Câmara Municipal não “sabe da poda”

…. da cidade de Oliveira do Hospital e de outras freguesias do concelho estão a ser vítimas de maus-tratos perpetrados pelos próprios serviços camarários.

Em causa estão as chamadas podas que, por serem executadas sem qualquer arte nem técnica, causam muitas vezes não só o desfiguramento das árvores como o seu próprio enfraquecimento.

As imagens hoje recolhidas pelo correiodabeiraserra.com – há muitos outros exemplos por o concelho fora –, demonstram bem o serviço mal feito em “Acer pseudoplatanus” plantados há mais de 20 anos na zona do conhecido bairro de Sant´Ana, em Oliveira do Hospital.

Os ramos já quase chegam ao chão e os automobilistas que utilizam as zonas de estacionamento identificadas na foto, já não conseguem sequer estacionar os carros sem embater nas ramagens. Noutras zonas da cidade – como na rua prof. António Ribeiro Garcia de Vasconcelos, uma das principais artérias da cidade –, o crescimento desordenado de algumas árvores origina a que os ramos já quase invadam as varandas de habitações.

“Uma poda mal feita pode condenar a árvore”

Conforme refere António Carlos Miranda, um engenheiro agrónomo autor daquele que foi considerado o 8º melhor “blog” português na categoria “Animais Natureza e Ambiente”, a poda “deve ser feita para propiciar a convivência da árvore com o equipamento urbano, sem precisar removê-la (poda emergencial), para conduzir melhor a árvore ou para ajudar na sua formação”.

De acordo com o que escreve aquele agrónomo, que em tom irónico diz ter criado um blog que “pretende denunciar a chamada PODA das árvores, que na maior partes das vezes não é mais do que a “phoda” das árvores” – clique aqui para aceder –, “não é qualquer pessoa que pode fazer o serviço” das podas, já que – conforme sustenta – “uma poda mal feita pode condenar a árvore”.

Além do mais – explica António Miranda – “há técnicas e equipamentos adequados para isso”, bem como “há árvores que aceitam bem a poda e outras não”. Para aquele amigo das árvores, é também importante lembrar que “a poda drástica (aquela que tira quase toda a copa da árvore) é proibida”.

“Os homens morrem e as árvores ficam ainda na juventude…”

Outro aspecto importante a ter em conta prende-se com o tipo de árvore que se planta em meio urbano. “As pessoas não têm consciência do tamanho que as árvores atingem. Os homens morrem e as árvores – muitas delas – ficam ainda na juventude”, referiu a este diário digital o presidente da Caule. Salientando que “as árvores têm que ser escolhidas de forma a conviverem com o local onde são plantadas”, José Vasco de Campos – instado por o CBS online a pronunciar-se sobre esta matéria –, também é muito crítico quanto à forma como câmaras municipais e juntas de freguesia realizam este tipo de operações.

Servindo-se de um exemplo recentemente ocorrido no adro da Igreja de Avô, aquele engenheiro técnico-florestal especificou que “alguns carvalhos americanos com mais de 30 e 40 anos” foram alvo de uma intervenção – desencadeada pela junta de freguesia local – “e que não há nenhuma razão aparente para se fazer aquele tipo de corte”.

“São árvores que nunca mais recuperam dos cortes muito grandes que lhes foram feitos e esses cortes vão ser portas de entrada de fungos e micro-organismos que vão debilitar as árvores”.”Aquilo não foi uma poda. Aquilo foi uma decepagem das árvores”, lamenta Vasco de Campos.

Convidado por este diário digital a visitar as árvores cujas imagens documentam esta notícia, o presidente da Caule não demorou um minuto a fazer um comentário. “As pessoas não sabem o que andam a fazer. É a asneira do costume. Estas podas foram muito mal feitas, isto não é absolutamente nada e estragaram as árvores”, sentenciou Vasco Campos.

LEIA TAMBÉM

CDS oliveirense ausente da cerimónia de comemoração do feriado municipal como protesto pela condecoração a Ana Abrunhosa

O CDS oliveirense vai estar ausente da cerimónia de comemoração do feriado municipal que vai …

‘Nariz Preto’ de Pedro Tochas chega a Oliveira do Hospital

O espectáculo de Pedro Tochas, ‘Nariz Preto’, inserido no âmbito do programa ‘Coimbra Região de …