Os primeiros dias deste ano foram uma chatice, a começar pela digestão dos restos dos abusos da noite de 31 de Dezembro, e acabar na retribuição atrasada...

“Boas festas”

… dos beijinhos e abraços, acompanhados dos inseparáveis desejos de “boas festas” e “feliz ano”.

Chatas, digo eu, são essas dezenas de mensagens electrónicas, quase sempre com os mesmos dizeres, gémeas de outras tantas, recebidas uns dias antes pelo Natal.

Nada a fazer (a não ser desligar o telemóvel, e é o que farei para o ano – está prometido!), o hábito está criado; a saudade dos cartões de “boas festas” ainda não é total, mas para lá caminha. Por acaso (só por acaso?), dos mais chegados e conhecidos, não recebi sequer um cartãozinho como amostra, paciência. Isto é bom, ou mau, sinal dos tempos de agora?

Este ano (sim, já em 2010. … e antes do Natal, também!) abusei da perda voluntária da memória e não houve “boas festas” para ninguém, à excepção, claro, das vezes em que fui obrigado a entoar a cantilena quando me cruzava com as boas maneiras na ponta da língua de alguém, até no supermercado, onde as meninas das caixas estavam travestidas de “mãe natal”.

Pobre das pequenas, ao que são obrigadas, em nome de uma tradição americana, embora dos livros não conste que o “pai natal” tivesse companheira, “mãe de tantos filhos”…

Como não me apeteceu brincar ao natal (as couves e as batatas com bacalhau pertencem a outra estória, porque me lambuzo – salvo seja – com frequência com a receita, e não apenas para cumprir a tradição), ocupei estes dias com a leitura de duas obras que tinha à cabeceira.

Não fui até ao fim, mas adiantei os marcadores das páginas, o que não é nada mau.

Portanto, “Rio das Flores”, do Miguel Sousa Tavares, já vai para lá do meio, “O Último Bandeirante”, do Pedro Pinto, está quase no fim, e para que não digam que fiquei por aqui, ainda fui a tempo de ler, de fio a pavio, “O Apicultor”, de Maxence Fermine, e da “Palavra Mágica”, do Rui Zink, falta devorar uma das suas crónicas, o que é óptimo para quem passa horas a ler jornais e a “postar” em três blogues, o que me dá algum gozo, confesso, porque posso armar-me em escritor e/ou poeta no anonimato, ou nem por isso, e…sempre aparece alguém por lá que me alimenta o ego com recados de parabéns! (“Brigadinho” a tanta simpatia…).

Foi o que aconteceu nestes últimos dias: meia dúzia de comentários gentis, “agravados” com votos de “boas festas e um 2010 cheio de coisas boas, edecetra” e tal – como é costume – e eu, mesmo assim, mantive-me a “leste do Natal”…

…Pensando bem, ninguém tem culpa do meu mau humor, a ponto de fugir do Natal, como se ele fosse coisa má, e não é, pelo contrário – bem vi como se comportaram as crianças do Barril (o meu sítio de todas as horas) em Óbidos, a “Vila Natal” por uns tempos.

A felicidade que traziam nos olhitos, na viagem de regresso, devolveu-me o encanto da época, quando também era criança. Abençoadas sejam todas elas, as crianças, por muitos anos e bons. Para o ano vou enfileirar ao lado dos felizardos que “acreditam” no pai natal, e distribuir “boas festas” a toda a gente – fica (também) prometido!

Afinal de contas, não custa nada sonhar com um velhote vestido de vermelho, com barbas brancas, gnomos, fadas, renas voadoras e tudo o mais… quando se tem imaginação fértil, como as crianças. Quanto às mensagens electrónicas, gémeas das que recebi este ano, isso é um caso a ver depois de ligar o telemóvel…

Carlos Alberto (Vilaça)

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