“Biblioteca Municipal chega com quase uma década de atraso”

 

A antiga casa dos magistrados de Oliveira do Hospital foi oficialmente convertida em Biblioteca Municipal.

A obra inaugurada ao final da tarde de hoje assinalou a concretização de um projeto que tem a assinatura do anterior executivo municipal – Mário Alves primou pela ausência – e que, pelo meio, tem a registar um período de suspensão, ordenado pela equipa municipal dirigida por José Carlos Alexandrino.

Em causa esteve a localização do espaço, já que na opinião do atual presidente da Câmara, a Biblioteca Municipal deveria funcionar no antigo colégio Brás Garcia de Mascarenhas, edifício contíguo à Casa da Cultura César Oliveira.

No entanto, os custos que tal decisão implicaria acabaram por levar a equipa de Alexandrino a recuar e a retomar o projeto herdado do executivo anterior.

“Alterar a localização da Biblioteca ou adiar a sua construção traria um custo não compaginável com o momento que o país atravessa”, reconheceu hoje José Carlos Alexandrino que, sem deixar de se revelar orgulhoso pela abertura do espaço à comunidade, admitiu que o “veículo” que conduziu o executivo até à inauguração foi conduzido “por outros”.

No interior de um espaço dedicado ao culto da leitura e virado para a modernidade, dotado de áreas diferenciadas e de um auditório com capacidade para 54 pessoas, José Carlos Alexandrino não deixou de apontar o dedo ao atraso com que a Biblioteca Municipal, traduzida num investimento total de 900 mil euros, surge em pleno centro da cidade de Oliveira do Hospital.

“A Biblioteca chega com quase uma década de atraso”, referiu o autarca, verificando que “no início do século, concelhos limítrofes já dispunham de bibliotecas bem equipadas e com localização atrativa.

Ainda que sem conseguir satisfazer o campo da localização, a equipa de Alexandrino levou a obra por diante e garante que tal só foi possível devido à “saúde financeira que tem sido apanágio do município” e que como fez questão de assegurar o executivo que preside “tem não só preservado, como também reforçado”.

A falta de apoio por parte da tutela, em particular do Instituto Português do Livro e das Bibliotecas mereceu o reparo do presidente oliveirense, que verificou que ao contrário do que aconteceu em outros municípios, Oliveira do Hospital só conseguiu fazer obra com a comparticipação de 80 por cento, obtida junto do QREN.

Em período de contenção, Alexandrino tranquilizou os oliveirenses com a garantia de que encara a gestão das contas públicas com “seriedade” e como “um desafio a que não virará a cara e que saberá enfrentar”.

Com as bibliotecas itinerantes da Fundação Calouste Gulbenkian bem presentes na memória, o autarca destacou a importância do novo espaço, enquanto elemento formador da comunidade, valorizando ao mesmo tempo as mais valias de o concelho integrar, a partir de hoje, uma rede nacional de bibliotecas.

A escolha do dia 10 de junho para a inauguração da Biblioteca Municipal de Oliveira do Hospital não foi em vão. Na data  em que se assinalou Portugal, Camões e as Comunidades Portuguesas, Alexandrino apreciou os autores concelhios que, através do lançamento do livro “São Restos” de Manuel Cid Teles, foram fortemente invocados.

A ainda diretora Regional de Educação do Centro foi presença assídua no evento. E, ainda que certo da substituição de Helena Libório, o presidente da Câmara deixou a garantia de que continuará a lutar pelos interesses educativos de Oliveira do Hospital.

Considerando estar numa “magnifica biblioteca”, Helena Libório destacou o papel dos técnicos e professores bibliotecários que contribuem para “o desenvolvimento das competências da leitura”.

O presidente da Assembleia de Municipal fez questão de sublinhar o papel de Mário Alves no projeto agora inaugurado. “Também sabemos reconhecer o que é de reconhecer no momento certo”, sublinhou António Lopes, revelando-se empenhado em continuar a promover a “cultura de diálogo”.

A inauguração da Biblioteca Municipal ficou ainda marcada pela colocação em rede de todas as bibliotecas existentes no concelho. O momento ficou marcado pela assinatura de acordos de cooperação do programa “Rede Nacional de Bibliotecas” por parte dos agrupamentos de escolas do concelho.

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