Autárquicas 2013: Guia para uma melhor comunicação

Nas eleições autárquicas de 29 de setembro, mais que em quaisquer outras, a importância de uma boa comunicação da parte dos candidatos está no topo das preocupações. Se não está, devia estar.

Têm surgido como cogumelos os comentários irónicos às várias opções de campanha feitas pelo país. Hinos de campanha insólitos, fotografias absolutamente caricatas, slogans maus e desajustados, tipos de letra ilegíveis e uma total inabilidade para pensar na importância do que é simbólico.

Em Oliveira do Hospital não são conhecidos até agora os outdoors e elementos gráficos de todas as candidaturas, pelo que não poderei fazer uma análise dos mesmos. Corria o risco de divulgar, de forma desequilibrada, uns candidatos em prol de outros.
Ainda assim, e numa espécie de ‘guia’, dou alguns tópicos que considero importantes quando se delineia a comunicação de uma campanha eleitoral.

– A utilização das redes sociais pelos candidatos deve ser personalizada e de proximidade. Ter páginas geridas por equipas que não sabem reagir à crítica e não respondem às perguntas dos eleitores é ter uma comunicação unidirecional absolutamente desajustada aos objetivos de uma rede social, que não serve nem a candidatura nem os interesses dos eleitores. A comunicação deve ser próxima, escrita num tom semi-informal, e evitar lugares comuns.

– Usar letras cuja fonte e tamanho facilitam a leitura. Quando se desenha o material de comunicação de uma determinada candidatura um dos fatores importantes é o lettering. Os tipos de letra usados devem, pelo seu formato e tamanho, cumprir vários requisitos. Devem ser legíveis e simples, devem ter tamanho suficiente para ser lidos a uma boa distância. Outdoors com informação a mais, pouco contraste entre cor de fundo e cor do texto, maus enquadramentos da mensagem são erros a evitar, até porque não é bom causar percalços no trânsito rodoviário.

– Fazer sessões de fotografias. Esqueçam lá a ideia de pedir fotografias aos candidatos. O mais provável é serem entregues fotocópias, fotografias de jantares pouco apresentáveis ou ainda ficheiros com má resolução. Isso vai dar trabalho a mais a quem as tiver que aplicar ou, ainda pior, vai gerar autênticas aberrações. Façam sessões fotográficas, pelo menos para os principais candidatos e tirem muitas fotografias, para poderem usar várias em diferentes formatos e posições para os diferentes suportes da campanha.

Um bom exemplo do que não se deve fazer

opiniaopedro

– Cuidado com o Photoshop! As candidaturas autárquicas são, por regra, candidaturas de proximidade. Por isso mesmo, as pessoas vão conhecer grande parte dos candidatos surgidos nos cartazes e não vale a pena apagar rugas ou disfarçar sinais ou sardas. Só vai parecer artificial e, mais que isso, superficial. As fotografias devem ser, acima de qualquer outra coisa, identificativas do candidato. O eleitor deve olhar para elas e reconhecer quem se apresenta às eleições, ser capaz de perceber quem é o candidato caso o encontre na rua ou o veja na televisão.

– Ninguém quer políticos de braços cruzados. Podia ter incluído este ponto no das sessões de fotografias, mas acho-o tão importante que decidi criar um tópico só para ele. Tirar fotografias de braços cruzados além de ser uma coisa datada e ultrapassada, transmite uma mensagem errada. É uma postura defensiva, que mostra pouca permeabilidade e vontade de ouvir e, além disso, é uma postura estática. De braços cruzados não conseguimos fazer nada. E, parece-me que ninguém quer candidatos de braços cruzados. Estou certo?

Posso ainda dizer que, nas fotos, deixa a roupa toda cheia de vincos e isso cria ruído visual, o que é indesejável – porque as pessoas olham para as dobras do casaco e não para a cara do candidato.

– Identificar bem o partido / movimento pelo qual concorre. É essencial que o material de comunicação identifique, com clareza, qual o partido ou movimento pelo qual o candidato ou candidatos estão a concorrer. No momento da verdade, quando o eleitor estiver sozinho com a caneta e o boletim de voto, a única coisa que vai aparecer são os logótipos dos partidos políticos, por isso é bom que ninguém se esqueça que o candidato A está a concorrer pelo partido X. E não há que ter vergonha de concorrer por partido nenhum. Afinal, se abraçamos um projeto autárquico, devemos ter orgulho e acreditar nele.

– Conjugar bem as cores. Não, não estou a falar de trapalhadas em coligações. Estou mesmo a falar de cores e da necessidade de as saber usar. As cores usadas no material de campanha devem complementar-se e contribuir para a construção de uma imagem coesa e com sentido. Evitar contrastes excessivos ou excesso de tons é importante, porque um cartaz deve ser harmónico e focado no que quer dizer às pessoas. Além disso também se deve consultar, embora não exista um ‘manual único’ no tema, o significado das cores.

– A importância de um bom slogan. O slogan é, por excelência, a assinatura da campanha, a condensação numa só frase de tudo o que se quer transmitir. Por isso mesmo não deve haver espaço para falhas. Escolher frases genéricas e com pouca ligação aos candidatos ou às candidaturas é meio caminho andado para perder no campo da memorização e da adequação. Os slogans devem ser facilmente ligados às candidaturas e devem ser de simples entendimento. Escolher frases óbvias ou chavões muito usados só resulta em indiferença.

Exemplos disto são acidentes como o que aconteceu este ano em Portalegre. Neste concelho o Partido Socialista escolheu o slogan geral ‘Portalegre com Força’, que adaptou às freguesias. O problema é que uma das freguesias deste município chama-se Caia. E é um problema porquê? Porque a candidatura aplicou sem reservas o mesmo slogan geral, o que resultou num ‘Caia com Força’ que deixa lesões graves na credibilidade dos responsáveis de comunicação da candidatura.

Faço um breve comentário sobre a situação local apenas porque considero que em Oliveira do Hospital se perdeu a oportunidade de utilizar um grande slogan. Numa primeira fase, a assinatura da candidatura do PSD foi ‘Cristina por Oliveira’. A execução gráfica transformou-o em Cristina Oliveira por Oliveira e, por fim, em Tudo por Oliveira.
‘Cristina por Oliveira’ era um slogan fantástico e que tenho pena que não tenha sido usado – é simples, identifica a candidata, aproxima-a das pessoas e é fácil de memorizar, pelo bom jogo de palavras com o apelido da n.º 1 da equipa laranja. Ser candidato em Oliveira e ter apelido Oliveira devia ter sido uma oportunidade a não desperdiçar.

Haveria, sem dúvida, muitos mais pontos a focar, mas como não quero ser demasiado extenso e luto para que os leitores consigam chegar até ao fim dos meus textos de opinião, fico por aqui. Esta semana ainda valia a pena dizer mais umas quantas coisas, mas também na publicação online devemos fazer opções de quantidade para privilegiar a boa leitura.

Pedro Coelho

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  • Sérgio Correia

    Caro Pedro

    Dá para entender que andaste a ler alguns manuais de marketing político. Concordo com algumas das tuas opiniões e discordo de outras. Mas isso é a vantagem de vivermos em liberdade. Proponho a organização de um debate pós eleições sobre a matéria, com a presença dos responsáveis das campanhas cá do burgo.É capaz de ser giro ouvir certas “explicações”. Fico a aguardar comentários sobre as restantes campanhas. Abraço amigo.