Balcão do Centro de Emprego “não tem o mínimo de condições”

Com apenas dois dias de atendimento semanal – segunda e quarta-feira – e mediante a recepção de convocatória, o serviço disponível no concelho de Oliveira do Hospital tem gerado um grande descontentamento junto da comunidade desempregada, que se queixa do excessivo tempo de espera num espaço que – dizem – “não tem o mínimo de condições”.

A funcionar no local que, anteriormente, acolheu a extensão educativa da Direcção Regional de Educação do Centro – junto à porta de entrada ainda continua afixada a placa identificativa – a referida delegação do IEFP aparenta ter tudo, menos um aspecto convidativo para quem vive dias difíceis à procura de emprego. O espaço é limitado em termos de área física e é, na maioria das vezes, gerador de desconforto pelo estado em que se encontra o seu interior.

É que – como verificou o correiodabeiraserra.com numa visita ao local – para além do distribuidor de senhas de presença, colocado dentro de um vaso, algumas cadeiras e um velho sofá, nada mais se encontra naquela delegação. Os utentes do serviço queixam-se do frio que têm que suportar durante as longas de horas de espera, não deixando também de observar o lixo que se vai acumulando no chão. “A mim disseram-me que vêm cá fazer limpeza todos os dias, mas isto não dá sinais de grande higiene”, referiu a este diário digital uma jovem desempregada que quase todas as semanas se vê forçada a ir à delegação oliveirense, local onde encontra grandes diferenças com o serviço que é prestado na sede localizada em Arganil. “Não tem nada a ver”, assegurou, contando que em Arganil “o atendimento é outro e há muito mais informação, já para não falar das instalações que são óptimas”. “Aqui não há nada”, lamentou, contando que, também ela, costuma ser penalizada pelo excesso de tempo que tem que esperar para ser atendida na delegação oliveirense.

Para além da insalubridade do espaço – antigo e pouco iluminado – a inexistência de uma casa-de-banho na zona de espera, é outro constrangimento identificado no interior da delegação. “Se queremos ir à casa-de-banho temos que ir ali ao café, porque lá dentro não há”, referiu ao CBS online, um desempregado que se encontrava à entrada da porta, contando também que “lá dentro existe uma casa-de-banho, mas é na parte onde está o senhor do atendimento”. “Não é para nós”, reprovou, recusando impor qualquer culpa sobre o funcionário que – como disse – “é muito simpático e atencioso para toda a gente”. “Ele não pode fazer nada, só cumpre com o que lhe mandam”, referiu, ao mesmo tempo que se revelou conformado com a situação a que estão sujeitos porque “se não há dinheiro para empregos, como é que pode haver para fazerem aqui melhorias”.

Já habituado a esperar longas horas pela sua vez – “um dia cheguei aqui às 14h00 e só saí às 18h00”, – um jovem desempregado disse ao correiodabeiraserra.com que há sítios onde o tempo de espera é muito maior, referindo-se ao caso concreto do Centro de Saúde. Pese embora a aceitação da situação – “já estamos acostumados”, disse uma rapariga – nem sempre os “defeitos do sistema” são bem encarados por quem acorre com frequência aos serviços do centro de emprego.

Tal até já chegou a motivar o pedido do livro de reclamações que – como soube o CBS online – não foi entregue ao utente com o argumento de que “o livro de reclamações só existe em Arganil”. A espera para a “consulta” com o funcionário da delegação torna-se muitas vezes numa situação de desespero e a tendência é para piorar, tendo em conta que ainda no início deste ano, cerca de 60 pessoas perderam os seus postos de trabalho numa empresa de confecções. “

“Só mantemos o balcão para garantir o essencial”

Confrontado com as queixas, o director do Centro de Emprego e Formação Profissional de Arganil mostrou-se sensível ao problema, sem deixar contudo de frisar que “é preferível alguma ausência de conforto” do que a obrigatoriedade de deslocação até Arganil, tendo em conta a ausência de transportes públicos. “Só mantemos o balcão para garantir o essencial”, afirmou Paulo Teles Marques, remetendo para a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital a responsabilidade de manutenção do local, quer em matéria de aquecimento, quer da própria casa-de-banho.

A este jornal electrónico, garantiu contudo que está a ser estudada a situação e “está prevista a mudança para instalações mais modernas”. Num concelho que – como o próprio referiu – é o mais afectado pelo desemprego na área de abrangência do Centro de Emprego de Arganil, Teles Marques estabelece uma correlação entre o aumento do número de desempregados e as longas horas de espera no balcão da cidade, não descurando também o facto de o Centro contar apenas com quatro técnicos de emprego, que se dividem entre a sede e os balcões de Oliveira do Hospital, Tábua, Góis e Pampilhosa da Serra.

“Tem sido vedada a contratação de pessoal e os tempos de espera aumentam”, referiu ao CBS online, lembrando contudo que em situações de necessidade – deu o exemplo do encerramento da Jammo – os técnicos juntam-se num espaço maior com os novos desempregados, para que se trate do assunto com a máxima urgência. Convidado a pronunciar-se sobre a inexistência do livro de reclamações no balcão oliveirense, Teles Marques disse tratar-se de uma lacuna, notando contudo que em Oliveira do Hospital não existe uma delegação, mas apenas uma “extensão do Centro de Emprego”. Aquele responsável considerou ainda que o balcão oliveirense não dignifica os serviços prestados pelo Centro de Emprego, chegando até a “pôr em causa a própria imagem institucional”.

Liliana Lopes

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