Autarca de Alvôco de Várzeas testemunha em processo TDT movido por trabalhadores da RTP

A queixa apresentada este mês junto do Ministério Púbico pela Comissão de Trabalhadores da RTP contra a TDT, por implicar a “falta de equidade a nível nacional” e “interesses difusos dos cidadãos/consumidores” já começou a ter efeitos práticos.

Aquela instância judicial já tomou uma primeira decisão favorável e chamou a testemunhar as individualidades arroladas no processo designado por “Escândalo TDT”.

Tal vai acontecer na próxima segunda-feira, 23 de janeiro, data em que o presidente da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas terá oportunidade de expor os argumentos a que tem vindo a dar voz, desde há alguns meses, relativamente à falta de cobertura de TDT na sua freguesia e à resistência da PT em encontrar uma solução técnica que resolva o problema.

“Há solução técnica, mas tem que haver vontade e abdicar de negociatas”, referiu Agostinho Marques ao correiodabeiraserra.com, notando que nos últimos tempos “se têm passado várias situações” na freguesia que o levam a constatar que tudo não passa de um negócio.

O autarca refere-se em concreto à constante oferta de subscrições por cabo a que já aderiram muitos alvocenses, que têm sido vítimas da pressão do tempo e da falha de informação por parte dos operadores de TV paga.

“Há pessoas que pensam que assim que venha o sinal da TDT podem desistir do pacote que contratualizaram e nem sequer sabem que são obrigados a um período de fidelização”, referiu Agostinho Marques, contando que tem tido a preocupação de alertar a população para que não caia na “cantiga” dos operadores de TV paga e, aguardem pela resolução do processo que, espera, venha a ter um “final feliz”.

“Eu não deixo de acreditar porque há um milhão e 300 mil portugueses afetados e a PT e a ANACOM não podem passar por cima da revolta das pessoas”, continuou o presidente da Junta de Freguesia de Alvôco de Várzeas que, no concelho oliveirense, foi o primeiro a dar voz à indignação e a não compactuar com o modelo de TDT que, tal como está, vai deixar toda a população sem acesso a televisão e vai obrigar a um investimento a que os restantes portugueses não estão sujeitos.

O autarca que, ontem, também participou na reunião com os deputados do PSD e CDS-PP só lamenta que, até aqui, tenha “andado a pregar para os peixes” e que só há pouco tempo tenha havido uma mobilização no sentido de travar a implementação da TDT tal como está pensada pela PT e ANACOM.

“Já ando a alertar para o problema desde a Assembleia Municipal de Junho, mas ninguém percebia a gravidade da situação e o problema passava-lhes ao lado”, observa Agostinho Marques, notando que esta luta que agora está a unir os autarcas já deveria ter iniciado há mais tempo para que a “própria ANACOM pudesse ver a força que o povo tem”.

 “Quando viram as barbas a arder é que puseram os pés ao caminho”, disse em tom crítico.

Entre as testemunhas a ser ouvidas pelo Ministério Público destaque também para o presidente da Junta de freguesia de Vide, João Amaral, que também vê a sua freguesia afetada pela falta de cobertura TDT e inexistência de soluções técnicas.

A decisão de o Ministério Público ouvir as testemunhas arroladas na participação satisfaz a Comissão de Trabalhadores da RTP que considera estar em face de um “passo importante para serem acautelados os interesses difusos dos cidadãos, que a PT está a pôr em causa e que a ANACOM vem negligenciando de forma escandalosa”.

Ainda que reconheçam que “nada está ainda garantido”, os trabalhadores da RTP valorizam a mobilização de diversos municípios neste processo “para impedir mais este assalto ao bolso das populações”.

 “Os trabalhadores da RTP já não estão sozinhos na luta para fazer colocar os critérios de serviço público acima dos negócios da PT/ANACOM”, referem em comunicado.

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