Imagem vazia padrãoA Splendissimae Civitati está prestes a reaver o seu apogeu. O anfiteatro romano está praticamente requalificado e a inauguração deverá acontecer ainda este mês com uma recriação própria da era romana. Satisfeito, o autarca Fernando Duarte quer “mostrar o espaço ao país e não o deixar cair no abandono”.

 

Bobadela com importante trunfo turístico

Passados 28 anos desde a sua descoberta, o anfiteatro romano localizado na Bobadela – Splendissimae Civitati – está prestes a renascer das cinzas e a poder ser palco de grandes eventos culturais. As obras de conservação, beneficiação e restauro do espaço que até 1980 permaneceu enterrado, estão em fase de conclusão, no âmbito de um protocolo estabelecido entre a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, antigo Instituto Português do Património Arquitectónico (IPPAR) e Junta de Freguesia.

O anfiteatro romano terá sido construído no último quartel do século I e destruído por um incêndio nos finais do século IV. Foi descoberto por um grupo de arqueólogos que levaram por diante um longo trabalho de prospecção e pesquisa. A imponência do legado histórico herdado dos romanos, obrigou à recuperação do espaço que encerra um “triângulo” já constituído pelo fórum, onde se localiza o arco romano, classificado como monumento nacional, e pelo Centro de Interpretação das Ruínas Romanas da Bobadela já construído, mas ainda inactivo.

Num investimento de cerca de meio milhão de Euros, os trabalhos no anfiteatro caminham para o seu terminus, esperando-se a inauguração para 29 de Junho, altura em que deverá ser recriado um espectáculo de circo com luta de gladiadores, numa alusão à época em que foi edificado.

Imagem vazia padrãoCom as suas características, o anfiteatro da Bobadela é único em território nacional, pelo que já mereceu a visita de muitos turistas antes e durante as obras de recuperação. Note-se que todo o centro romano da Bobadela foi alvo de trabalhos de beneficiação e recuperação, destacando-se também o resultado das escavações realizadas por arqueólogos na zona do fórum de onde foram retiradas ossadas humanas e objectos.

Praticamente recuperado, o anfiteatro mantém as características da era romana, com a particularidade de a arena permanecer com as dimensões e profundidade iniciais. “A base não foi reconstruída, foi encontrada tal como está”, contou o presidente da Junta de Freguesia local, explicando que a mesma se situa a uma profundidade de aproximadamente quatro metros. Fernando Duarte dá conta de todo um trabalho – projectado pela equipa de arquitectos Dias Coelho e Teixeira da Costa e executado pela empresa Bascol – de adequação ao espaço criado pelos romanos, numa preocupação de não perder os traços que marcaram a sua arquitectura. Todos os vestígios foram aproveitados e aplicados no local a que se associaram novos materiais ajustados ao espaço e à sua história. “A arena tem gravilha granítica, com um grão parecido ao encontrado nas sondagens e a cávia será consolidada por meio de hidro-sementeira”, explicou ao Correio da Beira Serra, fazendo ainda referência a todo um corredor envolvente à arena que permite a mobilidade do público.

As bancadas não fizeram parte do trabalho agora elaborado, mas o presidente da junta acredita que tal venha a acontecer numa segunda fase. “Tudo faremos para que seja possível, mas já fico satisfeito com esta primeira fase”, disse, destacando a importância da iluminação que, no período nocturno, delimita alguns percursos e sinaliza objectos localizados na arena. Sublinha a preocupação que houve em retirar o posto de transformação existente por um mais reduzido e em soterrar as linhas de forma a minimizar o impacto visual. “O objectivo é que os visitantes contemplem o património”, referiu Fernando Duarte, que fala de um espaço “bonito e bem enquadrado” de que “o concelho se pode orgulhar”.

Mostrar o espaço ao país e não o deixar cair no abandono

Com a inauguração do anfiteatro e abertura do Centro de Interpretação das Ruínas Romanas, Fernando Duarte não tem dúvidas de que fica concluído todo um trabalho iniciado por anteriores juntas de freguesia que “tudo fizeram para que o espaço fosse reabilitado para reaver o que era desconhecido”. “Os antepassados deixaram-nos um valioso legado histórico e esta requalificação – fórum, centro e anfiteatro – poderá dar à região, ao concelho e ao país, condições ímpares no espectro cultural e na realização de eventos”.

Imagem vazia padrãoPorque entende estar em face de um importante legado não só para a Bobadela, mas para a totalidade do concelho – “todas as freguesias têm o seu património e eu gosto da minha freguesia como gosto das outras”, referiu – Fernando Duarte é defensor de uma maior divulgação das potencialidades concelhias. Consciente de que a tendência é a de “um mundo cada vez mais global”, o autarca está disposto a tudo fazer para poder levar longe o nome da Splendissimae Civitati. “Precisamos de mostrar ao concelho e ao país este local e temos que o rentabilizar. Não o podemos deixar ao abandono”, sentenciou, em defesa de “um espaço vivo que tem que ser rentabilizado com eventos”.

Com a mente repleta de ideais e possíveis projectos – Duarte confessou ter por hábito visitar centros históricos – o autarca vê limitada a sua intervenção pela falta de meios financeiros, mas garante não baixar os braços “e tudo fazer para incentivar o município”. Desafia por isso a Câmara Municipal a uma “maior cooperação” com o executivo da Bobadela quer na dinamização de actividades, quer na divulgação dos espaços. “Seria mais fácil a conjugação de esforços”, notou entendendo como uma boa solução o estabelecimento de um protocolo entre o município e a Junta de Freguesia.

O objectivo de Fernando Duarte é o de levar longe o nome da Bobadela e do concelho. Sabe que a Splendissimae Civitati é um lugar cada vez menos desconhecido, mas agradece-o à publicidade que segue de boca-em-boca e não tanto à aposta do município na publicitação dos seus espaços. O autarca lamenta a inexistência de um roteiro turístico que oriente quem visita o concelho. “Temos um folheto preparado, mas gostávamos que o município colaborasse, para que seja divulgado nas agências turísticas”, referiu, na certeza de que a aposta deve passar pela divulgação. Na opinião do eleito “o pior já está feito”, importa agora “todo um trabalho de organização que deve ser feito”. “Temos que nos organizar e perspectivar as coisas de forma a sabermos recolher”, considerou, contando que, por exemplo, “em Espanha fazem negócio com uma pedrinha, um pin e um autocolante”.

Turistas perdidos sem saber para onde ir

Numa freguesia habitada por cerca de 800 pessoas, os turistas não conseguem esconder a sua condição. E, Fernando Duarte garante que não têm deixado de marcar presença, especialmente nos períodos de férias, fins-de-semana e feriados. Mas, constata que “por vezes andam um pouco perdidos sem saber para onde ir”. “Sinto-me triste”, confessou o autarca que lamenta que o Museu Municipal Dr. António Simões Saraiva esteja encerrado aos fins-de-semana e feriados. Aponta ainda o dedo a uma lacuna – a Câmara está sensível a esta questão, frisou – relacionada com a toponímia existente que não se adequa à importância histórica que o local encerra. “Tudo isto implica um lado financeiro”, lamentou, na expectativa de que o município possa avançar com a substituição das placas e inclusão de painéis informativos.

“Inconcebível” – como disse – é também a inexistência de sanitários públicos numa localidade que, frequentemente, recebe excursões de turistas. “Fazem falta, porque acabam por ir a locais pouco convenientes, danificando os espaços físicos”, referiu. Preocupado com o conforto de quem visita a sua freguesia, Duarte desafia os empresários a investirem na Bobadela ao nível da restauração e confeitarias.

Uma alavanca para a freguesia e para o concelho

No exercício do seu primeiro mandato, Fernando Duarte, 46 anos de idade, admite ter tido “sorte” em liderar a autarquia no período da concretização das obras de requalificação. Confessa-se “satisfeito pela população” que classifica de “fantástica”, mas garante que o seu objectivo é “ajudar as pessoas e não tirar qualquer dividendo pessoal”.

Para os próximos tempos augura um maior movimento na freguesia, mas não acredita que a Bobadela venha a perder a pacatez que a caracteriza. Duarte fala de uma “freguesia simpática que sabe receber os visitantes” e elogia a capacidade da população em aceitar toda a dinâmica que está assolar a freguesia. Contudo dá conta de todo um trabalho de sensibilização realizado junto das pessoas – foram conhecer Mérida – e reconhece o empenho da juventude nessa matéria. É que – como explicou – em face de algumas necessidades básicas que continuam a persistir, muita gente não viu com bom grado todo o investimento efectuado no centro histórico. Duarte é que não descura a importância de toda a intervenção porque acredita estar na presença de “uma alavanca para a freguesia e para o concelho”.

Liliana Lopes

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