“Aventureiro” oliveirense na vanguarda da produção de mirtilos e inovação dos seus derivados para Portugal e exportação

Os problemas de memória de um familiar próximo levaram Nuno Tavares Pereira a pesquisar, em 2010, quais os tratamentos naturais que poderiam ajudar. Encontrou vários estudos sobre frutos silvestres que relatavam os benefícios do consumo daqueles produtos. Fez o teste e notou que os resultados eram positivos. O interesse aumentou. Achou que estava ali uma área de investimento, que, com o tempo, se transformou quase numa quase paixão. Seis anos depois, Nuno Tavares Pereira tem uma plantação de cinco hectares que lhe permite uma colheita que este ano já renderá cerca de quatro toneladas de mirtilos (aumentando progressivamente até 2020, onde prevê atingir as 100 toneladas) e mantém uma aposta constante na inovação, através da empresa sediada em Oliveira do Hospital designada Lusoberry. É esta unidade que está a lançar no mercado vários produtos derivados daquele fruto. Dos cosméticos, azeite, compotas, passando pelo vinho até ao concentrado de mirtilo que poderá servir para vários tipos de bebidas. Tudo em parceria com “várias empresas especializadas e que garantem qualidade” em cada uma das áreas.

mirtilosNuno Tavares Pereira é alguém que parece dar-se mal com a inércia. Dá ideia que está sempre com vontade de testar algo de novo. Passa muito tempo em viagens para observar, por exemplo, as grandes explorações espanholas. Quando lhe perguntamos, nas suas enormes plantações, se é um empreendedor responde com um sorriso que se considera mais um aventureiro. “Em plena crise procurar diversificar é uma aventura, um risco. Apostar em algo que acredito que terá sucesso, mas que é olhado com desconfiança por muitos está longe de ser um investimento garantido. Mas é muito gratificante quando vejo o resultado da concretização de uma ideia que muitos consideravam impossível”, explica, enquanto vai atendendo o telefone que raramente pára de chamar. É o preço a pagar para fazer funcionar e coordenar toda uma estrutura que está a dar os primeiros passos.

Este oliveirense, nascido em Touriz, pretende alavancar a economia da região com os benefícios para a saúde já comprovados cientificamente por vários estudos internacionais sobre o consumo destes produtos. “Nesta fase quem começa a procurar estes produtos são pessoas informadas e vai-se divulgando”, conta, lembrando que uma das mais conhecidas utilizadoras destes produtos é a estrela da música Madonna. “Utiliza o mirtilo tanto na sua alimentação e os cosméticos feitos à base deste fruto que é conhecido como o fruto da longevidade. É uma excelente embaixadora”, nota.

Várias investigações cientificas parecem dar-lhe razão. As conclusões indicam que estamos perante um _DCS0060 (Small)produto rico em antioxidantes, que neutralizam os radicais livres e combatem doenças degenerativas, estimula o funcionamento da memória e contribui para uma redução efectiva do colesterol. Comprovaram também que o mirtilo, ingerido sob a forma de chá ou sumo, integra compostos que ajudam a prevenir e a tratar infecções do aparelho urinário e a sua acção antibacteriana auxilia no combate a problemas relacionados com o aparelho digestivo, uma vez que este fruto está indicado para o alívio de inflamações da boca e pode contribuir para o tratamento e prevenção da colite, de diarreias e de problemas de gases intestinais. Melhora a visão e revela-se eficaz no tratamento de problemas de diabetes.

Uma investigação recentemente co-promovida pela Escola Superior de Biotecnologia da Católica Porto, juntamente com Universidade de Trás-os-Montes e Alto Douro e da Faculdade de Medicina da Universidade do Porto, e apresentada em 2014 estudou também durante três anos este fruto e os seus subprodutos e chegou a várias conclusões. “Estes frutos demonstraram diferente concentração de compostos benéficos (compostos fenólicos com elevado poder antioxidante) para a saúde de acordo com a cultivar e estado de maturação”, revelou o estudo sobre a resposta glicémica de indivíduos após a ingestão de formulações à base de mirtilo.

Mirtillo“Verificou-se que, de facto, estas formulações induzem uma resposta glicémica eficaz, melhor do que a observada no teste controlo. Já no que aos produtos desenvolvidos no decurso do projecto diz respeito, destaquem-se as infusões à base de folhas e mirtilos de menor valor comercial. Estas, além de exibirem uma boa aceitação sensorial, revelaram níveis significativos de compostos com potencial biológico, pelo que se posicionam como sendo um produto particularmente interessante”, revelaram os promotores da iniciativa que “permitiu ainda o desenvolvimento de uma linha completa de produtos funcionais derivados do mirtilo e seus subprodutos”. “Extractos ou polpas de mirtilo ricas em antioxidantes com propriedades biológicas confirmadas e formulações de infusões com elevada qualidade sensorial e performance funcional são apenas algumas das soluções”, sublinha o estudo. Nada que surpreenda Nuno Tavares Pereira. “O mirtilo, que existia em forma selvagem em Portugal no Gerês e da Serra da Estrela, e era conhecido como arandano, já antigamente era utilizado para combater algumas enfermidades. Simplesmente foi caindo no esquecimento”, conta este “aventureiro” de Oliveira do Hospital.

O estudo vem reforçar as convicções de Nuno Tavares Pereira quando afirma que “o Myrtillus desempenha um importante papel na valorização económica de um território de baixa densidade”. “Em 2020 teremos capacidade de produzir grandes quantidades de frutos silvestres. Estimo que nos três meses, de colheita e embalagem dos frutos silvestres, serão criados cinco mil postos de trabalho só nesta região”, afirma. E vai mais longe. “Estou convencido que a par da floresta e turismo, esta área será o maior empregador da região nos próximos 20 anos”.mirtilo II

Este jovem de 36 anos, com formação em economia, quer sempre estar um passo à frente. “Não podemos estar apenas à espera de vender o produto para que outros venham a tirar as mais-valias. Porque teremos de ser nós a produzir a matéria-prima para depois ser transformada em algo muito mais valioso noutros países?”, questiona. “Não faz sentido. Temos de ser nós a inovar, a criar produtos de qualidade para o mercado interno e exportação”, sublinha. E se agora a produção é ainda escassa em Portugal, Nuno está convencido que dentro de quatro anos as muitas das plantações que entretanto foram lançadas vão estar em velocidade de cruzeiro e o preço do fruto irá estabilizar se forem tomadas as necessárias medidas. “Daí a necessidade de existirem parcerias entre investigadores, fábricas de qualidade em várias áreas e os produtores. E ter ideias, muitas ideias”.

Nuno Tavares Pereira, tem procurado aliar-se a especialistas e a marcas de referência. Tem aproveitado também as sinergias de outros ramos de negócios já existentes na família, como o vinho de uva e o azeite de azeitona. Daí que alguns dos produtos que a Lusoberry, entre os vários que já lançou no mercado, se encontre o vinho de mirtilo e o azeite também com aquele fruto. “O azeite com mirtilo, por exemplo, foi uma ideia minha e é diferente daquele que é proveniente apenas da azeitona. Não tem um aroma tão forte, perde acidez, mas ganha magnésio e potássio. É mais suave. O vinho de mirtilo, esse, já existia em vários locais, até na china. Mas era inexistente na Península Ibérica. Juntamente com um enólogo trabalhámos nesse projecto e o resultado foi um vinho mais adocicado, com 12 a 13 graus de álcool”, conta, antes de rematar com um sorriso: “Se os médicos dizem que o vinho tinto é bom para a saúde, imagino o que será com mirtilo”.

_DCS0061 (Small)A Lusoberry entrou também no mercado dos cosméticos, em parceria com a Tecnocosmética (uma empresa com mais de 40 anos, sediada em Loures, dotada tecnologicamente, devidamente certificada, e que trabalhar na investigação da cosmética). Já lançou uma linha que incluiu champô, gel de banho, creme de mãos, creme facial e até ao final do ano pretende lançar o esfoliante. “São produtos naturais, mas fabricados com o rigor cientifico por empresas de qualidade”, sublinha. Na mesma linha, Nuno estabeleceu também uma parceria com a empresa oliveirense Quinta de Jugais para colocar no mercado compotas com e sem açúcar. “A compota de maça com mirtilo é outra das apostas, como será a passa de mirtilo (mirtilo desidratado)”, refere, sem esquecer que acabou de lançar o concentrado daquele fruto, designado Mirtilão, que irá poder ser utilizado em várias bebidas e pode ser experimentado na feira EXPOH.

Uma zona demarcada

O mercado, porém, é ainda algo incipiente. Os produtos da Lusoberry só podem ser encontrados na sua loja on-line e em locais seleccionados. É que o mirtilo ainda está longe de ser um dos frutos mais queridos e consumidos pelos portugueses, algo que, assegura, irá mudar com o tempo. As suas vantagens para a saúde, porém, segundo Nuno Pereira, vão acabar por ser impor.

A aposta de Nuno Pereira não se vai ficar pelos mirtilos. Quer alargar a produção a vários frutos silvestres, entre outros, as framboesas, amoras, groselhas e medronho. “Numa primeira fase decidi arrancar com cinco hectares de mirtilos para não me estar a dispersar. Queria ter escala e acreditava que seria o mais lucrativo e aquele que mais beneficiaria do clima e da qualidade do solo. A segunda fase passa por entrar noutros frutos e ampliar a plantação de mirtilo”, sublinha. Algo que está para breve até porque a sua quinta conta com cerca de 50 hectares, 39 dos quais ainda ocupados por eucaliptos.Mirtillo III

Uma das últimas iniciativas deste “aventureiro” passa por estabelecer uma parceria com o pólo de Seia do Instituto Politécnico da Guarda para se preparar um livro sobre gastronomia regional que compile as receitas onde estão incluídos os frutos silvestres. “Queremos recuperar receitas antigas que se encontram esquecidas”, refere.

Mas não é a única. Já tem registada a marca Capital dos Frutos Silvestres que pretende ser uma região demarcada do Norte da Serra da Estrela/serra do Açor e Rio Mondego, mais ou menos entre Celorico da Beira e Penacova. “A qualidade do mirtilo varia segundo a exposição solar, temperatura e qualidade do solo. Esta é uma área com algumas especificidades. Tem exposição solar muito semelhante, solo com características idênticas, água e temperatura. Tem qualidades únicas na península Ibérica para produzir frutos silvestres, não em grandes quantidades, mas de enorme qualidade. Esse é o factor distintivo”, refere Nuno Pereiro.

O objectivo desta marca, explica, é que qualquer produtor desta região a possa utilizar desde que os seus produtos passem nos testes de qualidade que se pretendem rigorosos. “Será uma marca forte e uma mais-valia quando em 2020 os produtores da região tiverem capacidade para produzir grandes quantidades de frutos”, concluiu.

Alguns benefícios comprovados do mirtilo para a saúde:

  • Combate o envelhecimento precoce – Os antioxidantes são essenciais para combater os radicais livres, responsáveis pelo envelhecimento precoce e o desenvolvimento de algumas doenças;
  • Acção anti-inflamatória e protecção celular – Um estudo publicado no Journal of Nutrition em 2009 sugere que o mirtilo tem acção de protecção celular e anti-inflamatória, conferindo benefícios ao metabolismo no combate às doenças associadas à obesidade;
  • Acção anticerigena – O mirtilo contêm ainda ácido elágico e polifenóis. Esses componentes estimulam os mecanismos de eliminação de substâncias cancerígenas;
  • Saúde Cardiovascular – Pesquisas indicam que o consumo regular de mirtilos pode diminuir o risco de ataques cardíacos em mulheres.
  • Regulação da glicemia – O mirtilo tem baixo índice glicémico, contribuindo na regulação da glicemia (açúcar do sangue). É uma excelente alternativa para pessoas que apresentam diabetes ou com intolerância à glicose. Bom para memória e Coordenação Motora – O mirtilo protege o cérebro dos efeitos de deterioração cerebral associados à doenças degenerativas, como o Mal de Alzheimer, e por acção do envelhecimento.
  • Visão – Diversos estudos documentaram que os mirtilos têm concentrações muito elevadas de anticianina, um composto normalmente vinculado com a melhora da visão nocturna e redução da “vista cansada”. Isto torna a fruta uma excelente indicação para aqueles passam muito tempo em frente ao computador.

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  • JPCRUZ

    parabéns Nuno tudo de bom para este futuro risonho

  • Zé Manel

    Isto chama-se publi-reportagem. E é punido por lei se não for devidamente indicado como tal.

  • Wake Up

    Inveja grande, de pouco fazer. Mirtilo, Medronho, Amora, Framboesa é tudo muito bom.
    Trabalham em vez de se encostarem no desemprego.

    • Castanha

      É por isso, por tal descoberta, que os nossos antepassados andaram “às amoras”!
      Grande tese.
      Toda a gente sabe que, não fora a agricultura e a criação de gado, à escala familiar e, hoje, por aqui, nem sobreviventes haveria…
      Deixem andar estes meninos, não ao calhas, mas imbuídos de todos os espíritos que lhes velam os sonhos, e que vêm de Bruxelas…fiem-se nela! – dinheiro a rodos….
      Milagreiros…
      A vender ” a banha da cobra” moderna! – agora, a virtude do mirtilo, e arredores…
      – Já há alternativas, sabíamos?

    • Guerra Junqueiro

      Mas não é ao desemprego que esta gente vai buscar a grande força de trabalho?
      Não chegam a pagar 200€ por mês e o resto pagamos nós.
      É muita parra e pouco mirtilo.

      Cumprimentos
      Guerra Junqueiro

  • Fiz

    Talvez o futuro passe pela a Agricultura e os autarcas estejam todos a dormir..