Banco Europeu de Investimento quer investir 50 milhões de Euros no BioREFINA-TER da BLC3

… que já disponibilizou 50 milhões de Euros para o projeto – o BioREFINA-TER – que na região pretende criar 245 postos de trabalho e alterar o paradigma de desenvolvimento regional.

“Como é que um projeto destes está em Oliveira do Hospital?”. Esta é a questão que, nos últimos tempos, tem sido frequentemente colocada a quem, um pouco por todo o mundo, tem apresentado o projeto que promete valorizar o território da região centro e, ao mesmo tempo, potenciar a atração e fixação de massa crítica.

Trata-se do BioREFINA – TER, o projeto âncora da BLC3 – Plataforma para o Desenvolvimento da Região Centro, associação sem fins lucrativos, destinado a valorizar o território dos concelhos de Oliveira do Hospital, Tábua, Góis e Arganil pela transformação de uma matéria prima abundante na região, a vegetação espontânea e mato inculto, em substitutos do gasóleo e da gasolina.

Um projeto sujeito a uma candidatura a Bruxelas no valor de 118 milhões de Euros e que tem vindo a merecer o reconhecimento das mais altas entidades como o Laboratório Nacional de Energia e Geologia, parceiro da BLC3 e da Fundação para a Ciência e Tecnologia, potenciando a abertura de portas a pontos de financiamento na ordem de 100 por cento.

Totalmente pensado e idealizado pela BLC3, o BioREFINA-TER há muito que já passou as fronteiras regional e nacional, para ser tema nos corredores e gabinetes dos principais centros de decisão e de financiamento europeus. Prova disso é o mais recente contacto tido com a estrutura localizada em Oliveira do Hospital e que já resultou numa promessa de investimento na ordem dos 50 milhões de Euros.

“O grande avanço é que o Banco Europeu de Investimento reconheceu o Bio-REFINA-TER como maior projeto nacional, já nos contactou e está interessado em investir”, informou o presidente do Conselho de Administração da BLC3.

Para João Nunes, está em causa um dos maiores reconhecimentos feito ao BioREFINA-TERr e que atinge dimensão maior, se se tiver em conta que o contacto feito por aquela estrutura financeira não foi precedido por qualquer outro por parte da BLC3. “No Luxemburgo o projeto já estava a ser discutido sem nós sabermos”, partilhou o jovem investigador, notando que com aquele apoio – garantido em caso de aprovação da candidatura final de 118 milhões de onde vão resultar 60 milhões de Euros a Fundo perdido – a BLC3 estará em condições de partir, em 2014, para a construção da biorefinaria de demonstração, devendo os restantes 10 por cento de financiamento em falta, ficar por conta de capital de risco.

“Há interessados em investir cá”, diz satisfeito o principal mentor do projeto que, nesta caminhada surge de braço dado com António Campos, Helena Freitas e o município de Oliveira do Hospital.

Boas perspetivas para um médio prazo que ganham força maior com os recentes resultados laboratoriais. “Dentro de 15 dias temos gasolina e gasóleo”, adianta o engenheiro de formação que encontra na vegetação espontânea e mato inculto a chave para alterar o paradigma regional.

“O objetivo é valorizar o território e torná-lo competitivo”, explica João Nunes, chamando a atenção para a abundância de território inculto passível de ser rentabilizado. Uma mais valia que não se esgota na produção de biocombustíveis, já que também contribuiu para a limpeza dos terrenos e consequente diminuição dos incêndios, que se têm revelado uma verdadeira tragédia em todo o território nacional.

Acibeira acolhe unidade piloto em 2013

Desenvolvido no domínio do Centro Tecnológico e de Inovação da BLC3 que goza da maior rede de conhecimento decorrente das parcerias que mantém com universidades nacionais e europeias e outros centros de investigação e de desenvolvimento, o BioREFINA-TER prepara-se para no início de 2013 colocar no terreno a primeira unidade piloto.

Com financiamento comunitário aprovado na ordem dos seis milhões de Euros, a unidade vai ser construída nas instalações da antiga Acibeira, para onde, gradualmente vai ser deslocalizada toda a estrutura da BLC3 que, à data, já conta com modernos espaços laboratoriais que já têm servido de atrativo a jovens quadros licenciados e universidades de todo o país.

Para João Nunes, trata-se de um passo determinante na vida do BioREFINA-TER que, com a unidade piloto espera criar cinco postos de trabalho. Números que em 2014 devem chegar aos 245 postos de trabalho decorrente da construção e entrada em funcionamento da unidade de demonstração.

“Aqui está o futuro da região”, diz sem qualquer margem para dúvida o jovem que, aos 30 anos de idade, quer chamar ao concelho de onde é natural jovens colegas, dotados de massa crítica e que por falta de oportunidade foram forçados a percorrer o país e o mundo. Um paradigma que acredita estará prestes a mudar, a comprovar com o acréscimo de pessoas que diariamente batem à porta da estrutura que dirige, para levar por diante projetos inovadores.

“O nosso maior esforço é criar condições para os jovens voltarem”, conta o também jovem que agora está certo de que “estão reunidas as condições para se criar um modelo de ensino superior como deve ser em Oliveira do Hospital”.

João Nunes fala assim a propósito da ESTGOH que, necessariamente, terá que adaptar a sua oferta formativa à realidade do território num processo em que a BLC3 tem um papel determinante. “Em Coimbra sabe-se que sem a BLC3 a ESTGOH não faz sentido”, nota o responsável que, no futuro, espera que as duas estruturas se fundam “numa grande unidade”.

Mais de oito milhões e meio de Euros em projetos aprovados

À frente de uma estrutura que já assegura oito postos de trabalho e já abriu a candidatura para mais cinco postos de trabalho qualificados, João Nunes chama a atenção para o financiamento já conseguido pela BLC3 no âmbito de projetos como os de valorização da Pêra Passa e desenvolvimento da produção do Queijo Serra da Estrela e de cogumelos silvestres nativos e de trufas – está em curso o desenvolvimento de um centro de micologia aplicada – que a juntar aos projetos aprovados para sete jovens agricultores – num total de 33 hectares de terreno e mais de 800 mil euros aprovados – se situa nos 2.925.000,00 Euros.

Financiamentos que servem de motor à BLC3 – “todo o dinheiro que vem para cá é de fundos comunitários e sem estes projetos nunca viria para a região”, regista – e que tendem a aumentar no domínio de outros projetos como de internacionalização de empresas do setor alimentar e de educação transfronteiriça.

Uma prática a que a BLC3 conta dar continuidade, sem descurar a vertente de apoio às empresas e projetos incubados. “Estamos a desenvolver novos produtos e projetos com cinco empresas para atingirem novos mercados”, explica, contando que a BLC3 conta também com oito projetos incubados, estando prestes a lotar a sua capacidade de incubação nas atuais instalações, onde dispõe de apenas nove gabinetes. “Há muitas empresas a procurar o nosso centro de incubação”, contou.

À frente de uma equipa responsável por já ter trazido para Oliveira do Hospital e para a região um bolo de mais de oito milhões e meio de Euros destinados ao desenvolvimento do território, João Nunes entende ser esta a melhor resposta a dar aos autores da crítica fácil, com a qual garante não perder tempo.

É que, sublinha, não será por acaso que a BLC3 até foi convidada para liderar uma candidatura de um consórcio composto por cinco países – Alemanha, Irlanda, Áustria, Holanda e Portugal – à Bio-economia e Bio-região. “É por de mais clarividente o reconhecimento que é dado à BLC3”, remata.

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