BLC3 pede ao governo integração dos alunos do IPC na Universidade de Coimbra

Em defesa dos “interesses nacionais” e contra os “interesses particulares de certos grupos”, o Conselho de Administração da BLC3 acaba de pedir ao secretário de Estado do Ensino Superior a integração dos alunos do IPC na Universidade de Coimbra. De fora, a BLC3 deixa a ESTGOH para a qual defende autonomia ou integração nos Politécnicos da Guarda ou Viseu.

Foi através de uma carta aberta dirigida ao Secretário de Estado do Ensino Superior, José Ferreira Gomes, que a BLC3 reagiu ao anúncio de encerramento de mais um curso na Escola Superior de Tecnologia e Gestão de Oliveira do Hospital (ESTGOH).

“É, para nós, inadmissível que em nome da autonomia não se protejam interesses nacionais em detrimento de interesses particulares de certos grupos”, refere o Conselho de Administração da BLC3 que vendo ameaçado o propósito da sua criação – “a BLC3 só nasceu para poder servir de âncora a uma delegação do Politécnico de Coimbra, a ESTGOH”, refere – se opõe ao modo como está a ser processada a reforma do ensino superior no interior, em particular em Oliveira do Hospital.

Em particular, João Nunes e António Campos chamam a atenção de José Ferreira Gomes para o facto de o IPC fechar cursos “com mais alunos da sua delegação em Oliveira do Hospital, deslocando-os para uma cidade onde há uma Universidade”. “Dada a escassez de alunos, o Politécnico de Coimbra em vez de proteger a sua única delegação no interior, todos os anos a pretende fechar, transferindo os alunos para Coimbra”, denunciam os responsáveis pela BLC3 que, sem reservas, propõem ao governo uma mudança na forma de atuação, sugerindo que em Coimbra seja seguido o exemplo de Aveiro e Algarve onde “as universidades absorveram os alunos dos politécnicos e saíram fortalecidas”.

“Não compreendemos que em qualquer reforma do Ensino Superior se mantenham cursos a “100 metros” uns dos outros e se opte por fechar os do interior”, entendem João Nunes e António Campos, certos de que, à semelhança do que aconteceu naquelas cidades, também a Universidade de Coimbra “sairia reforçada se absorvesse os alunos do Politécnico”. Uma medida que João Nunes e António campos justificam com o facto de a Universidade de Coimbra ter “na sua maioria os mesmos cursos que o Politécnico, sendo que as sebentas são as mesmas, uma vez que, a maioria dos atuais docentes do Instituto Politécnico de Coimbra são investigadores na Universidade de Coimbra”.

“O que pedimos é que os alunos do Politécnico de Coimbra sejam integrados na Universidade, beneficiando alunos, Universidade, ensino e cidade”, lê-se na missiva onde os responsáveis pela administração da BLC3 reconhecem as vantagens que dali decorreriam, com “ganhos importantes na competitividade internacional, porque desta forma a Universidade ganharia escala”. “Passaríamos a ter uma Universidade não com 20 mil alunos, mas superior a 30 mil, mesmo assim de pequena dimensão, onde seria possível maximizar recursos e infra-estruturas e diminuir custos inerentes à replicação, no mesmo território, de sistemas de ensino”, sustentam.

Do processo de integração, os responsáveis pela BLC3 excluem contudo a ESTGOH que “podia ser integrada no Politécnico de Viseu ou Guarda ou ficar autónoma como aliás aconteceu quando foi criada”. “Esperamos que a reforma do Ensino Superior não seja mais uma reforma que sacrifique o Interior, contribuindo para uma maior desertificação”, referem, notando que “o comportamento de uma entidade de ensino inútil na sua localização (o IPC) não pode liquidar uma delegação que está localizada numa região onde os recursos disponíveis não existem”.

Na carta dirigida ao secretário de Estado de Ensino Superior, João Nunes e António Campos lembram que a ESTGOH “é uma entidade importante para a região interior, onde as únicas estruturas de ensino superior na área se localizam a mais de 70 a 80 km, e não a “100 metros” como acontece em Coimbra” e apelam, por isso, para que “o interesse nacional seja reposto e os interesses de grupo sejam banidos”

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