô precisa de fardamento novo!

Volto ao hino e às palavras do doutor Vasco de Campos:
“Nascidos na doce calma / duma aldeia portuguesa / sentimos vibrar na alma / um ideal de beleza…”

A actual direcção da Sociedade de Recreio Filarmónica Avoense tem a seguinte composição: Presidente, José Gonçalves da Silva: vice-presidente, Armando Fonseca Carvalho; secretário, António da Silva Antunes; 2º secretário, Carla Filipa Costa Rodrigues; tesoureiro, Constantino Conceição Fonseca; vogais: Armando da Costa, Rui Herculano Costa Neves e Luís Ricardo Santos Gonçalves.

Carlos Alberto

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