Beira Serra prepara-se para “falar a uma só voz”

 

“Falar em uníssono”, é o que se pretende no congresso “ Inovar e Empreender” que vai decorrer em Arganil a 26 e 27 de outubro.

É de “união” o espírito que por esta altura se vive nos quatro municípios integrantes da ADIBER – Associação de Desenvolvimento Integrado da Beira Serra. Na mira está o novo Quadro Estratégico Comum 2014-2020 que, associado ao conceito de “Desenvolvimento Promovido Pelas Comunidades Locais”, obriga à definição de uma estratégia de desenvolvimento concertada.

Em causa está, porém, uma metodologia de trabalho que não estranha aos municípios da Beira Serra e ADIBER que nos últimos anos têm habituado as suas comunidades a um trabalho de “mãos dadas”. Uma prática que ganha agora expressão maior no âmbito da realização do 3º Congresso da Beira Serra que sob o tema “Inovar e Empreender”, pretende conduzir a uma discussão alargada sobre o futuro e a uma estratégia de desenvolvimento.

“Queremos demonstrar que este território está coeso, unido e a falar a uma só voz”, afirmou ao final da manhã de hoje o presidente da ADIBER, notando que o objetivo é o de colocar o território a “ falar em uníssono sobre as perspetivas deste território”. Miguel Ventura referiu, em particular, a necessidade de definição de uma estratégia que possibilite ao território da Beira Serra, no período 2014-2020, “ganhar escala e dimensão” e ao mesmo tempo “influenciar políticas que sejam coerentes com as necessidades destes territórios de baixa densidade”.

“Em face de um balanço positivo decorrente da gestão do Subprograma 3 do PRODER – “os resultados têm superado as expectativas”, frisou – Miguel Ventura entende estarem criadas as condições para a consolidação de novas parcerias no terreno e otimização dos recursos existentes .

Por via da “inovação”, o responsável máximo da ADIBER tem em mira a “valorização dos produtos endógenos e factores distintivos, introduzindo valor acrescentado”. Indissociável deste objetivo está também a intenção de criação de postos de trabalho e a capacidade para atrair novos investidores. “Temos responsabilidade de, a nível local, encontrar soluções, não esperando que outros venham resolver os nosso problemas”, afirma peremptório Miguel Ventura, na certeza de que “ninguém deve ficar de fora da construção deste futuro”.

“Juntos temos mais escala”

Anfitrião da iniciativa – o congresso vai decorrer no auditório da Cerâmica Arganilense – o presidente da Câmara Municipal de Arganil reafirmou o “espírito de parceria” que reina entre os quatro municípios, entendendo ser também este o caminho certo para que o território, “num momento difícil”, consiga atingir “escala”. “Motivos como o turismo e a floresta são essenciais”, afirmou Ricardo Pereira Alves, entendendo também que as pessoas, as instituições, os municípios e os empresários são “a principal riqueza”.

“Precisamos de continuar a confiar na Beira Serra e em territórios rurais e de montanha,onde tudo é mais difícil do que às portas de Coimbra, ou de Lisboa”, considerou também a presidente da Câmara Municipal de Góis, certa do bom resultado do congresso que vai acontecer em Arganil. Para Maria de Lurdes Castanheira, o caminho passa por “desafiar estes territórios a juntarem-se e a dizer que vale a pena continuar a apostar na Beira Serra”.

Ainda que preocupado com o futuro do país, o autarca de Tábua disse acreditar num “futuro menos pesado para a Beira Serra. “Os municípios, empresários e instituições são muito dinâmicos e habituados a trabalhar”, disse confiante Mário Loureiro, certo também de que os municípios da Beira Serra têm, por via do próximo Quadro de Estratégia Comum, a oportunidade de “dar o salto qualitativo em termos de condições de vida”. “Podemos fazer uma região mais próspera e com melhores condições de vida para todos”, referiu.

Um espírito também partilhado pelo presidente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, que valorizando as relações pessoais até aqui mantidas entre os quatro autarcas e presidente da ADIBER, também registou a solidariedade que, em vários momentos, já tiveram oportunidade de manifestar, quer em matéria de saúde, emprego e até acessibilidades Uma postura que José Carlos Alexandrino entende que deve continuar a predominar, com o cuidado porém de a região da Beira Serra ter perfeito conhecimento daquilo que é “o ponto de partida”.

“Por vezes esquecemo-nos de onde partimos”, disse o autarca oliveirense, notando que em Oliveira do Hospital existe um projeto, a BLC3, mas que pertence a toda a região da Beira Serra. “Está ali uma forma diferente de ver o futuro”, sublinha José Carlos Alexandrino, convicto de que “o congresso vai ter importância estratégica para perceber como é que vai ser o nosso desenvolvimento”. O que o presidente não quer é que da iniciativa resulte apenas um conjunto de teorias, mas antes “pistas para se fazer deste, o melhor território”.

LEIA TAMBÉM

Dois detidos em flagrante em Tábua por cultivo de cannabis

O Núcleo de Investigação Criminal do Destacamento Territorial da Lousã deteve, ontem, dois homens com …

GNR realizou ontem 40 detenções em flagrante delito, sete das quais por roubo

Apenas um elemento do grupo suspeito de vários crimes na zona Centro ficou em prisão

Dos cinco jovens, com idade entre os 22 e os 28 anos detidos pela PJ …