Café Central: Concorrentes não aceitam resultado de concurso e apresentam reclamação

 

Os concorrentes queixam-se da viciação do resultado e confessam-se “descrentes” no poder político local.

Está instalada a polémica em torno do concurso para exploração do Café Central, situado em pleno centro da cidade de Oliveira do Hospital.

O resultado do concurso conhecido no final da última semana não caiu bem junto de alguns concorrentes que, facilmente, chegam à conclusão que se trata de um resultado “viciado”.

Gilberto Silva, autor da proposta para pagamento mensal de renda mais elevada – 1000 Euros – é um dos concorrentes que, esta tarde, já fez chegar a reclamação junto dos serviços da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, por não conseguir compreender os critérios que motivaram a adjudicação da exploração do espaço à empresa Alveswreta – Indústria Hoteleira e Similares, do conhecido grupo empresarial Tavfer.

“Não sei como chegaram a esta classificação final, porque há concorrentes com curriculum que surgem com uma pontuação inferior a pessoas sem curriculum”, começa por explicar o jovem empresário que já explora um conhecido bar na cidade e que confessa não perceber o que levou o júri a entregar ,a exploração àquela empresa, sem antes analisar os seus antecedentes.

Gilberto Silva refere-se, assim, em concreto ao estado “lastimável” em que se encontra o Hotel São Paulo – explorado pela Alveswreta – e que só é revelador de “uma má experiência”.

Ainda no que respeita à análise da tabela onde consta a classificação dos 17 concorrentes admitidos a concurso, o jovem aponta o dedo aos anos de gerência que foram apresentados a concurso pela Alveswreta e, que não coincidem com o verdadeiro período de tempo em que a mesma foi adquirida pelo empresário Fernando Tavares Pereira e presidente do grupo Tavfer. ´

Do mesmo modo, Gilberto Silva denuncia que as horas de formação que constam do curriculum dos funcionários que irão trabalhar no espaço foram ministradas por uma outra empresa que faz parte do mesmo grupo.

Autor da proposta que ficou classificada na segunda posição, Gilberto Silva denuncia ainda aquilo que chama de “jogada” do grupo, mas que acabou mal sucedida pelo facto de o próprio ter avançado com uma proposta de 1000 Euros para o pagamento de renda.

É que – como explica- se tal não se tivesse vindo a verificar, o grupo Tavfer ao avançar, através dos Empreendimentos Turísticos Quinta dos Cedros, com uma segunda proposta no valor de 680 Euros (ficou em 3º lugar), ficaria em segundo lugar, permitindo ao grupo abdicar da primeira e ficar com a segunda, já que se afigurava mais rentável.

Para Gilberto Silva, que assegura contar com uma solidariedade geral, está em causa um conjunto de situações que o levam a verificar que o concurso padece de vícios, ao ponto de acreditar que a reclamação que, hoje, apresentou junto da autarquia também não terá qualquer efeito prático. “Já sei que isto não vai levar a lado nenhum. Infelizmente, é o que toda a gente diz”, verifica o jovem, convicto de que toda esta situação poderia ter sido travada, ao inicío, pelo próprio presidente da Câmara Municipal não permitindo que o grupo Tavfer entrasse no concurso.

“Assim o presidente da Câmara fica mal perante a sociedade”, constata, porque “se o café Central não prestava para o filho, agora já presta para o pai”. “Aquilo ou vai tornar ao mesmo, ou ficar ainda pior”, verifica.

“Neste momento tudo indica que foi uma jogada”

“Desilusão” e “descrença” são termos usados por Ruben Gonçalves para descrever o que sente em face de um concurso, cujo resultado o remeteu para o 9º lugar da classificação, chegando mesmo a ver-se ultrapassado por concorrentes com menos pontuação, quer no curriculum, quer no valor da proposta apresentada.

Autor de uma proposta de 840 Euros para o pagamento de renda mensal, o funcionário de uma conhecida gelataria da cidade está certo de que o concurso “padece de vício” e sente-se desmoralizado ao ponto de querer dar o assunto por encerrado, por também ele achar que “não vale a pena reclamar”.

“Não acho que isso vá fazer grande diferença”, refere o jovem que diz não compreender os critérios que levaram à classificação final. “Neste momento, tudo me indica que foi uma jogada”, refere desconfiado, considerando que a Câmara Municipal deveria estar atenta à participaçaõ do grupo Tavfer, por ser um “caso especial”, tendo em conta o que se passou com a Fertavending que, por incumprimento, até já está em tribunal. “Toda a gente sabe que eles estão juntos”, adverte.

Na opinião do jovem concorrente, o grupo Tavfer nem sequer deveria ser admitido a concurso. “Isto é andar a brincar com os oliveirenses”, chega a verificar, questionando o que é que mudou em tão pouco tempo, para que um espaço que antes era mau, agora se tenha tornado tão apetecido. “Afinal as obras foram feitas e a Câmara não nos informou de nada?” questiona, concluindo que, ao contrário do que pensava, “as coisas não são de quem as quer trabalhar, mas de quem tem dinheiro para as comprar”. O jovem que um dia acreditou “que isto fosse mudar”, revela-se assim “descrente” naquilo que tem sido a atuação do poder político local. “Ninguém muda nada. É mais fácil continuar do que mudar”, rematou.

O descontentamento em face do resultado do concurso não se esgota nos dois concorrentes citados. O correiodabeiraserra.com sabe que a desilusão é geral e, que outros concorrentes se estarão a preparar para reclamar junto da Câmara Municipal.


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