Autarca de Oliveira preocupado com “capitalismo selvagem” na hora de comemorar abril

A inauguração da exposição “40 anos a festejar abril” assinalou, na passada sexta feira, o arranque das comemorações do 25 de abril em Oliveira do Hospital. Na ocasião, o presidente da Câmara disse continuar a acreditar nos ideais de abril, mas alertou para os perigos do “capitalismo que se sobrepõe aos interesses do povo”.

Apostado em dar continuidade às comemorações de abril a que deu início no mandato anterior – “executivos anteriores parece que tinham vergonha de comemorar abril – o presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital renovou, na passada sexta feira, a sua confiança nos ideais subjacentes à revolução dos cravos, ocorrida em 25 de abril de 1974.

“Acredito que ainda é possível voltarmos a esses ideais”, afirmou José Carlos Alexandrino que, assim, deu o pontapé de saída para um “vasto” programa comemorativo que tem associado “um significado especial”, com o objetivo de dar “dimensão” a estas comemorações e de dizer que “em Oliveira do Hospital queremos continuar com o 25 de abril e com os mesmos princípios”. Daí, explica o autarca, a preocupação de fazer esta “aproximação às pessoas”, contrastando com aquilo a que se assiste no dia a dia em que “o poder fica distanciado do interesse das pessoas”. Razão suficiente para o autarca oliveirense considerar que “se calhar é preciso repensar abril e modificar muitas coisas na nossa sociedade que fomos perdendo nestes 40 anos”.

“Aquilo que me aflige e me cria angústia e constrangimento é a passividade das pessoas em relação às conquistas que custaram muito a esses homens que fizeram o 25 de abril”, referiu José Carlos Alexandrino, que disse olhar para abril “achando que é possível defender em conjunto esses valores de abril, combatendo os adversários que têm uma perspetiva de sociedade completamente diferente”. O autarca oliveirense mostra-se, sobretudo, preocupado com “o capitalismo que se sobrepões aos interesses de um povo”. Alexandrino apontou, mesmo o dedo a um “capitalismo selvagem” onde “os mais fortes imperam não pelas leis, mas pelo dinheiro” e faz prescrever “uma dívida brutal” e que coloca na prisão “uma pessoa que não pagou impostos no total de 25 mil euros”.

A assegurar que em Oliveira do Hospital, pese embora a “nossa maioria”, “temos uma democracia” – “achamos que as minorias têm direito a ter a sua opinião, porque foi também uma das grandes conquistas de abril”, frisou – José Carlos Alexandrino não escondeu a sua preocupação em torno do estado da saúde e da educação no concelho. “Os pobres morrem mais cedo do que os ricos porque não têm os mesmos acessos à saúde”, referiu, alertando ainda para a “destruição do estado social”. “Isto é aflitivo”, registou o autarca, mostrando-se empenhado em continuar a defender abril “porque temos obrigação de deixar aos nossos filhos e netos uma sociedade melhor do que encontrámos”.

O presidente da Câmara falava assim por ocasião da inauguração da exposição “40 anos a festejar abril” patente na Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital e que reúne um espólio diversificado, entre publicações periódicas da época, fardas, medalhas, entre outros elementos. “Pretende assinalar o período histórico do país, o antes, o durante e depois”, referiu a vereadora da Educação e Cultura, Graça Silva.

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  • Leandro Santos

    “executivos anteriores parece que tinham vergonha de comemorar abril”

    Se há coisa de que este “Presidente” não tem medo nem vergonha e de comemorar seja o que for. Se for motivo para mais uma festa, o medo e a vergonha ficam guardados a 7 chaves num barracão qualquer perdido pelo concelho.

  • Não me esqueço

    Mais uma vez Mário Soares vem repetir que votou em Ramalho Eanes nas duas eleições presidenciais a que este se apresentou (1976 e 1980). E mais uma vez desdiz-se em relação ao que deixara expresso em 1996 numa longa entrevista concedida a Maria João Avilez posteriormente transformada em livro (abaixo pp 125-126). Que na segunda dessas eleições, incompatibilizado com o candidato, votara em Galvão de Melo. Mário Soares goza do privilégio de os portugueses lhe perdoarem tudo, incluindo a forma como burila a verdade, mas haverá algo que ele parece cobiçar e que será já tarde demais para lho concederem. Repare-se como é Soares que busca atrelar-se à imagem de Eanes e não o inverso, que a Eanes ninguém lhe ouvirá confessar as opções eleitorais que terá feito nas eleições presidenciais do passado. Parece ser a Eanes a quem, não se lhe perdoando tudo como a Soares, parece já se ter perdoado o desvario que foi a constituição do PRD (1985-87). E é Eanes que deterá o facho de ser a referência ética desta nossa Democracia. Tudo indicia que Soares se estará a aperceber que irá perder isso nos livros de História…

    Leiam, e vejam se eles eram adivinhos;

    Declarações de Salazar a Franco Nogueira

    In Franco Nogueira, «Um político confessa-se (Diário 1960-1968)»

    Lisboa, 29 de Agosto de 1963.

    «Não há dúvida: os americanos evoluíram alguma coisa, mesmo muito», principia Salazar. «Há ano e meio, há dois anos, julgaram que uma pressão, uma ameaça, um ultimato nos fariam cair, ou pelo menos modificar a nossa política. Bem: já viram que não dava resultado, desistiram. E eles próprios vêem os seus interesses afectados, têm muitos problemas, não sabem como resolvê-los, e estão perplexos. E por isso nos mandam um emissário especial de alta categoria, sem que o tivéssemos solicitado. Muito bem. Mas que nos vem propor? Na conversa consigo e na que teve comigo, reparei que Ball usou repetidamente estas palavras: assegurar a presença, a influência e os interesses de Portugal em África. Ora que significa isto? Que está por detrás disto? Que conteúdo têm estas palavras?

    A verdade é que se Angola ou Moçambique são Portugal, este não está nem deixa de estar presente: é, está. Presença, para os americanos, quer dizer outra coisa: a língua, a cultura, alguns costumes que ficassem durante algum tempo até sermos completamente escorraçados. Isto e nada, é o mesmo. E o mesmo se quer dizer com a influência e os interesses. Com isto pretendem os americanos dizer que seriam garantidos os interesses económicos da metrópole, isto é, de algumas empresas ou grandes companhias. Mas tudo isto não vale nada. Que a economia comande a política é particularmente verdadeiro quanto a África. Bem vê: quem tem o dinheiro é que empresta, quem produz é que exporta; e quem tem dinheiro e empresta, e depois não lhe pagam, é levado a emprestar mais e mais; e para garantir esses novos empréstimos é depois levado a intervir, a controlar, a dominar as posições chave. E quem produz é que exporta; mas quando lhe não pagam as exportações, reembolsa-se com a exploração do trabalho e das matérias-primas locais. E ao fazer tudo isto é evidente que expulsa a influência e os interesses económicos de outros mais fracos, que nem podem emprestar tanto, nem exportar tanto. É o neo-colonialismo. Ora, meu caro senhor, nós não poderemos comparar a força económica e financeira da metrópole com a dos Estados Unidos. E o senhor está a ver, não está? Os americanos a oferecerem empréstimos baratos e a longo prazo; os americanos a oferecerem bolsas de estudo para formar médicos, engenheiros, técnicos nos Estados Unidos; os americanos a percorrer os territórios com a propaganda dos seus produtos. Em menos de um ano, de português não havia nada. Não, meu caro senhor, uma vez quebrados os laços políticos, ficam quebrados todos os outros. Mas então, sendo Angola parte de Portugal, não podem os americanos investir e exportar? Podem, decerto, mas têm de negociar com uma soberania responsável e com um governo que sabe exigir, ao passo que se o fizerem com um governo africano, inexperiente e fraco, sai-lhes mais barato. De resto, tudo isto está demonstrado: veja a Argélia, veja o Congo. Mas, para nós, o Ultramar não é economia, e mercado, e matérias-primas, e isso os americanos não o podem entender. Bem: este é um aspecto. Mas que quer dizer Ball com os prazos? É evidente que se os americanos estivessem dispostos a aceitar que Angola seja Portugal, não falavam de prazos. Poderiam querer discutir ou negociar connosco uma qualquer construção política ou jurídica que coubesse nos seus princípios teóricos, e depois apoiar-nos-iam sem reservas. Mas não: querem um prazo. Um prazo, para quê? E que se passa findo esse prazo? E enquanto decorre esse prazo, não acontece nada? Deixamos de existir no mundo, não se fala mais de nós? E os terroristas cessam os seus ataques? Ah!, mas se os americanos podem garantir que os terroristas depõem as armas, então é porque têm autoridade sobre os terroristas, orientam-nos, estão em contacto com eles. E os terroristas depõem as armas sem mais nada? Não exigem condições, não apresentam preço, e os americanos não assumem compromissos? Quais, como, para quando? E que promessas fazem ou fariam à Organização da Unidade Africana? E como justificaria esta o seu silêncio sobre nós e a ausência de ataques contra Portugal? Não, meu caro senhor, os americanos continuam a pensar que com jeito, docemente, conseguem anestesiar-nos e impelir-nos para um plano inclinado. (…) Está claro que se aceitássemos o caminho dos americanos, em troca do Ultramar choveriam aqui os dólares, receberíamos umas tantas centenas de milhões. Ficaríamos para aí todos inundados de dólares e de graça. E sabe? Os que vierem depois de nós ainda haveriam de dizer: afinal era tudo tão fácil, não se percebe mesmo por que é que aqueles tipos não fizeram isto. Mas os dólares iam-se num instante, deixavam umas fábricas e umas pontes, e depois começava a miséria. Duraria o ouro dois ou três anos. Depois era a miséria, a miséria, a dependência do estrangeiro. E em qualquer caso é-nos defeso vender o país.»a…

  • Agradecido

    Em nome das mulheres e homens portugueses, quero agradecer a Otelo e Vasco Lourenço pela notícia que diz que “Mulheres descobrem prazer do sexo nos 40 anos do pós–25 de Abril”. Eu, como alguém concebido antes de 25 de Abril de 1974, lamento que os meus pais tenham tido o frete de me conceberem. Mais uns tempos e teria sido muito agradável, talvez tão agradável como quando o meu tetravó concebeu a minha trisavó, antes do obscurantismo salazarista.

    Também de acordo com a reportagem do JN, desde o 25 de Abril que as mulheres já não têm que ir virgens para o casamento. Não dizem mas acrescento: desde 2010 que também já não é preciso ir virgem para o casamento gay.

    O 25 de Abril também acabou com os nascimentos ilegítimos e, acrescento, a actual lei do aborto também permite a continuidade do trabalho revolucionário, permitindo que a concepção de bebés seja efectuada por qualquer pessoa, em liberdade e sem “espartilho sexual”, seja qual for a sua preferência sexual, isto apesar da ditadura da biologia.

    Porém, ainda há coisas más que ficaram da ditadura, como, segundo a socióloga Verónica Policarpo, a persistência nos jovens da “a desvalorização de uma rapariga que tenha tido muitos parceiros sexuais”. Neste país não se valoriza a experiência e os jovens são os primeiros a rejeitarem o progresso.

  • Tristeza

    Os capitalistas, esses selvagens, deixaram o nosso concelho.
    E agora?

    • Caixa desempregado

      E agora?
      Agora que esses “selvagens” como Alexandre Soares dos Santos, Belmiro de Azevedo e outros que tais, que colocam pessoas com formaturas nas caixas de pagamento já aqui não mandam nada, pois foram substituídos por outro grande empregador, o Sr. Presidente da Câmara. Este dá-se ao luxo de pôr parelhas de licenciados na portaria.

  • P.inoquio.S

    Basta olhar para o regimento da Assembleia aprovado na última Assembleia em que o próprio presidente da mesma apelidou de “golpe de Estado”, para se perceber a democracia que por aí anda. Basta olhar para a rapaziada que está a polir as cadeiras na Câmara e derivados para se perceber a democracia desta maioria.Se o ridículo matasse.