Câmara aprova “resgate financeiro” às contas dos bombeiros de Lagares da Beira

… Associação Humanitária dos Bombeiros Voluntário de Lagares da Beira (AHBVLB), que soma uma dívida a fornecedores superior a 70 mil Euros.

Em causa está um “resgate financeiro” aprovado por unanimidade pelo executivo municipal de Oliveira do Hospital com o objetivo de ajudar a recém empossada direção da Associação Humanitária a regularizar as contas herdadas da anterior equipa diretiva.

“A direção nova está com alguns problemas de ordem financeira, porque houve despesas que não foram contabilizadas e estão com dificuldades em liquidar as dívidas”, referiu o presidente da Câmara Municipal que, esta manhã, propôs o pagamento do subsídio anual de 37.500 Euros a ambas as corporações do concelho em duodécimos, no montante de 3.125 Euros mensais, com a primeira tranche relativa ao primeiro trimestre de 2013 a ser paga já em março.

Uma medida que não resolve os problemas da Associação Humanitária de Lagares da Beira e que forçou o executivo municipal à aprovação de um apoio adicional de 25 mil Euros, a pagar nos próximos três meses – duas tranches de 10 mil Euros e uma de cinco mil Euros – ficando a associação obrigada à apresentação de contas no final do semestre. Desta forma, José Carlos Alexandrino pretende ‘estender a mão’ à corporação Lagarense, que se encontra numa situação que o próprio disse nem imaginar, mas da qual tomou conhecimento pela nova equipa diretiva com a qual tem reunido e à qual reconhece “entusiasmo” para reequilibrar as contas da Associação.

“Pretendem fazer uma reestruturação e cortes que são fundamentais”, referiu o presidente, referindo-se à equipa dirigida por António Maceira que, para além do saldo negativo e dívidas a fornecedores, se vê a braços com um défice mensal de 3.500 Euros.

“Um dia destes não há fornecedores que nos fiem”

Ainda a proceder à organização da contabilidade de 2012 que, em dezembro, “não dispunha de um único documento lançado”, a recém empossada direção da AHBVLB já regista uma saldo negativo de cerca de 10 mil Euros e um conjunto de dívidas a fornecedores que ultrapassa os 70 mil Euros. “No dia 26 de dezembro a anterior direção disse que tinha um saldo positivo de 50 mil Euros, mas afinal o saldo é negativo em 10 mil Euros”, afirmou António Maceira ao correiodabeiraserra.com, contando que desde a tomada de posse, em 28 de dezembro passado, as faturas por pagar aos fornecedores e até multas têm surgido em ‘catadupa’.

“Um dia destes não há fornecedores que nos fiem”, receia o presidente da direção que se tem preocupado em pagar os salários aos cerca de 13 profissionais que se encontram ao serviço da corporação e assegurar a reserva de INEM totalmente suportada pela corporação – apenas aufere um prémio de saída – que muito contribui para o défice mensal da estrutura de 3.500 Euros.

“Todos os dias vão aparecendo faturas novas para pagar”, insiste o responsável que não tem dúvidas de que a atual situação da corporação é resultado da gestão “pouco cuidada” levada a cabo pela anterior direção que, na hora da apresentação de contas, lhe entregou um conjunto de “papelinhos”. “Não houve empenho necessário”, constata António Maceira que facilmente comprova o que argumenta com as atas das “poucas” reuniões realizadas pela anterior direção. Segundo contou, os estatutos prevêem a realização duas reuniões por mês e a anterior direção realizou apenas metade nos dois últimos anos. “Nós já vamos na 11ª ata”, conta o responsável, certo de que uma associação humanitária de bombeiros “não se pode gerir com uma reunião por mês”.

Sem querer criar complicações a ninguém, António Maceira diz estar mais preocupado em resolver o problema financeiro que herdou e, até dotar, a AHBVOH de melhores meios de socorro e combate a incêndios por via de uma candidatura ao POVT. “De há quatro anos para cá, para além das duas ambulâncias oferecidas pela Câmara e pelo senhor António Lopes, não há cá rigorosamente mais nada”, lamenta o responsável, revelando-se grato pelo gesto tido pela autarquia e o conhecido benemérito.

É urgente reestruturar…

Uma realidade que esta manhã não deixou indiferente os vereadores da oposição na Câmara Municipal que votaram favoravelmente ao ‘resgate financeiro” às contas da AHBVLB.

“Enquanto puder resistir no domínio do voluntariado é importante que a Câmara assegure a sua sustentabilidade”, considerou o vereador do PSD, propondo até que, “por questão de prudência” e face ao apoio adicional de 25 mil Euros, a Câmara solicite um relatório trimestral das contas da Associação, para que possam ser analisadas pelo vereador responsável pela área financeira. Do mesmo modo, Mário Alves considerou imperativa uma “reestruturação” da AHBVLB no domínio do pessoal porque “a tendência é de redução do transporte de doentes”.

“Estamos sensíveis e disponíveis para colaborar”, referiu entretanto o vereador do movimento “Oliveira do Hospital Sempre”, José Carlos Mendes, alinhando com Alves na defesa de uma “reestruturação de forma a que não percam eficiência”.

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