Camilo Lourenço em Oliveira do Hospital para apresentar o seu livro que analisa a promiscuidade entre Estado, gestores, políticos e empresas

Camilo Lourenço vai estar na loja dos CTT de Oliveira do Hospital, na próxima sexta-feira, pelas 16h30, para uma sessão de autógrafos do seu livro Irresponsáveis. Uma obra em que o autor fala da promiscuidade entre Estado, gestores, políticos e empresas.

Camilo Lourenço, ao longo do livro, faz uma análise da forma como estas teias contribuíram para o estado em que a economia se encontra. Traçando um perfil dos principais erros cometidos desde as nacionalizações, passando pelas privatizações, o autor analisa os principais casos que envolvem o Estado, as empresas e os seus gestores. Analisa temas como a crónica falta de capital dos empresários portugueses, as golden share e as empresas como a PT, o BES, a TAP, a ANA, mas também os bons exemplos dos CTT ou da EDP.

O caso BES/PT é um dos pontos focados  na obra e, na opinião do autor , este acontecimento não é mais que o resultado dos erros dos últimos 40 anos. Começa com aquilo que designa de “falta de critério no processo de nacionalizações” liderado por de Vasco Gonçalves, passando pelos erros de Mário Soares. E acusa Cavaco Silva de ter feito mudanças, mas de ter optado por não corrigir graves erros do passado. Já de José Sócrates diz que começou bem, mas começou usou o Estado em jogos de poder. A obra Irresponsáveis procura dar a perceber como foi criada esta teia de poder, num acumular de erros transversais a vários governos. São também revelados pormenores sobre os principais casos que têm enchido as páginas dos jornais.

 Eis algumas passagens do livro:

“Mesmo sendo um gestor dotado, Zeinal Bava caiu na tentação; mesmo sendo um banqueiro experiente, Ricardo Salgado pensou que era impune e destruiu um império com 150 anos; mesmo sabendo das consequências, muitos políticos agem em função dos seus próprios interesses. Isto tem um nome: irresponsabilidade.”

“Será que Zeinal Bava procurou na aliança com Ricardo Salgado, chegar rapidamente ao topo da PT, dando em troca o apoio às empresas do GES? Se assim foi, como é que um gestor inteligente e com diversas valências cometeu um erro desta envergadura?”

Ricardo Salgado perdeu o pudor e atirou-me: “Se for preciso falar com a administração, falo”. Contestei: “Mas o director da revista sou eu. Eu é que decido o que sai, ou não”. Resposta (pronta): “Oh filho, o grupo (Media Capital) deve 600 mil contos (cerca de 3 milhões de euros) ao BES. Se tiver de utilizar isso para não publicarem nada, é o que farei”.

O episódio mais grave ter-se-á passado há uns meses numa conversa entre Ricardo Salgado e o actual governador do Banco de Portugal. Como as coisas não estavam a correr bem, Salgado terá dito “já sobrevivi a vários governadores”, dando a entender que poderia haver consequências para carreira de Carlos Costa.

“Ferreira Leite e Bagão Félix parecem ter sido atacados por amnésia aguda: criticam medidas que sabem ser inevitáveis. Hoje sabemos que Cavaco Silva partilha com eles a amargura de ter sido atingido pelo corte de pensões”.

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