Câmara de Oliveira do Hospital avança para empréstimo de dois milhões de euros em nome de “obras nas freguesias”

A Câmara Municipal de Oliveira do Hospital prepara-se para contrair um empréstimo no valor de dois milhões de euros destinados a financiar 14 obras em várias freguesias do concelho. O presidente da autarquia justifica o recurso à banca com a necessidade de obter liquidez para realizar um investimento equilibrado por todo o concelho e compensar o território que não abrangido pelos sete milhões de euros atribuídos pelo Plano Estratégico de Desenvolvimento Urbano (PEDU), uma verba comparticipada em 85 por cento por fundos comunitários e que se destina exclusivamente a obras na zona urbana da cidade.

“Estes dois milhões é um empréstimo para manter o equilíbrio de obras no resto do concelho, em locais que não vão ser beneficiados pelo PEDU”, explicou José Carlos Alexandrino. “É um empréstimo para dar início à caça ao voto com obras que vão cair em cima das próximas eleições autárquicas”, contrapôs o vereador do PSD, João Brito. Uma tese que José Carlos Alexandrino não aceita. O autarca repetiu que este empréstimo servirá apenas para compensar o restante território, sublinhando não ter culpa que o PEDU só agora esteja em condições de arrancar. E deverá iniciar-se em breve com duas obras: a requalificação da Rua Virgílio Ferreira e a Avenida Dr. Carlos Campos.

“As negociações do PEDU foram encerradas na semana passada, por isso cá estamos agora para realizar as obras. Vão ser lançadas por muito que isso desagrade a alguns. Se o processo tivesse sido agilizado poderiam ter sido lançadas mais cedo. Oliveira do Hospital é o reflexo de todo o território, vai ter um grande investimento por via destes apoios, mas não deixaremos de investir no restante espaço do concelho”, frisou o chefe do executivo”, disse ainda José Carlos Alexandrino que não deixou de elogiar a sua capacidade negocial e dos elementos que o acompanham na gestão da autarquia. “Há cidades que têm o dobro da população de Oliveira do Hospital e ficaram com a mesma verba que nós conseguimos. A isso chama-se capacidade negocial”, sublinhou, reconhecendo, porém, que não conseguiu fazer entrar neste quadro de apoio comunitário outras áreas como a Bobadela.  O empréstimo de dois milhões, enfatizou, vai permitir manter um equilíbrio nas obras a realizar.

“A desorganização neste município é tal que não conseguem fazer nada”

O vereador do PSD não se mostrou contra o empréstimo. “Não somos contra empréstimos para obras”, frisou. Brito, que acabou por votar favoravelmente a proposta, estranha é o “timing” das obras serem lançadas imediatamente antes do próximo acto eleitoral. “Já é pré-campanha, é um apelo ao voto com obras nas freguesias”, acusou João Brito que, na lista de obras contempladas por este financiamento, encontrou algumas que poderiam ser feitas com os recursos próprios da autarquia. Logo, diz, sem grandes gastos. “Estou a falar, por exemplo, dos 50 mil euros destinados à obra de pavimentação do caminho Monte Ruivo- Vale da Cabra em Meruge. Mas a desorganização neste município é tal que não conseguem fazer nada”, lamentou o social-democrata, questionando ainda o presidente da autarquia se estava previsto contrair outro empréstimo para cobrir os 15 por cento (1,05 milhões) que autarquia terá de colocar no âmbito dos sete milhões provenientes do PEDU.

Referindo que, em princípio, neste projecto não está nos seus planos recorrer ao financiamento bancário, José Carlos Alexandrino confessou que neste caso existe ainda alguma indefinição. “Há a possibilidade de esse empréstimo não contar para o endividamento líquido das Câmaras Municipais. Tem de ser analisado. Tem de ser visto na altura. Quais as vantagens e desvantagens”, disse, aproveitando para explicar que o empréstimo de dois milhões que irá ser contraído “não será para as gerações futuras pagarem”. Mas não esclareceu qual o prazo do empréstimo.

Requalificação da estrada entre Senhor das Almas e Nogueira do Cravo e água para Parceiro, Covão e Alentejo

No conjunto das 14 obras a serem financiadas pelo empréstimo aquela que, segundo as estimativas, recebe a maior parcela, 350 mil euros, é a requalificação e pavimentação da Estrada Municipal 510 entre Senhor das Almas e Nogueira do Cravo. O projecto de intervenção na Casa Amarela que será convertida num centro de investigação e promoção da cidade romana da Bobadela tem previsto um orçamento de 250 mil euros. Já a requalificação do antigo quartel dos bombeiros em Lagares da Beira deverá ser contemplada com 200 mil euros. O mesmo montante será destinado ao fornecimento e instalação de Etar’s compactas, incluindo as necessárias ligações técnicas, nas localidades de Chamusca, Chão Sobral, Galizes, Lourosa, Negrelos, Póvoa das Quartas, Póvoa de São Cosme, Seixas e Vilela.

As restantes obras deste financiamento incluem ainda a segunda fase de requalificação do caminho municipal entre Parente-Tapadas-Chão Sobral (90 mil euros); o projecto e execução da Rota das Levadas em Alvoco das Várzeas (80 mil euros); requalificação da Ilha do Picoto, em Avô (100 mil); requalificação da Avenida Nova, em Ervedal da Beira (150 mil); requalificação de estradas municipais em Lajeosa e Lagos (150 mil); extensão da rede de saneamento na União de Freguesias de Oliveira do Hospital e São Paio de Gramaços e na Freguesia de São Gião (100 mil); abastecimento de água ao Parceiro, Covão e Alentejo, na Freguesia de São Gião (150 mil); requalificação da rua Combatentes da Grande Guerra, no Seixo da Beira (80 mil); requalificação da ponte da Adarnela (50 mil); e pavimentação do caminho Monte Ruivo-Vale da Cabra, em Meruge (50 mil).

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  • António Lopes

    “Eleições à porta , seja Deus louvado”.Convém “acelerar as botas” pois, já há executivos de juntas a ameaçar demitir-se se não forem feitas determinadas obras…

  • Vermelhão

    Parece-me que ainda não explicaram bem a dívida da Câmara, e já se vão endividar mais? Mas uma coisa parece clara: um bocadinho a cada um para se dizer que fizeram alguma coisa, e poderem ir pelo concelho dizer que fizeram algo. Ao fim de, não sei quantos anos. E que se não fossem eles…

  • João Albuquerque

    “Há concelhos que não têm situação financeira para se candidatarem, mas felizmente Oliveira do Hospital tem essas condições financeiras” para apresentar uma candidatura a estes fundos, sublinhou o presidente do Município que explicou que inicialmente o PEDU “era só para Oliveira do Hospital mas decidimos estender à Bobadela, reconhecendo a sua importância estratégica para o concelho”.

    Isto ainda está no “site” da câmara. Afinal a situação financeira obriga a um empréstimo de dois milhões de euros, somente para Oliveira, pois a Bobadela não foi contemplada.
    Vamos ver no que isto vai dar, as experiências passadas não são nada abonatórias. Vamos ver se não gastamos o dinheiro para ficar pior.
    Cá para a minha terra, lá se vai usar o empréstimo para fazer o que se prometeu no primeiro mandato.
    Lagares está de parabéns, mais uma obra, soma e segue.

    João Albuquerque

    • Presidente milhões

      Quer dizer que o presidente vai estoirar com 9 milhões antes de se ir embora? Vai ficar na história como o que mais rebenta e menos faz.

  • Cuidados intensivos

    Em linguagem clínica – de resto, como o país, há trinta anos! – poder-se-ia comparar, tal empréstimo, como mais “um balão de oxigénio”…para o moribundo…
    Quem é que paga?
    As, sinceras, melhoras.

  • TOMÁS FURÃO

    É triste saber que vão pedir 2 milhões! Sim,porque durante o ano estoiram-no em festas. É pena não ver aqui nenhuma verba para arranjar a ponte de travanca nem o pontão ali à malhadoura. O padreco de travanca, esse aí não reivindica nada! Então Frei Tomás, não faz nada?

    • António Soares

      Senhor Tomás Furão, não tenho qualquer problema em assumir que andei no seminário e que lá aprendi a ser honesto e verdadeiro e a dar a cara. Também aprendi a tratar com urbanidade todas as pessoas o que parece , pelo que aqui escreveu, não serem estes valores o seu forte.
      Quanto a reivindicações para Travanca, quero dizer-lhe que ou anda distraído ou então…
      Pois é! É que na última Assembleia Municipal reivindiquei para Travanca apenas o seguinte: reparação da ponte sobre o rio Cobral e requalificação da zona envolvente, requalificação da estrada Travanca Lagares e Travanca Andorinha, construção de uma fossa compacta em Negrelos, pavimentação de alguns arruamentos da freguesia, extensão da rede de saneamento onde ainda não existem, abastecimento de água à localidade de Adarnela, reabertura do posto médico de Travanca… Isto foi público e consta nas diversas intervenções que fiz na referida Assembleia.
      A verdade acima de tudo. É que a grandeza das pessoas também se mede pela forma como expomos os nossos pontos de vista.

      • Vermelhão

        Só na última Assembleia Municipal? Os problemas surgiram todos no espaço temporal entre Assembleias? Parece que dos 2 milhões, algum vai servir para comprar votos em Travanca. O mesmo de sempre.

      • Urbanamente falando

        Se reivindicou foi muito baixinho, pois nada se ouviu.
        Faça um favor aos travanquences, ponha uma vela a Nossa Senhora e peça-lhe que arranje a ponte, pode ser que Ela dê ouvidos à sua urbanidade.

        • AntónioSoares

          Quando for publicitada a ata da reunião terá oportunidade de confirmar todas as intervenções que fiz durante a reunião.
          É pena, se esteve presente na reunião de Assembleia, não ter ouvido e se não esteve presente não tem o direito de duvidar daquilo que eu disse.
          De qualquer modo estas reivindicações não foram feitas, por mim, apenas nesta Assembleia.
          É que contra factos não há argumentos.

          • Urbanamente falando

            Eu estive presente e vi ao papel que se prestou.
            Já sabia que era fraco, mas nunca esperei que fosse tão fraco.
            Deixe-se de conversitas de café. Assuma-se homem, volte a candidatar-se. Agora que os travanquenses o conhecem a sério, vamos ver os votos que conquista.

          • António Soares

            Ainda bem que esteve presente. Pelo que afirmou, devia estar distraído no momento das minhas intervenções. Mas lanço-lhe o mesmo repto. Assuma-se publicamente e candidate-se. Apresente um programa político e uma equipa que lhe dê corpo. Quando o fizer, informe-me e nessa altura falaremos.
            Se eu vir que é bom até o poderei apoiar pois é isso que é preciso.
            Quanto a mim, não se preocupe.

          • Urbanamente falando

            Preocupar-me consigo? Era o que faltava, pelo que ouvi na AM já deve haver quem se preocupe. Certamente, já ganhou o seu bem estar.
            Pode deixar de se preocupar que Travanca passa bem sem as suas preocupações.

          • Mula Russa mal educado

            Urbanamente falando és um engenheiro como há poucos.
            Arranja emprego e faz pela vida. Isto de viver à custa da mulher devia acabar.
            Trata também dessa cabeça doente…

          • Urbanamente falando

            Sua grande mula, tu é que deves viver à custa da mulher, ou da câmara, ou do sacrifício de todos nós.
            Trabalho todos os dias sua animaleja, faz mas é o mesmo.
            Quem é que te disse que sou engenheiro? Se calhar até sou, seu animal.
            Trata mas é do cu, se queres continuar a sustentar a família.

          • Ferrador

            Segurem a “Mula” que a carroça vai cega.
            Mais um arregimentado.
            Toma os calmantes e diz-nos o que fizeram aos milhões que vieram para o centro-bio.
            Ai, ou muito me engano ou vai tudo na carroça.

          • Agradecido

            Sr. António, faça-nos esse favor e disponibilize a acta, porque no site do Município só existem até 19/06/2015.
            Será um bom serviço publico!

    • António Soares

      Senhor TOMAS FURAO:
      Caso pretenda, quando quiser, posso disponibilizar-lhe cópia das minhas intervenções na última Assembleia Municipal para que, tanto o senhor como o público, possam ajuizar com rigor tudo o que por lá foi dito por mim.
      É fácil escondermo-nos por detrás de um pseudónimo, embora tenha esse direito, me parece correto fazer afirmações que não correspondem à verdade dos acontecimentos.

  • .

    Mais um presidente arrebenta cangas. Vai embora convencido de grande estadista sem dever nada a ninguém. Triste cego povo.

  • Barrosão

    Ó Olívia:
    – Eu, agora, falo directamente com o Barroso, da GS…
    E, ao que parece, por estas bandas, tem muitos colaboradores.
    É só graveto, a entrar…