Bombeiros querem maior prevenção para reduzir sofrimento das populações

O flagelo dos incêndios continua a ser o problema maior para os bombeiros de Oliveira do Hospital. Em dia de comemoração do 92º aniversário da corporação, o apelo foi no sentido de uma maior prevenção para que não se percam vidas e se reduza o sofrimento das populações.

Saída de uma época de incêndios que se revelou trágica por, no país, ceifar a vida a oito bombeiros, a Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntários de Oliveira do Hospital não esconde a preocupação em torno daquele flagelo que “quase” deixou de luto a corporação e o concelho. Aconteceu em agosto de 2013 no forte incêndio ocorrido em Penalva de Alva, onde o adjunto de comando, Paulo Rocha se viu cercado pelas chamas, escapando porém ileso do incêndio que acabou por destruir a viatura em que seguia. Um episódio que, ontem, em dia de aniversário da corporação foi por todos referenciado como um caso de coragem e que engrandece o corpo de bombeiros. “Todos estamos muito sensibilizados e admiramos a tua vocação solidária. Muitos abandonariam a carreira de bombeiro, ou estariam traumatizados, mas tu resistes”, disse o presidente da direção da AHBVOH, Arménio Tavares, satisfeito pelo facto de Paulo Rocha ter conseguido escapar com vida, não integrando a lista de vítimas do verão passado. Um “exemplo de capacidade e de entrega a esta nobre causa” também elogiado pelo comandante Emídio Camacho, que apreciou “a destreza, resistência e capacidade de agir em momento de aflição”, demonstrada pelo seu adjunto de comando. Um episódio da vida dos bombeiros oliveirenses que também o presidente da Câmara garante nunca mais esquecer, em particular o momento em que o bombeiro abraça o filho num “abraço tremendo”, representando a “angústia das famílias”. “É um quadro que nunca esquecerei na minha vida”, disse José Carlos Alexandrino.

“Pergunto ao povo de Oliveira do Hospital: quantas habitações os nossos bombeiros já deixaram arder aqui?”

Episódios difíceis que os bombeiros querem, a todo o custo, evitar. “O segredo está na prevenção e limpeza da matas”, referiu Carlos Luís Tavares, Comandante Distrital das Operações de Socorro, notando que assim o “combate seria bem mais despercebido”.
Uma posição partilhada pelo presidente da Federação de Bombeiros do distrito de Coimbra que destacou a necessidade de “mudança de paradigma de uma vez por todas”. “Temos que ser os primeiros a dizer que é preciso investir mais na prevenção, do que no combate e precisamos diminuir o número de ignições, porque há dias com 500 ignições e não há país nenhum no mundo com capacidade de resposta”, afirmou António Simões, na certeza de que só assim “é possível reduzir o sofrimento das populações”. Um sofrimento que António Simões sabe que tem sido atenuado no concelho “graças à capacidade dos bombeiros de dar a vida para ir ao fundo do vale para apagar os incêndios, porque muitas habitações teriam mais prejuízos”. “Pergunto ao povo de Oliveira do Hospital: quantas habitações os nossos bombeiros já deixaram arder aqui?”, continuou, constatando que “se todos os outros agentes fizessem tanto como se faz no combate, também nós passaríamos mais despercebidos do que aquilo que passamos”.

OLYMPUS DIGITAL CAMERADe acordo com Emídio Camacho, comandante dos bombeiros, em 2013 foram consumidos 892,24 hectares de floresta no concelho, sendo que 340,73 hectares foram na área de atuação da corporação oliveirense. “Foi um verão de grande tragédia e enorme tristeza”, referiu o responsável que, pese embora, a dura realidade assegura que a corporação “não se deixa abalar” e leva por diante o seu empenho na formação e apetrechamento da corporação com recursos materiais. Uma missão possível graças à boa colaboração do município, empresas e beneméritos que não hesitam em dar a mão à AHBVOH. “Trabalhar em equipa é a alavanca do sucesso”, referiu Emídio Camacho.

Uma equipa de que o município oliveirense quer continuar a fazer parte, quer no apoio que vem prestando à Associação Humanitária, quer também no compromisso de defesa dos bombeiros e da floresta. Isto mesmo foi garantido pelo presidente da Câmara Municipal que enquanto vice presidente da CIM da região de Coimbra comprometeu-se a ser “uma voz em vossa defesa na negociação do quadro comunitário, porque fazem um trabalho extraordinário em prol das comunidades”. José Carlos Alexandrino prestava assim reconhecimento aos bombeiros que arriscam as suas próprias vidas para defender a florestas e os bens das populações. Atendendo ao número de mortes verificadas no verão passado, Alexandrino deixou mesmo uma “palavra de saudade”, sobretudo à jovem que faleceu no incêndio do Caramulo e com a qual tinha jantado horas antes em Oliveira do Hospital, depois de também ter estado envolvida no combate ao fogo em Penalva de Alva. Pelo contrário, o autarca criticou os que fogem às responsabilidades pelas mortes ocorridas. Por esse facto, defende uma reorganização do sistema “em termos de cúpula, desde o ministro, ao secretário de Estado para que não morram mais bombeiros”.

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