Balanço de dois anos de mandato valeu forte oposição a vereador do “Oliveira do Hospital Sempre” (Veja Vídeo)

 

… o seu sucessor no cargo, acusando o independente de “inconsciência política”.

Numa reunião onde esperava efetuar oposição firme ao executivo em permanência, confrontando-o com listagem de promessas eleitorais que, ao fim de dois anos de mandato, entende ainda não terem sido cumpridas, o vereador eleito pelo movimento independente “Oliveira do Hospital Sempre” acabou por ser o alvo de uma oposição maior, oriunda das duas forças políticas com assento naquele órgão autárquico.

“Neste momento consideramos não haver, efetivamente, um projeto de desenvolvimento inovador para o concelho, em execução”, afirmou José Carlos Mendes avaliando as intervenções levadas a cabo pelo executivo eleito pelo Partido Socialista como “pontuais, pouco potencializadas” e que “não têm alavancado um conjunto de políticas essenciais e transversais para o desenvolvimento adequado do concelho que todos ansiamos”.

O vereador do movimento “Oliveira do Hospital Sempre” que chegou a encarar a “humanização da Câmara Municipal com o munícipe” como um ponto positivo da atuação da equipa liderada por José Carlos Alexandrino, também alertou para a “a grande falta de confiança no futuro” que lhe te sido transmitida pelos oliveirenses.

Socorrendo-se do jornal de campanha eleitoral do agora presidente da Câmara Municipal, Mendes particularizou cada uma das áreas que considera estarem a ser votadas ao esquecimento. “Onde é que está?”, questionava o vereador, no momento em que se referia a uma área em concreto.

Desenvolvimento empresarial, turismo, saneamento básico, regresso do concelho ao Pólo da Serra da Estrela foram alguns dos temas levantados pelo vereador que na hora de se referir aos Itinerários Complementares e ESTGOH, acusou o executivo de não fazer “tudo o que seria possível fazer, para resolver satisfatoriamente estes constrangimentos de uma vez por todas”.

Da lista negra de Mendes também não escapou a BLC3 que, com exceção dos dois projetos candidatos a financiamento dos fundos comunitários considera estar assente num “conjunto de intenções que teima em não passar à prática”.

“Ajude o presidente da Câmara a resolver os problemas dos ICs e da ESTGOH e faça política positiva para o concelho”

“O absurdo que aqui procurou demonstrar era o mesmo absurdo que tinha no seu programa eleitoral”, reagiu o antigo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital que, numa intervenção irónica disse até ter “vontade de rir” com a posição de Mendes, porque no seu programa “ainda ia mais longe e dizia mais loucuras e mais asneiras”.

“Nem no ano 2050 teria hipótese de ter isso concretizado”, afirmou Mário Alves, alertando que a “política é feita de bom senso e não de demagogia e utopia”.

O vereador que naquele órgão autárquico enverga as cores do PSD foi, assim o primeiro a sair em defesa do executivo de José Carlos Alexandrino, chegando até ao ponto de acusar o independente de “falta de consciência política”.

Ao invés de criticar, Mário Alves sugeriu a Mendes que se torne “aliado” do atual presidente da Câmara fazendo até uso das boas relações com as gentes do PSD.

“Ajude o presidente da Câmara Municipal a resolver os problemas dos ICs e da ESTGOH e faça política positiva para o concelho… em vez de estar aqui numa demanda contra o presidente”, propôs Mário Alves, desafiando Mendes a facilitar os contatos entre o presidente da Câmara e os ministros e até o primeiro Ministro e a “criticar menos e trabalhar mais para o concelho”.

“Esta crítica é para se tentar defender de muitos adeptos que dizem que o senhor é hoje uma desilusão como eleito”

 

Na hora de desapreciar o balanço de dois anos de mandato apresentado pelo vereador independente, o presidente da Câmara Municipal acabou por valorizar aquilo que tem sido o papel da “ala do PSD” – lembrou que Paulo Rocha se tornou recentemente vereador independente – e de onde “têm vindo ideais positivas”.

Do mesmo modo, José Carlos Alexandrino disse não estar preocupado com aquilo que é a opinião de José Carlos Mendes, assegurando ter “orgulho” do caminho trilhado e da prática que tem seguido no sentido de criar “consensos”.

Interpretando a intervenção de Mendes como uma forma de se defender de muitos adeptos que o encaram como “uma desilusão enquanto eleito, porque não trouxe uma ideia para o concelho, tendo-se afirmado mais com uma questão pessoal”, José Carlos Alexandrino garantiu estar a executar “a maior parte” das promessas eleitorais, referindo até que a modernização dos serviços ocorrida na Câmara Municipal nem fazia parte do programa.

Ciente da alteração das condições financeiras, o presidente explicou que o município não poderia seguir “em contra ciclo”. “Não estou disponível para endividar o concelho só para cumprir o programa eleitoral”, afirmou, reagindo também ao elogio da “humanização” para informar Mendes de que não pretende ser “um gajo porreiro” mas sim “uma pessoa com princípios” e que vê “as pessoas como uma prioridade”. “Isso é humanização”, sustentou, garantindo não pretender agradar a todos.

O assunto que motivou sucessivas trocas de galhardetes permitiu ainda que Mendes referisse que no primeiro ano e meio de mandato o executivo ainda governou em tempo de “vacas gordas” até pelo facto de partilhar a mesma cor política do governo e do qual faziam parte dois oliveirenses.

“As vacas já estavam magras. O senhor anda sempre distraído nestas coisas”, reagiu Alexandrino assegurando estar a envidar esforços junto do governo para resolver assuntos como os ICs, a ESTGOH e até o serviço de urgências. “As vacas já estavam tísicas”, rematou, ironicamente, Mário Alves.

“A ignorância mata politicamente”

“Tudo menos tontice política”, teve ainda oportunidade de reagir o vice-presidente da Câmara Municipal, para quem, no meio de um país em dificuldade, Oliveira do Hospital não se pode apresentar como um “oásis”.

José Francisco Rolo considerou o balanço de Mendes extemporâneo, verificando que “é tempo de trabalhar”. “Tentou descredibilizar o papel de quem é poder”, frisou, saindo ainda em defesa da BLC3 e criticando o desconhecimento de Mendes acerca dos projetos em curso na Plataforma.

“A ignorância mata e mata politicamente”, vincou o número dois do executivo oliveirense, ao mesmo tempo que se revelou confiante no bom sucesso dos projetos da plataforma.

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