Câmara vai requalificar Centro de Interpretação das Ruínas Romanas da Bobadela

O que já era esperado há muito tempo acabou por acontecer. O Centro de Interpretação das Ruínas Romanas da Bobadela não está em condições de desempenhar as funções para o qual foi construído. Representando um investimento de cerca de 200 mil Euros suportado pelo Instituto de Gestão do Património Arquitectónico e Arqueológico, o espaço que integra o complexo romano da Bobadela foi inaugurado no verão de 2008, mas nunca chegou a entrar em funcionamento. O impasse na abertura do espaço e do necessário processo de musealização esteve diretamente associado à falta de verbas do IGESPAR.

A situação em torno do Centro de Interpretação das Ruínas Romanas da Bobadela assumiu contornos ainda mais graves, com os sinais de degradação do interior do edifício que começaram a ser visíveis com a chegada do primeiro inverno. Humidade e falta de ventilação são os problemas maiores do espaço a que a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital espera dar solução.

Decidida em pôr o espaço em funcionamento, a Câmara Municipal de Oliveira do Hospital comprometeu-se junto do IGESPAR a requalificar o edifício e até a avançar com algumas alterações ao projeto. “É uma lacuna gravíssima”, afirmou ao correiodabeiraserra.com a vereadora do pelouro da Cultura da Câmara Municipal de Oliveira do Hospital, numa altura em que se encontra a fazer um levantamento dos trabalhos que é preciso realizar no Centro de Interpretação para que “seja funcional”.

Sem previsões para o arranque das obras de requalificação e, muito menos para a entrada em funcionamento do espaço – “temos todo o interesse para que seja durante este mandato”, frisou – Graça Silva entende que “este projeto tem que ser terminado” até porque é preciso devolver à Bobadela o material que está espalhado pelo país, nomeadamente no Museu Machado de Castro em Coimbra. É que para além do tempo que vai demorar a requalificação, Graça Silva admite que também o processo de musealização, a cargo do IGESPAR, venha a ser demorado. “Não vai ser fácil, porque é preciso reaver o material”, referiu a este diário digital a responsável, destacando porém a colaboração que tem sido manifestada pelo responsável da Direcção Regional da Cultura do Centro, Pedro Pita.

“O caso da Bobadela é fabuloso a nível nacional”

O busto romano encontrado há cerca de duas décadas no núcleo romano da Bobadela é o elemento mais emblemático da presença romana naquela freguesia, mas existem outros vestígios e materiais que continuam à espera de ser musealizados no local onde foram encontrados.

O volume de material tende a ser cada vez maior, fruto do projeto férias arqueológicas que, pela terceira vez consecutiva, foi dinamizado pela autarquia oliveirense, em colaboração com a Junta de Freguesia da Bobadela e Instituto de Arqueologia da Universidade de Coimbra.

Para além de continuar a encontrar vestígios da ocupação romana da Bobadela, o programa férias arqueológicas permitiu, entre 11 e 16 de abril, detectar a presença proto-histórica naquela freguesia. Tal aconteceu no Cerro de S. Sebastião e no Cerro Walker, propriedade do conhecido inglês John Walker. “Encontrámos material contemporâneo nos dois cerros”, afirmou o arqueólogo responsável pela realização do projeto ao correiodabeiraserra.com. Em ambos os locais, os cerca de 150 jovens que naquela semana participaram nas férias arqueológicas recolheram material que “é altamente interessante para a comunidade cientifica”.

“O caso da Bobadela é fabuloso a nível nacional”, considera Rui Silva, confiante de que, no futuro, os achados poderão motivar um estudo académico. Também a freguesia de Santa Ovaia começa a dar sinais de interesse ao projeto férias arqueológicas. Alguns terrenos já foram alvo de prospeção e revelaram-se ricos em cultura material romana. O mesmo aconteceu em Seixo da Beira, freguesia que deverá ser explorada futuramente.

“Dá-se um pontapé numa pedra e encontra-se uma evidência do passado”, referiu, satisfeito, Rui Silva, na certeza de que no futuro “os projetos terão maior dimensão e serão desenvolvidos com outro fundamento”.

Na dinamização do projeto férias arqueológicas, o arqueólogo destaca a boa vontade e compreensão da população. A apreciação maior vai, contudo, para os jovens que têm manifestado interesse em participar na iniciativa.

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