AVMISP avisa, após reunião Marcelo Rebelo de Sousa, que falta de apoios pode levar empresas afectadas pelos incêndios a encerrar

A Associação das Vítimas do Maior Incêndio de Sempre em Portugal (AVMISP) lamentou hoje, na reunião com o Presidente da República, em Lisboa, a falta de apoios à recuperação das empresas afectadas pelos incêndios de 15 de Outubro, alertando que há “muitos postos de trabalho em causa” e que algumas podem fechar portas. O líder da AVMISP, Luís Lagos, lamentou ainda a desigualdade que existe entre o apoio às empresas atingidas pelos incêndios de Outubro e as afectadas pelos fogos de Junho (sobretudo na zona de Pedrógão Grande).

“Existe uma grande debilidade no apoio às empresas [afectadas pelos incêndios] de Outubro. Não estamos aqui a fazer uma comparação entre as tragédias, não queremos fazer isso”, disse Luís Lagos. Se essa debilidade não se extinguir há muitas empresas que vão terminar. São postos de trabalho que ficam em causa, é a actividade económica de uma região com baixa densidade demográfica, que tem pouca gente, pouca juventude, que fica em causa”.

Conseguir fixar pessoas na zona centro do país, afectada pelos incêndios de Outubro passado, “é fundamental” para acabar com o verdadeiro problema, já que “o fogo foi só a consequência” do problema da interioridade, disse. “Achamos ridículo quando se quer atrair grandes investimentos [para o interior] quando neste momento há empresas no interior do país que precisam de uma ajuda pelo menos de igualdade de relação [à fornecida às vítimas dos fogos de] Junho e isso não está a acontecer”, criticou Luís Lagos.

A AVMISP mostrou-se, porém, satisfeita com a posição de Marcelo Rebelo de Sousa. “Sentimos da parte do Presidente uma grande sensibilidade em relação aos incêndios e à tragédia que nos assolou, um conhecimento perfeito da região, das dificuldades e uma vontade imensa de ajudar e de colaborar na construção do que temos de enfrentar, quer na reconstrução empresarial, quer na reconstrução de casas, quer da vida das pessoas”, disse Luís Lagos, considerando ainda “fundamental que a classe política esteja no terreno para perceber o que se passa”, sublinhando que “só assim é que é possível ter conhecimento do mesmo”.

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