Candidato do PS promete acabar com os presidentes de junta de “chapéu na mão”

Num convívio realizado esta sexta-feira – dia de Sto. António – em Vila Franca da Beira, José Carlos Alexandrino produziu um dos discursos mais críticos desde que anunciou a sua candidatura, e prometeu ser “um presidente diferente se ganhar a câmara”.

“Não me venham cá com histórias. Podem fazer caminhos, pôr luzes – e são importantes, assim como o saneamento –, mas para mim, mais importante do que isso é criar um modelo de desenvolvimento empresarial com pequenas e médias empresas, para que dêem trabalho aos nossos jovens e a quem está desempregado, porque é do trabalho que vem a riqueza”, afirmou o candidato socialista, sublinhando também que “um presidente da câmara, quando é eleito, é eleito para todos os seus munícipes, independentemente de serem do CDS, do PSD, do PS ou da CDU”.

Alexandrino destacou ainda a importância que “dois pesos pesados” – Fernando Tavares Pereira e António Lopes – tiveram ao nível do aparecimento da sua candidatura, e sublinhou o facto de se tratarem de pessoas de quadrantes políticos diferentes. Pois – conforme afirmou –Tavares Pereira, que já foi mandatário de Cavaco Silva, “sempre foi um homem ligado ao PSD” e António Lopes “nunca deixará de ser comunista”.

O candidato socialista abordou depois o relacionamento da câmara municipal com as juntas de freguesia, e sem se referir directamente a Mário Alves, acusou, implicitamente, o autarca do PSD de transformar bons presidentes em maus presidentes, e vice-versa.

“Para isto eu não sirvo. Vou dar dignidade aos presidentes de junta, independentemente da sua cor política, afirmou Alexandrino, garantindo que consigo os presidentes de junta não só “não vão ter que andar de chapéu na mão”, como também “não precisam de irem para as escadas da câmara”.

Salientando que as eleições que se avizinham não são “um combate entre PS e o PSD”, mas antes “um combate entre as pessoas e a visão que essas pessoas têm sobre o futuro e sobre a forma como o concelho se há-de desenvolver”, Alexandrino deixou ainda um recado político aos que – de acordo com o que o próprio referiu – entendem que a sua candidatura “tem de ser penalizada por estar debaixo da bandeira do PS”.

“Acham que eu tenho responsabilidades no que o senhor ministro da Agricultura ou a senhora ministra da Educação fazem? Eu aqui, em Ervedal da Beira, é que tenho a culpa das asneiras que estas pessoas fazem, perguntou o candidato do PS, assegurando que, como candidato independente – e se for caso disso –, nada o impedirá de criticar a ministra da Educação, como aliás já o fez através das manifestações em que participou.

“A Vila Franca e ao concelho nunca virei nem nunca virarei o casaco”

“Diz-se aí que eu virei o casaco. É uma opinião que eu respeito, pois como já aqui foi dito todos somos livres e, portanto, podemos pensar como quisermos.

Há uma coisa que eu vos garanto: a Vila Franca e ao concelho nunca virei nem nunca virarei o casaco”, afirmou, por sua vez, o candidato socialista, como independente, à Assembleia Municipal (AM), dando conta de que tem “uma dívida de gratidão” para com a aldeia onde viveu grande parte da sua vida.

“Andando aqui descalço como eu andei, e passando as dificuldades que passei, se calhar, muitos, no meu lugar, passavam ali pela auto-estrada, lembravam-se que tinham andado por aí e seguiam”, frisou.

Mas insistindo em “esclarecer essa coisa do virar do casaco” – “sempre fui um homem de cara levantada, e é assim que quero continuar a andar, sublinhou –, Lopes explicou que foi eleito para a AM para fazer “uma oposição consequente” e que ainda hoje não acredita como é que depois de ter sido “mandatado” pelo partido – e por sugestão de João Dinis – para apresentar um pedido de auditoria à câmara municipal, aparece um camarada seu – João Abreu – a afirmar que o presidente da câmara “não merecia passar pelo vexame de uma auditoria”.

Alegando não perceber a posição do seu partido, quando há pessoas que foram eleitas que “não respeitam o voto, não respeitam o resultado das votações e tudo é legítimo para se estar como uma lapa agarrada ao poder”, Lopes esclareceu que não podia continuar em funções políticas quando o seu partido “não estava à altura das suas responsabilidades”.

O antigo deputado municipal da CDU, argumentou também que virou o casaco por ter sido ele próprio a entusiasmar José Carlos Alexandrino para avançar. “Andei três anos a chatear o homem para ele ser candidato, e no dia em que ele se decidiu eu não ia dar o meu apoio? Andava a empurrá-lo para a frente e eu depois ficava para trás?, perguntou Lopes, manifestando-se convicto de que se o candidato do PS for eleito presidente da câmara “o concelho tem muito a ganhar com isso”.

O cabeça-de-lista do PS à AM, adiantou também que vai voltar a concorrer ao lugar de presidente da assembleia de freguesia de Vila Franca da Beira, e especificou que chegou a desafiar o actual presidente da junta local a encontrar uma solução. Só que como João Dinis lhe terá dito que “a CDU não se desviava um milímetro”, Lopes perguntou: “ E isso é bom para Vila Franca da Beira?”

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