Bombeiros precisam-se …

Em quatro anos, a corporação de bombeiros de Oliveira do Hospital perdeu 40 por cento do seu efetivo voluntário. A fanfarra e a Escolinha de bombeiros têm contribuído para atenuar a saída de bombeiros, alguns dos quais forçados à emigração.

“Gostas de ajudar os outros? Alista-te como Bombeiro Voluntário”, a mensagem em jeito de repto parte da própria Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital que fruto da saída de voluntários do seu corpo, se vê obrigada a desafiar os mais jovens com reconhecido espírito altruísta a reforçar a equipa dos bombeiros. Uma preocupação que é transversal à direção e comando dos bombeiros, muito motivada pela dureza dos números que apontam para “uma redução significativa” dos voluntários naquela corporação. “Há quatro anos contávamos com 150 bombeiros e agora contamos com 90”, refere o comandante dos BV de Oliveira do Hospital, contando que, entre outubro de 2013 e janeiro deste ano, foram sete os bombeiros que se afastaram da corporação pelo facto de optarem pela emigração. Uma situação que preocupa Emídio Camacho, mas que – como garante ao correiodabeiraserra.com – não afeta o dia a dia da corporação que até agora tem conseguido cumprir com os seus objetivos e obrigações.

A motivar o afastamento dos bombeiros do corpo voluntário está também a legislação e imposições em matéria de horas de formação e de assiduidade nos serviços e que para alguns bombeiros, por motivos de ordem profissional, são difíceis de respeitar.

A servir como “garantia” à corporação oliveirense está a fanfarra de onde têm emergido novos bombeiros, bem como a escolinha de bombeiros, composta por 70 elementos com idades entre os 6 e os 17 anos e de onde a corporação espera que venham a surgir novos voluntários.

Entre os 90 bombeiros ao dispor da corporação, encontram-se 21 profissionais que 24 horas por dia e sete dias por semana asseguram, juntamente com os voluntários, o funcionamento da corporação, cuja atividade está longe de se resumir ao combate aos fogos, alargando-se à área da saúde e ao socorro.

“Foi um dia muito complicado para os bombeiros”, recorda Emídio Camacho louvando a coragem do seu adjunto de comando que fruto da sua experiência soube agir. 

À espera da entrada de 18 elementos que frequentam a escola de bombeiros, a corporação pugna pela constante formação e instrução dos seus bombeiros. Atendendo ao período crítico que se avizinha as atenções centram-se sobretudo na área dos incêndios florestais, com especial incidência nos procedimentos de proteção individual.  É que bem presente na mente dos bombeiros estão, de um modo geral, as perdas humanas verificadas em 2013 e, em particular, o susto vivido pela corporação oliveirense que viu ameaçada a vida do adjunto de comando Paulo Rocha que quando fazia “reconhecimento do terreno”, repentinamente, foi surpreendido pela mudança do vento e pelas chamas. “Foi um dia muito complicado para os bombeiros”, recorda Emídio Camacho louvando a coragem do seu adjunto de comando que fruto da sua experiência soube agir. “Ele teve mesmo sangue frio . Não abandonou o carro e resguardou-se dentro da viatura de comando”, continuou o comandante que, volvido quase um ano, se regozija por Paulo Rocha ter conseguido escapar das chamas que acabaram por destruir a viatura de onde saiu em tempo limite. “Perdemos uma viatura, mas é reposta. Mas não se consegue repor uma vida”, comenta Emídio Camacho.

Às portas da fase Charlie – o período crítico arranca dia 1 de julho – a corporação já iniciou o combate aos fogos que fruto de “descuido” e “mão criminosa” teimam em se renovar em cada ano. E depois de um inverno rigoroso, tudo aponta para um verão “difícil” em Oliveira do Hospital. Nada a que os bombeiros do concelho já não estejam habituados. Em 2013, Oliveira do Hospital foi o concelho do distrito de Coimbra com maior número de ocorrências registadas, não coincidindo porém com o concelho com maior área ardida “pela capacidade de resposta e forte mobilização do comando distrital de operações de socorro na mobilização de meios”, refere Emídio Camacho.

Ao lado da corporação de Lagares da Beira no dispositivo municipal contra incêndios, o corpo de bombeiros de Oliveira do Hospital garante estar a postos para mais uma época crítica, contando com um total de 10 viaturas de combate ao fogo florestal. A partir de 1 de julho, a corporação oliveirense conta no seu seio com três equipas ECIN, de 15 elementos, em prontidão 24 horas por dia para a primeira intervenção. Duas equipas são asseguradas pela Autoridade Nacional da Proteção Civil e uma pela Câmara Municipal de Oliveira do Hospital.

A assegurar o combate ao fogo florestal, o comandante do bombeiros está contudo certo de que o caminho a seguir é o da prevenção, pelo que defende uma maior sensibilização da população para a necessidade de manter os terrenos limpos e as moradias protegidas. Lamenta, porém, que as pessoas não se interessem e que só com o fogo diante dos olhos deitem “as mãos à cabeça e pedem para que Deus as proteja”.

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