Câmara de Oliveira admite interpor ação judicial contra a empresa Águas do Zêzere e Côa (com vídeo)

A densa espuma à tona de água não deixa margem para dúvidas: há esgotos não tratados a entrar no Rio Alvôco. A Assembleia Municipal de Oliveira do Hospital mostrou, na última noite, um cartão vermelho à empresa Águas do Zêzere e Côa pelo mau serviço prestado na manutenção das 19 ETARs do concelho. O recurso à via judicial poderá vir a caminho.

Foi de dedo em riste para o sistema multimunicipal Águas do Zêzere e Côa que, ontem, se posicionaram os deputados municipais de Oliveira do Hospital, aprovando por unanimidade uma moção de repúdio.  Em causa estão as sucessivas denúncias de mau funcionamento das ETARs do concelho. Um problema que tem sido recorrente em Oliveira do Hospital e que, nos últimos dias, ganhou expressão maior no leito do Rio Alvôco, onde o amontoado de espuma dá conta de descargas de esgotos no rio e, precisamente numa zona de lazer, no Açude da Moenda.

O caso que já levou o conhecido movimento “Salvem Alvôco de Várzeas” – também alerta para situações de erupção cutânea após banhos no rio –  a apresentar uma denúncia ao SEPNA e a pedir esclarecimentos ao pelouro do ambiente da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital foi, também, ontem levado à reunião da Assembleia Municipal pelo próprio presidente da Junta de Freguesia, Agostinho Marques, que apelou ao executivo para que junto da AZC diligencie no sentido de que o problema seja sanado de uma vez por todas. “Dizemos que a zona do Vale do Alva e Alvôco é a mais bonita do concelho, mas temos que ter cuidado para não sermos confrontados com estas contradições”, referiu o autarca, cuja preocupação também foi partilhada pelo deputado municipal independente José Vasco de Campos. “É um assunto muito preocupante”, referiu o também agora candidato do CDS-PP à autarquia oliveirense, que encara o tratamento das águas como “um pilar da sociedade”. “Se não tivermos água tratada, o que é que poderemos vir a ter”, registou o deputado que conhecedor da existência de situações semelhantes em outras ETARs do concelho, destacou a necessidade de uma intervenção rápida para que “o problema não se agudize ainda mais”.

Uma resolução que, para o presidente da Câmara já lá não vai com reuniões com a empresa Águas do Zêzere e Côa. “Isso já fiz eu muitas vezes”, contou José Carlos Alexandrino, informando já ter reunido com a ARH, que tem capacidade para aplicar coimas aos incumpridores. Uma diligência da qual o autarca também não conta obter grandes resultados, porque “Estado aplicar multas ao próprio Estado, é esquisito”.

Via judicial e pedido de indemnização

De braços cruzados é que o presidente da Câmara de Oliveira do Hospital garante que não irá ficar. Na última noite, numa reação ao descuido da AZC na manutenção das 19 ETArs que existem no concelho, Alexandrino colocou uma moção de repúdio à votação e que a Assembleia Municipal aprovou por unanimidade. O próximo passo, admitiu o autarca, poderá ser “a via judicial e o pedido de uma indemnização bastante elevada pelo incumprimento na prestação de serviço de qualidade e que Oliveira do Hospital é obrigada a pagar”.

“Temos 19 ETARs e pensei que fosse para melhorar a qualidade de vida e ambiental do concelho. Para isso é que houve investimento fortíssimo dos dinheiros públicos”, referiu ainda o autarca que fala de uma situação de falta de manutenção das estruturas – “temos fotografias que provam que, num ano, ninguém foi a uma ETAR”, contou – e que é transversal ao conjunto de ETARs.

Segundo contou, a ETAR de Oliveira do Hospital “sofreu uma transformação, porque não estava bem dimensionada para o número de pessoas que abrange”. “Houve investimento e esperamos que haja resultados”, revelou expectante o autarca que, do mesmo modo, aludiu ao problema das descargas ilegais. Situações que, como sublinhou, têm que ser identificas e os seus autores denunciados.

LEIA TAMBÉM

Universidade de Coimbra aposta na folha de mirtilo para tratamento da Esclerosa Múltipla

Um projecto de investigação da Universidade de Coimbra aposta no potencial terapêutico da folha de …

Polícia Judiciária deteve mulher que tentava introduzir haxixe na prisão de Coimbra

PJ deteve 12 pessoas em Coimbra por suspeita de tráfico de droga

A Directoria do Centro da Polícia Judiciária anunciou hoje ter detido, na terça-feira, doze pessoas …

  • Bernardo

    Não foi por falta de avisos!!!

  • Fernando Andrade

    No caso de Alvoco não será falta de manutenção mas sim erro de construção, se a suspeita de um tanque com fratura se confirmar, vai ser um grande problema.
    A fuga do esgoto poderá estar a ir para o rio através dos lençóis freáticos que existem no local.
    Todos se lembram da água da fontinha tão fresca e pura que era.